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Página
de Espaço
Coordenador
André Mileski
e-mail
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Tenente-Coronel
Pontes inicia nova
fase em sua carreira
FAB 17 Maio 06
Link
Viagem
de Marcos Pontes ao espaço significou
momento histórico para o Brasil, diz Lula
ABr 20 Abr 06
Link

A cerimônia de boas-vindas ao Tenente-Coronel Marcos Pontes,
Astronauta brasileiro, no Salão Nobre do Palácio do
Planalto,
20 Abril 2006
Astronauta
brasileiro destaca apoio privado
GM 26 Abril 06
Link

Marcos Pontes junto aos Presidentes
Luiz Inácio e Vladimir Putin
- Moscou
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Defesanet
06 Junho 2006
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Exclusivo
Defesa@Net
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ENTREVISTA
COM MARCOS PONTES, TEN.CEL.AV.
Primeiro astronauta e cosmonauta brasileiro ©
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Entrevista
exclusiva concedida, desde Houston(TX), a André
Mileski
responsável pela área espacial de
Defesa@Net
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André
Mileski
Defesa@Net
Defesa@Net:
Pontes, qual é a razão de sua ida para a
reserva?
Marcos Pontes:: Foi o única solução
lógica e o melhor caminho para favorecer o Programa
Espacial e à Forca Aérea simultaneamente.
Tomamos a decisão conjuntamente. Depois de longa
análise do cenário atual junto com oficiais
do Comando e o Comandante da Aeronáutica, foi decidido
que a minha passagem para a reserva seria a única
solução que permitiria a continuidade e
ampliação de minha participação
nos Projetos do Programa Espacial e da FAB de forma mais
eficiente, ampliando as possibilidades desses projetos
e trazendo vantagens simultaneamente para todas os programas
e instituições envolvidas (a participação
brasileira na ISS, o programa do VLS, das plataformas
de lançamento, as cooperações internacionais
, programas de defesa e a indústria nacional).
Defesa@Net:
Como você viu toda a polêmica causada pela
sua "aposentadoria" alguns meses depois da realização
da primeira missão espacial tripulada brasileira,
paga com recursos públicos?
Marcos Pontes: Impressionado com a irresponsabilidade
de algumas pessoas que, por ignorância ou maldade,
ou comandadas por algum outro interesse pessoal ou político,
criaram rapidamente um enorme serviço negativo
para o Brasil, falando uma porção de inverdades,
agreessões pessoais, etc. É triste, mas
talvez tenha sido a única maneira que tiveram para
extravazar sentimentos negativos como inveja, medo, insegurança,
stress, ciúmes, etc. Em minhas orações
peço que Deus os ilumine e os ajude a encontrarem
satisfação em suas próprias realizações
(coisas que eles tenham feito pela sua própria
competência) e assim tenham mais tempo dedicado
para coisas produtivas do que destrutivas. Basicamente
a mentira que usaram para enganar o público foi
dizer que eu estava saindo do programa espacial, sendo
que essa transferência para a reserva era justamente
para ampliar essa participação minha no
Programa. Um verdadeiro absurdo, mas as palavras maldosas
morrem com o tempo, enquanto as minhas atitudes concretas
pelo programa perduram. O fato verdadeiro é (durante
8 anos de participação no Programa Espacial):
o problema de muita gente não é querer me
manter no programa espacial. O problema é querer
me tirar dele. Nunca conseguiram e eu vou continuar a
lutar pelos projetos espaciais que acredito dentro do
programa nem que seja por minha conta própria!
Nota Defesa@Net - Marcos Pontes fez questão
de comentar:" Reserva da Força Aérea
é diferente de "aposentadoria", pois
posso ser chamado ao serviço ativo a qualquer
momento caso necessário. Outro detalhe que
vale a pena ser repetido é que fui para a Reserva
da Força Aérea Brasileira justamente
para ampliar minha atuação para o Programa
Espacial Brasileiro, e estou aqui na NASA em pleno
trabalho. Também é importante destacar
que aqui na NASA o fato de estar na reserva é
fato comum e nunca encarado como saída do programa
(exemplo: William MacArthur, Coronel da Reserva do
Exército Americano, tripulante da expedição
12 da ISS. Estivemos juntos no espaço e ele
pousou comigo no Soyuz! Interessante, não é?)"
Ponte detalhou sua passagem para a reserva no texto:PASSAGEM
DO SERVIÇO ATIVO PARA A RESERVA DA FORÇA
AÉREA |
Defesa@Net:
Durante e após a Missão Centenário,
muitas críticas quanto ao conteúdo científico-tecnológico
da missão e eventuais irregularidades a propósito
de sua atuação como astronauta surgiram
na imprensa. Qual é a sua opinião sobre
estas críticas?
Marcos Pontes: Minha participação na
missão centenário era exclusivamente como
tripulante (astronauta profissional) a serviço
do país. Decisões administrativas não
fazem parte das minhas atribuições. Treinei
vários anos para cumprir a missão para o
país e levar a bandeira ao espaço. Sacrifiquei
minha vida pessoal e minha carreira na FAB para isso.
Cumpri a missão exatamente como fui treinado: sem
qualquer erro operacional. Realizei os experimentos que
foram enviados comigo da forma prevista. Isto é
o retorno integral do investimento feito para o treinamento.
Do ponto de vista operacional, minha participação,
foi concluída com pleno sucesso no momento do pouso.
Lógico que continuo agora a motivar os jovens para
as carreiras militares e de C&T isso seria óbvio,
de qualquer modo, visto que é algo que é
parte dos meus objetivos de vida. Mas a Missão
foi concluída, operacionalmente falando, em 09
de Abril. Quanto a objetivos da missão, fatores
de orçamento, justificativa de custos, decisão
dos experimentos, utilização dos resultados,
etc...São decisões e assuntos da administração
da Agência Espacial Brasileira (AEB), eu procuro
não interferir em nada disso. Não é
de minha competência.
Defesa@Net: Você foi convidado para trabalhar
na Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (FIESP)? Qual seria a sua função
na entidade, e como poderia colaborar a partir dela para
o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro e indústria
aeroespacial nacional?
Marcos Pontes: Essa assessoria direta a indústria
é uma ligação muito importante no
presente momento, em que a participação
brasileira na ISS esta critica pelos atrasos na entrega
dos componentes de responsabilidade do Brasil. Estas semanas,
enquanto falavam besteiras sobre a minha ida para a reserva,
eu trabalhava aqui em JSC-NASA, junto a gerência
do programa da ISS para convencê-los de não
"dispensar" o país da cooperação.
Isso é a urgência importante do momento.
Parte da argumentação e justamente o fato
de que agora, trabalhando diretamente com a indústria
e ainda fazendo a ligação da AEB diretamente
com a NASA aqui em Houston, todos os processos da construção
das partes serão feitos com maior rapidez e eficiência.
Aliás, este foi um fator importante nessa decisão
para otimizar minha utilização para os projetos
do programa. Se você pensar bem, agora temos a situação
mais otimizada possível para minha participação.
E acredite, vamos precisar disso. Fala-se no momento de
uma sugestão do INPE para substituir as partes
brasileiras já acordadas (FSEs) por uma contribuição
a um satélite do NOAA. Conhecendo a NASA, não
acredito nessa possibilidade, visto que o NOAA é
uma agencia distinta (não faz parte da NASA). Portanto,
ainda permanecemos acelerando os processos dos FSEs.
Defesa@Net: Sua ida para a reserva foi escolha pessoal
sua? Nos bastidores, cogitava-se sobre uma eventual pressão
por parte de alguns setores do governo exigindo a sua
reserva...
Marcos Pontes: Não houve pressão. O
Comando da Aeronáutica e eu decidimos juntos que
essa deveria ser a solução a ser tomada
para a minha continuidade no programa espacial com maior
participação e eficiência para os
projetos.
Defesa@Net: Nos dias seguintes ao retorno do espaço,
você deu entrevistas informando sobre a possibilidade
de um segundo vôo, desta vez a bordo de um ônibus
espacial norte-americano, em 2008 ou 2009. Sua ida para
a reserva indica que esta segunda missão dificilmente
ocorrerá?
Marcos Pontes: A situação atual da participação
brasileira na ISS descarta completamente a possibilidade
de um segundo vôo no nível atual da cooperação.
Meu objetivo agora é contribuir para salvarmos
a boa reputação do Brasil junto aos outros
15 países participantes do programa internacional
da ISS e lutar para ampliar a nossa contribuição.
Com isso poderíamos pleitear um vôo espacial.
Minha vontade é de voar, porém pretendo
que tenhamos um segundo astronauta treinado, dando assim
continuidade no processo dos vôos tripulados no
Brasil. Esse e um dos meus objetivos pessoais atuais,
conforme informei em um dos textos que escrevi na minha
página http://www.marcospontes.net.
Defesa@Net:
A participação brasileira na construção
da Estação Espacial Internacional (ISS,
sigla em inglês), assinada em outubro de 1997 já
foi submetida a uma drástica revisão no
início da atual década. Ao invés
de fornecer os seis tipos de peças previamente
acordadas, o País passaria agora a fornecer equipamentos
de suporte ao vôo (Flight Support Equipments - FSEs),
cujos protótipos estão sendo construídos
numa unidade do SENAI de São Paulo. Afinal, a contratação
destes equipamentos junto à indústria nacional
e conseqüente cessão dos mesmos à NASA
ainda não foram definidas?
Marcos Pontes: Não. Esse é justamente
o nosso problema atual. Estamos muito atrasados nesse
processo. Precisamos ter mais agilidade. Exatamente por
isso é que estou me colocando nessa configuração,
URGENTEMENTE junto a indústria no Brasil e no programa
espacial (AEB) aqui em Houston. Esperamos que assim possamos
acelerar essa construção.
Defesa@Net: O que significaria, mais uma vez, um recuo
do País na participação do projeto
da ISS, considerando que se trata do único país
dito subdesenvolvido a participar do programa?
Marcos Pontes: Uma vergonha para o nome do Brasil
e para o Programa Espacial e suas instituições.
Além disso, seria um descrédito para a nossa
indústria e o nosso setor de ciência e tecnologia.
Mas tenho certeza que a AEB, responsável legal
direta pela condução do programa, não
deixará isso acontecer. Eu, de minha parte, farei
o possível para manter o projeto. Como sempre tenho
feito!
Defesa@Net: Poucas pessoas acompanharam de perto e
ao seu lado todas as dificuldades enfrentadas desde a
sua seleção para se tornar o primeiro astronauta
brasileiro. Você pretende, um dia, escrever sobre
o difícil caminho trilhado até o vôo?
Marcos Pontes: Sem dúvida. E pode ter certeza
que irá incluir todos os detalhes, inclusive desse
início de segunda fase de minha participação
o programa espacial. E necessário deixar registrado
para a historia e para o aprendizado das gerações
futuras todos os fatos verdadeiros, as injustiças,
as vitórias e tudo mais.
Defesa@Net: Gostaria de deixar uma mensagem final para
os nossos leitores?
Marcos Pontes: Nas últimas semanas, assistimos
a uma enorme "lambança" feita por aproveitadores
com relação a minha transferência
para a reserva da Forca Aérea que procuraram enganar
o público passando a idéia de que minha
ida para a reserva era sinônimo de saída
do programa espacial (sendo que é justamente o
oposto - ampliando minha participação).
Não serei leviano como foram, afirmando que isso
ocorre por essa ou por outra razão. Eu não
sei o porquê fizeram tudo aquilo. Contudo, qualquer
pessoa, usando bom senso, pode ter suas próprias
idéias das razões que motivaram essas pessoas.
Tenho plena certeza que a imensa maioria utiliza esse
bom senso. Restam as pessoas que não sabem (ou
não querem) ver a realidade dos fatos ou preferem
as mentiras, politicagem, sensacionalismo, inveja, etc...
Aliás é triste ver esse traço negativo
na personalidade de algumas pessoas. Não é
uma coisa boa. Em todo caso, não é difícil
ver a verdade, basta acompanhar a continuidade do meu
trabalho no Programa aqui na NASA, de onde escrevo esses
respostas, ler informações diretas de quem
sabe do assunto (pode ser visto todos os detalhes nos
textos que escrevi sobre o assunto no site
http://www.marcospontes.net), etc. Interessante é
notar como outros assuntos de extrema importância
e urgência de serem tratadas e corrigidos perderam
o foco público em face da manipulação
de informações sobre um processo normal
de continuação do meu trabalho. Seria coincidência?
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