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André M. Mileski

VSB-30
O Consórcio Brasil Espaço planeja participar da
industrialização do foguete.
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Defesanet
18 Julho 2006
Atualizada 24 Julho 2006
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Exclusivo
Defesa @ Net
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CONSÓRCIO
BRASILEIRO DISPUTA
NEGÓCIOS NA ÁREA ESPACIAL
André
M. Mileski
O
Brasil passa por um bom momento para investimentos estrangeiros
e parcerias de grupos estrangeiros com indústrias
nacionais no setor aeroespacial, interessados em futuros
negócios no País. Num espaço de menos
de um ano, duas
indústrias nacionais de médio porte atuantes
no segmento aeroespacial foram adquiridas por grupos internacionais,
em ações que não devem parar por
aí.
No
entanto, se por um lado há o avanço de grupos
estrangeiros sobre indústrias aeroespaciais nacionais,
operações estas, aliás, estimuladas
pela crescente prática de contrapartidas comerciais,
econômicas e tecnológicas (os chamados offsets)
adotadas pelo governo brasileiro em concorrências
nos setores de defesa e especialmente aeronáutico,
por outro, indústrias e empresas de pequeno e médio
porte do mesmo segmento buscam unir forças para
conquistar negócios.
Este
é o caso de oito empresas paulistas (ver box),
que em novembro de 2005 uniram forças e constituíram
o Consórcio Brasil Espaço, com o objetivo
de disputar futuros contratos do Programa Espacial Brasileiro,
como o programa Cruzeiro do Sul, infra-estrutura para
o Centro de lançamento de Alcântara (CLA),
satélites e sistemas espaciais.
A
estruturação do Consórcio foi coordenada
pela Sygma Consultoria, que acumula grande experiência
em consultoria e estruturação de negócios
junto a indústrias de alta-tecnologia, inclusive
dos setores aeroespacial e de defesa. De acordo com José
Carlos Argolo, ex-diretor do Instituto de Aeronáutica
e Espaço (IAE) e atualmente um dos diretores da
Sygma, "o Consórcio Brasil Espaço
é um acordo de cooperação para atuação
conjunta em oportunidades que venham a surgir na área
espacial. Cada empresa arca com seus custos e atua em
sua área específica, todavia, no caso da
contratação de sistemas espaciais completos,
as empresas se unirão num consórcio formal
e atuarão no contrato específico que venha
a se apresentar." Esta união num consórcio
formal se dará sob a égide da Lei de Licitações
(Lei Ordinária nº. 8.666, de 21 de junho de
1993), medida que significará custos menores e
conseqüentemente riscos reduzidos para as consorciadas.
O
Consórcio Brasil Espaço não é
o primeiro caso de união de indústrias nacionais
interessadas em atuar no segmento espacial. Em outubro
de 2000, a Avibrás, Mectron, Equatorial, Cenic,
Compsis, Fibraforte, Atech, Aeroeletrônica e Digicon
constituíram a Espacial, com o objetivo de gerenciar
projetos do setor espacial brasileiro. Ao contrário
do Consórcio Brasil Espaço, a Espacial foi
criada efetivamente como empresa, havendo necessidade
de aporte de capital, contratação de funcionários,
e cumprimento de todo um conjunto de procedimentos legais
para mantê-la em operação, estrutura
que consumiu recursos de todos os participantes. Dado
os custos para a sua manutenção e a falta
de negócios, a empresa foi extinta alguns anos
após sua constituição.
Já
em 2002, contando com apoio da Agência de Promoção
de Exportações e Investimentos (APEX), foi
criada a HTA Indústria, Comércio, Importação
e Exportação Ltda., resultado da associação
de onze indústrias brasileiras participantes de
programas aeronáuticos brasileiros, e com condições
para também atuarem como fornecedoras do Programa
Espacial Brasileiro. A HTA hoje fornece componentes aeronáuticos
para a Embraer e indústrias estrangeiras como a
Pratt & Whitney Canada e a espanhola EADS CASA.
Negócios
O
Consórcio Brasil Espaço já tem definido
dentro de sua área de atuação algumas
futuras licitações do Programa Espacial,
particularmente quanto a lançadores, em que pretende
disputar negócios. "Nossa intenção
é participar da revisão da VLS-1 com o re-projeto
do sistema de redes elétricas do veículo,
o novo banco de controle que se fará necessário
e as modificações de equipamentos e de software
que daí decorrerão", diz Argolo.
A
construção de uma nova Torre Móvel
de Integração (TMI) para o Centro de Lançamento
de Alcântara (CLA) em substituição
àquela destruída no incêndio do VLS-1
V03, em 22 de agosto de 2003, foi, inclusive, conquistada
por uma das empresas membro do consórcio. A Jaraguá
Equipamentos foi adjudicada como vencedora da licitação
realizada pelo Comando da Aeronáutica para a construção
da nova TMI, num negócio estimado em cerca de R$
38 milhões. Apesar da conquista, o resultado está
sendo questionado na Justiça pela outra participante
da licitação. Confirmando-se o resultado
da concorrência e não havendo recurso para
instâncias superiores, a "expectativa é
poder começar a trabalhar até o início
de julho próximo", revela Argolo.
Outro programa de interesse do consórcio é
o Cruzeiro do Sul, anunciado em outubro
de 2005 pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA)
e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O programa
prevê o desenvolvimento de uma nova família
de veículos lançadores de pequeno, médio
e grande porte para colocação de satélites
em órbitas baixas, médias e de transferência
geoestacionária. Até o momento, no entanto,
nenhuma atividade industrial ou de desenvolvimento do
programa foi contratada, estando o IAE trabalhando na
fase de concepção do veículo Alpha,
envolvendo, inclusive, a análise de contratação
de uma empresa russa para assessorá-lo nos aspectos
relativos à propulsão líquida. De
acordo com José Argolo, "o Consórcio
Brasil Espaço já se apresentou para o IAE
e o CTA, porém, não tivemos qualquer decisão
de trabalho em conjunto até o momento."
Uma possibilidade mais próxima e, portanto, mais
concreta, envolve a transferência da produção
de foguetes de sondagem para a iniciativa privada, intenção
freqüentemente declarada por oficiais graduados do
Comando da Aeronáutica. Algo mais avançado
neste sentido já existe, e envolve o foguete VSB-30,
já exportado para a Europa.
Dois foguetes deste modelo, que atualmente não
apresenta concorrentes em sua categoria, já foram
lançados com sucesso a partir do centro espacial
de Esrange, em Kiruna, Suécia, em missões
científicas coordenadas pela Agência Espacial
Alemã (DLR) e pela Agência Espacial Européia
(ESA). Um primeiro vôo já havia sido realizado
em outubro de 2004, a partir do CLA, no Maranhão,
visando à qualificação do lançador,
e outro está previsto para o final deste ano. Segundo
o Cel. Argolo, o Consórcio Brasil Espaço
se dirigiu ao IAE como interessado em fabricar o VSB-30,
e de acordo com informações não-oficiais,
o Instituto deverá emitir dentro em breve um "Request
for Information" (RFI) às empresas, e após
obter algumas informações definirá
como será a transferência desse veículo
para a indústria. "Caso haja alguma concorrência
estamos interessados em participar e temos condições
técnicas de vencê-la", diz. A previsão
é de que exista mercado para a produção
de quatro foguetes por ano, a um custo unitário
de US$ 350 mil.
Questionado sobre as perspectivas positivas do VSB-30,
dado o fato de não haver concorrentes disponíveis
de mesma categoria, e se uma eventual associação
com uma empresa ou conglomerado estrangeiro não
facilitaria a inserção do produto nacional
em alguns mercados, Argolo respondeu: "Sem dúvida
a cooperação internacional será uma
grande vantagem para a inserção do VSB-30
no exterior. Essa cooperação poderá
ser com a EADS ou com a BAE Systems. Hoje, os europeus
estão bastante satisfeitos com o VSB-30, porém,
eles estão sem alternativa, pois, não há
concorrentes nessa categoria."
"Os
EUA estão projetando um veículo da classe
do VSB-30 que deverá estar voando no final deste
ano. Em razão de pressões dos EUA é
possível que a Europa venha a utilizar esse novo
veículo em detrimento do VSB-30", alerta Argolo.
Diante do futuro cenário de concorrência,
uma parceria internacional seria desejável a fim
de garantir as exportações de foguetes nacionais.
Os
nomes BAE Systems e EADS não são citados
por acaso. A inglesa BAE Systems é resultado da
fusão da British Aerospace com a GEC-Marconi em
1999, e até pouco tempo produzia o foguete de sondagem
Skylark 7, utilizado em missões de microgravidade
pela DLR. Uma vez interrompida a produção
do foguete inglês, a DLR passou a operar o VSB-30,
cujos vôos de qualificação até
então realizados na Europa contaram com o suporte
da divisão de Transporte Espacial (ST) do grupo
EADS.
A
participação brasileira no programa da Estação
Espacial Internacional (EEI), firmada em outubro de 1997,
também é uma oportunidade observada pelo
Consórcio. Depois de uma drástica revisão
da participação do Brasil, que, aliás,
ainda está em discussão, a responsabilidade
do País deverá ser a de fornecer equipamentos
de suporte ao vôo ("Flight Support Equipments"),
avaliados em cerca de US$ 8 milhões. Uma vez se
confirmando a continuidade do País no programa,
uma licitação para a produção
destas peças deverá ser lançada.
Argolo ressalta que, "dependendo do Edital e das
exigências técnicas que sejam apresentadas",
o Consórcio pode disputar o negócio.
Offsets
Dentro
dos próximos anos deverá ocorrer uma das
maiores licitações dos últimos anos,
a ser realizada para o desenvolvimento e produção
de ao menos dois satélites geoestacionários,
cuja função primária será
a de controle de tráfego aéreo. O projeto
do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB),
por si só, já é um grande incentivo
às movimentações dos grandes produtores
mundiais de satélites, que tem buscado parcerias
e participações em empresas no Brasil, antevendo
a importância da prática de contrapartidas
para a conquista de negócios. Indagado sobre a
visão do Consórcio Brasil Espaço
acerca da prática de offsets, Argolo respondeu
que o que se tem obtido é muito pouco quando comparado
aos recursos que o País está enviando para
fora na área aeronáutica, ressaltando-se
que a prática de offsets pelo Brasil se deu até
o momento basicamente na área aeronáutica
(Comando da Aeronáutica), embora haja um esforço
por parte do governo brasileiro em ampliar o uso de tal
prática (setores espacial e de telecomunicações
- TV digital, entre outros).
"Entendemos
que o SGB deva ser contratado utilizando a indústria
nacional com "Prime Contractor" e esta se encarregará
de subcontratar a indústria estrangeira que poderá
atuar como "design authority" do SGB. Caso não
seja feito desta forma estaremos mais uma vez exportando
capitais e matando a nossa indústria que ainda
está engatinhando na área espacial",
completou.
Exportações
A
atuação no mercado externo de produtos e
serviços espaciais, que movimenta anualmente dezenas
de bilhões de dólares, está nos planos
do Consórcio Brasil Espaço, tanto é
que o consórcio tem trabalhado no sentido de industrializar
o VSB-30 para exportação. Argolo esclarece,
porém, que este não é principal foco
do Brasil Espaço num primeiro momento. "Primeiro,
é preciso ganhar a confiança doméstica
para depois arriscar a atuação externa",
completa Argolo.
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EMPRESAS
CONSORCIADAS - CONSÓRCIO BRASIL ESPAÇO
Sygma
Tecnologia
A
Sygma Tecnologia é especializada em soluções
de engenharia, consultoria técnica e empresarial,
e em gestão, tendo prestado tais serviços
para um variado leque de empresas nacionais e multinacionais
dos setores de alta-tecnologia, como o aeronáutico,
automobilístico, de defesa, entre outros.
Mectron
Fundada
no início de 1991 em São José dos Campos,
Estado de São Paulo, a Mectron desenvolve projetos
de alto teor tecnológico, atuando nas áreas
de automação industrial, médica, aeronáutica,
espacial e defesa. Seus principais projetos são os
dos mísseis MAA-1 (ar-ar de curto alcance), MAR-1
(míssil anti-radiação), MSS 1.2 (superfície-superfície),
radar aero-embarcado SCP-01 e Plataforma Multimissão
(PMM), entre outros.
CENIC
A CENIC, de São José dos Campos, projeta,
produz e testa materiais compostos para partes mecânicas.
Atua no projeto e fornecimento de componentes do VLS-1,
como válvulas mecânicas, tanques de propelentes,
tubeiras e câmaras de expansão, entre outros.
COMPSIS
Fundada
em 1989, a COMPSIS atua no setor de Sistemas de Tráfego,
Indústrias Automotiva e Aeroespacial. A empresa executou
diversos trabalhos para o programa espacial brasileiro,
tais como participação na análise estrutural
dos satélites da série CBERS (China-Brazilian
Earth Resources Satellite - Satélite Sino-Brasileiro
para Observação dos Recursos Naturais da Terra),
projetos do sistema de testes (banco de controle) das redes
elétricas do VLS-1, e do Sistema de Trajetografia
(SISGRAF) do Centro de Lançamento de Alcântara
(CLA), no Maranhão.
Fibraforte
A
Fibraforte possui atuação nos segmentos espacial
(estruturas e sistemas mecânicos, propulsão
de satélites e lançadores, equipamentos de
suporte, entre outros), aeronáutico (estruturas e
sistemas mecânicos para aeronaves, e desenvolvimento
e produção de ferramental de suporte), e industrial
(estruturas e sistemas mecânicos automotivos e de
equipamentos industriais). Na área espacial, participou
no programa SACI (Satélite Científico), CBERS,
PMM e HSB (Humidity Sensor for Brazil), entre outros.
Orbital
Engenharia
A
Orbital Engenharia atua no setor aeroespacial, nas áreas
de engenharia de sistemas de produtos aeroespaciais (veículos
lançadores e satélites), suprimento de energia
e no fornecimento de serviços especiais de engenharia
de projeto e fabricação. A empresa, a partir
do Programa de Inovação Tecnológica
em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de
Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), desenvolveu
e qualificou toda a tecnologia necessária para a
fabricação de geradores fotovoltaicos para
aplicações aeroespaciais.
Jaraguá
Equipamentos
A
Jaraguá Equipamentos, especializada no desenvolvimento,
produção e montagem de projetos industriais
tem variadas áreas de atuação, entre
as quais nas indústrias petroquímica e química,
óleo e gás, siderúrgica, ferrovias,
mineração, equipamentos especiais, etc. A
Jaraguá foi vitoriosa na concorrência para
a construção da Torre Móvel de Integração
(TMI) para o lançador VLS-1 no CLA.
Mecânica
Abril
A
Indústria Mecânica Abril foi fundada em 1976
e atua no projeto e construção de máquinas,
equipamentos e dispositivos de montagem. No ramo aeroespacial,
a Mecânica Abril fabrica dispositivos e equipamentos
para foguetes de sondagem desenvolvidos pelo Instituto de
Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA).
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