Agência
espacial tenta dobrar verba para 2006.
Alcançar
US$ 200 milhões é estratégia para
aumentar impacto de ações de governo e do
setor privado
Virgínia
Silveira
No
próximo ano os pesquisadores da instituição
têm como meta o lançamento do satélite
CBERS-2B, que dará continuidade à geração
de imagens do território brasileiro. O Brasil se
tornou o maior distribuidor de imagens de satélites
do mundo este ano, com o CBERS-2, que está em órbita
desde outubro de 2003. O lançamento do satélite,
e a disponibilidade gratuita dos seus dados pela Internet,
resultaram na distribuição de mais de 160
mil imagens.
O
Inpe entrega hoje uma média de 350 imagens por
dia do satélite CBERS para 6,4 mil usuários
de duas mil instituições. Integram a lista
de usuários das imagens do CBERS no Brasil as universidades
públicas e privadas, prefeituras, jornais, empresas
de consultoria, geologia, petróleo, engenharia,
aerolevantamento, topografia, saneamento, eletricidades
e órgãos do governo, como a Embrapa, ANA,
Ibama, Aneel, IPT, entre outros.
Entre
as principais aplicações das imagens do
CBERS estão o controle do desmatamento e das queimadas
na Amazônia Legal, o monitoramento de recursos hídricos,
áreas agrícolas, crescimento urbano e ocupação
do solo. O acesso gratuito às imagens, segundo
o diretor do Inpe, tem como objetivo popularizar o uso
do sensoriamento remoto no País.
Além
do CBERS-2B, programa feito em parceria com a China, o
Inpe também trabalha no desenvolvimento do CBERS-3,
que será lançado em 2008. Com o CBERS-3
e CBERS-4 (a ser lançado em 2010), o Brasil aumentou
de 30% para 50% a sua participação no desenvolvimento
dos satélites do programa.
Atualmente,
seis empresas trabalham no desenvolvimento da estrutura,
sistema de coleta de dados, duas câmeras de imageamento,
antenas e suprimento de energia. O Inpe também
vai contratar a indústria nacional para fazer o
subsistema de telecomunicações, de transmissão
de dados e gravador de bordo digital, além do computador
de bordo e dos painéis solares. A nova política
industrial do Programa Nacional de Atividades Espaciais
(PNAE), segundo Câmara, promoveu uma relação
equilibrada entre o Inpe e a indústria brasileira.
"No
programa CBERS, 80% dos contratos de desenvolvimento dos
satélites são feitos com a indústria
brasileira", disse. Atualmente 20 empresas trabalham
com o Inpe nos satélites desenvolvidos para o programa
espacial. A área de ciência espacial no Inpe
também desenvolve os satélites Equars (monitoramento
da atmosfera equatorial) e Mirax (medida de emissões
de raios-X no Universo). Ambos devem ser lançados
em 2008. Um satélite radar SSR-2
que será feito em parceria com a Alemanha deve
ser lançado em 2010.
No
Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB),
que ainda está em fase de projeto e é coordenado
pela AEB, o diretor do Inpe disse que irá trabalhar
para que a indústria nacional tenha uma participação
decisiva. O SGB terá três satélites
para navegação aérea e comunicação,
um projeto estimado em US$ 1 bilhão.
"Um
dos desafios é completar o ciclo de desenvolvimento
tecnológico dos satélites brasileiros. Precisamos
dominar as partes cruciais de sistemas inerciais e imageadores
de alta capacidade", disse. Em seu plano de trabalho
o diretor do Inpe afirma que em 2015 o Brasil deverá
ser capaz de produzir satélite com sensores de
alta resolução (câmeras imageadoras
de amplo campo de visada, com 30 metros de resolução
e 600 km de cobertura). Os satélites ficarão
abrigados numa plataforma multimissão, estrutura
comum que pode ser usada por vários satélites.
"Tudo
isso a um custo inferior a US$ 20 milhões. Isto
implica uma redução de 50% em relação
aos custos dos programas atuais". Atualmente, o CBERS-2
possui três câmeras para observação
da superfície da Terra, nas regiões do espectro
eletromagnético, correspondentes ao infra-vermelho
e ao visível.
A
câmera de amplo campo de visada do satélite
CBERS-2 produz imagens numa faixa com 890 km de largura
e resolução de 260 metros. A nova câmera
que o Brasil fará para o CBERS-3 nessa faixa terá
70 metros de resolução.