29 de Agosto, 2012 - 10:25 ( Brasília )

SOF

K-9: Um Amigo para a vida inteira


Sasha serviu ao Exército Nacional da Colômbia durante a maior parte de sua vida. Ela era considerada pelos colegas como mais um soldado, lutando nas frentes de combate contra os grupos terroristas do país. Desde o início de sua carreira militar foi treinada para encontrar explosivos e minas antipessoais, completando aproximadamente 3.000 missões, durante seis anos de serviço. Neste tempo, ela detectou mais de 100 minas antipessoais e salvou incontáveis vidas humanas.

Em setembro de 2010, a Operação Sodoma realizada pelo Exército colombiano levou à morte do cabeça das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Jorge Briceño Suárez, conhecido como “Mono Jojoy”. Durante a Operação Sodoma, Sacha encontrou oito minas antipessoais próximas ao abrigo do líder guerrilheiro. Mas quando a sua presença foi detectada, os terroristas lançaram uma granada em sua direção, e a explosão causou sua morte prematura que se tornou a única baixa da instituição durante a operação.

Sasha era um cão labrador preto de sete anos, treinada pelo Exército da Colômbia desde seu primeir ano de vida, e representava a metade de sua equipe – pois guias humanos fazem par com um cão nas operações tipo K-9 do Exército. Seu parceiro humano, que não revelou o nome durante a entrevista em homenagem ao labrador preto concedida ao programa Vamos Colombia, de uma emissora local de televisão, lembrou de Sasha como “uma cadela doce, brincalhona e muito esperta, inteiramente dedicada ao seu trabalho”.

O Departamento K-9 do Exército colombiano tem atualmente 3.500 cães em atividade, como Sasha, nos 13 centros de treinamento distribuídos pelas principais cidades do país. As unidades são subordinadas à Diretoria Militar de Engenheiros, responsável pelo treinamento e pela escolha das duplas que enfrentam os desafios impostos pelo inimigo, bem como pela natureza, desde 1997. Os cães são especificamente treinados em uma das cinco especialidades, que incluem detecção de minas e narcóticos, busca e salvamento, segurança de instalações e agilidade. Cada cão é designado a um parceiro humano pela vida toda, e juntos eles formam as equipes que só se dissolvem quando um dos membros morre. Muitos dos sargentos e soldados treinados para as diversas especialidades concordam que os cachorros são “como um irmão no patrulhamento, é mais um soldado”.

O treinamento é feito em cinco fases de adaptação operacional e de terreno, todas necessárias para que as equipes estejam totalmente preparadas para cada campo de especialização. Assim que os cães completam um ano de idade, os treinamentos são apresentados sob a forma de jogos. As fases são:
 

  • Associação de cheiros: consiste em impregnar os brinquedos do cão com cheiros diferentes, incluindo narcóticos e explosivos, ensinando assim os cães a reconhecer cheiros através da repetição e do reforço positivo.
  • Rastreamento restrito a coleira ou corrente: serve para acostumar o cão a obedecer apenas às ordens de seu dono através do uso dessas ferramentas.
  • Adaptação a situações extremas: familiariza os caninos com sons altos, texturas de diferentes tipos de terreno, além de diferentes ambientes e clima etc.
  • Registro de área sistematizado: os cães aprendem exatamente onde procurar, como realizar buscas, e o que procurar e encontrar.

Durante uma visita ao Centro de Treinamento e Retreinamento Canino da Escola de Engenharia do Exército colombiano (ESING, por sua sigla em espanhol), em Bogotá, Diálogo conversou com o militar responsável pelo programa de cães. O Primeiro-Sargento Rafael Viveros, diretor do programa de busca e salvamento, explicou que o uso de cães nesse tipo de tarefa não é apenas um procedimento lógico, mas também traz um grande benefício à força. “[Os cães] possuem 250 milhões de células olfativas, contra cinco milhões do mesmo tipo de células humanas. Além da agilidade e velocidade, os animais são muito importantes quando se trata de encontrar uma pessoa necessitando de ajuda”, disse o 1º Sgt. Viveros.
 

O Exército recruta ou compra os cães de canis de diversas raças, especialmente labradores ou golden retrievers, devido a sua agilidade, inteligência, facilidade de aprendizado, boa disposição e, em geral, em função dos resultados positivos que já demonstraram. Mas o Exército também trabalha com pastores alemães e belgas. Ao mesmo tempo, os membros do Exército buscam perfis específicos no momento de encontrar os parceiros humanos. São feitos testes psicológicos que escolhem os indivíduos mais ligados aos animais e a seus trabalhos.

A duração dos cursos para os cães e seus treinadores é variável. Por exemplo, os cursos para guias de busca e salvamento e detecção de explosivos duram 14 semanas cada. Esses cursos são realizados durante 48 horas de aulas semanais para o treinamento. As aulas incluem temas como técnicas de detecção de explosivos, primeiros socorros, técnicas de treinamento canino, explosivos, conservação e manutenção de canis e armamentos.

De acordo com dados do Exército Nacional da Colômbia e estatísticas do Programa Presidencial para Ação de Minas, 1.079 membros das Forças Armadas morreram entre 2000 e 2009, e 3.711 foram feridos, a maioria mutilados. “A participação das equipes de cão e soldado vem sendo muito eficiente para nosso Exército porque o percentual de baixas e pessoas feridas por explosivos – tanto entre nossos soldados quanto na população civil, teve uma grande redução”, disse o Capitão Eliécer Suárez, chefe do Departamento de Cães da ESING.

Durante a busca e salvamento de minas antipessoais no campo de operações, os cães são treinados para farejar uma determinada área até que consigam identificar o local exato onde foram enterradas as minas.

Tal como ocorre no curso de reconhecimento de narcóticos, eles sabem que quando cumprirem seu objetivo devem avisar ao treinador com um sinal passivo. Fazem isto simplesmente ao se sentarem perto do objetivo. “Um cão dificilmente comete um erro”, garante o 1º Sargento Viveros, sentado perto de Zeus, seu pastor alemão especializado em busca e salvamento.

FAC

A Força Aérea da Colômbia (FAC) tem o seu próprio Centro Militar de Treinamento Canino, que além de treinar e formar as equipes operacionais de cães, tem se dedicado também à criação de cães militares desde 2006. Atualmente, o Centro Militar de Treinamento Canino (CICAM, por sua sigla em espanhol) tem 158 cães de várias idades, principalmente pastores belgas.

A principal diferença entre os dois serviços é que as unidades caninas da FAC não estão expostas a “zonas quentes” no campo operacional, como aquelas preparadas pelo Exército do país. “Os filhotes permanecem com suas mães durante dois meses, e então são apresentados a diferentes processos de estimulação precoce”, disse o Capitão-Tenente Omar Reátiga Rincón, veterinário e instrutor responsável pelo programa de treinamento no CICAM.