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Forças
Especiais - Special Forces
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Defesanet
16 Maio 2005
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Exclusivo Defesa@Net
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Sequestro
Aéreo!
O GIGN francês em ação.
Fernando Diniz
Na noite
de 24 de Dezembro de 1994, quatro membros de um grupo terrorista
autodenominado Armed Islamic Group (AIG) conseguiram embarcar, disfarçados
de seguranças do aeroporto, em um Airbus da Air France, vôo
AF8968 que se preparava para decolar do aeroporto de Argel para
Paris. Aos gritos de "Allah u Akhbar !" eles empunharam
fuzis de assalto AK-47 e informaram que a aeronave estava sob seu
comando e todos os passageiros e tripulantes eram seus prisioneiros.
Começava assim uma das mais sangrentas operações
de resgate da historia.
O pessoal do GIGN, arrancado abruptamente de seus festejos de Natal,
reuniu-se no aeroporto de Neully, onde a Air France já havia
posto a disposição um Airbus idêntico ao seqüestrado,
para que pudessem obter o máximo de informações
para o planejamento de uma eventual operação de resgate.
Em seguida, decolaram com destino a Argel, embora ainda não
tivessem recebido autorização de pouso por parte das
autoridades argelinas.
Enquanto isto, os terroristas exigiam que as escadas externas fossem
retiradas do avião, e que recebessem permissão para
voarem para Marselha. Como as autoridades argelinas negassem a autorização,
o líder do grupo, Abdul Yahia ameaçou começar
a matar um refém a cada meia hora. Autoridades francesas
a nível ministerial mantinham contato permanente com seus
equivalentes argelinos, enquanto a força de elite do exército
argelino, os Ninjas, tomavam posição ao redor do avião.
Mergulhados em uma selvagem luta de três anos contra os fundamentalistas
islâmicos, os Ninja não estavam dispostos a permitir
nenhum tipo de negociação, e dispostos a invadir a
aeronave, a qualquer custo. Neste meio tempo, o avião com
o GIGN pousava em Palma de Mallorca, território espanhol,
pois não haviam recebido autorização de pouso
em Argel.
Para mostrar que não estava brincando, Yahia escolheu a bordo
dois passageiros ao acaso, um policial argelino e um diplomata vietnamita,
e levou-os para a frente do avião. Ouviram-se gritos por
misericórdia, seguidos de dois estampidos, e os corpos de
ambos rolaram pela escada dianteira até o chão da
plataforma.O aviso era claro: ou fazem o que queremos ou a matança
vai começar. Os árabes estavam dispostos a morrer,
e levar com eles todos os ocupantes do avião.
Depois de demoradas e acaloradas discussões entre os ministros
argelinos, pressionados pelos franceses, e o comandante dos Ninja,
as escadas foram finalmente retiradas e o vôo AF8968 decolou
com destino a Marselha, onde já o aguardava o GIGN, que havia
decolado de Palma de Mallorca logo que soube da autorização
dada ao AF8968, chegando a Marselha apenas dez minutos antes do
avião seqüestrado.
Comandado pelo Cap. Denis de Favier, os homens do GIGN já
estavam em posição, com snipers na torre de controle,
enquanto outro grupo de elite, os paraquedistas do EPGN camuflavam-se
ao longo da pista, observando de perto a aeronave que taxiava em
direção ao pátio de estacionamento. As negociações
agora estavam totalmente em mãos do GIGN. O comandante local
do GIGN, Alain Gehim, assumiu o contato direto com os seqüestradores,
a partir do sistema de comunicação da torre de controle.
A prioridade era conseguir ganhar tempo suficiente para que a força
de ataque, sob o comando de de Favier, conseguisse articular um
plano de invasão da aeronave e resgate dos passageiros. Sob
nenhuma circunstancia o avião deveria conseguir decolar outra
vez.
Agentes franceses na Argélia haviam recebido uma informação
do submundo local de que os homens da AIG pretendiam explodir o
avião nos céus de Paris, derrubando-no no meio da
cidade. Informações obtidas de passageiros liberados
corroboravam esta suspeita, pois afirmaram terem ouvido várias
vezes os terroristas referirem-se a "eterna luz de Allah",
que é a visão islâmica da morte pelo martírio.
Temendo que explosivos tivessem sido colocados dentro do avião,
o GIGN fazia seus planos com muito cuidado. Agora era o governo
francês que pressionava por um desfecho rápido, mas
de Favier insistia que precisava colocar microcâmeras e microfones
dentro da aeronave, para obter uma visão clara do local,
antes de invadir.
Os terroristas exigiam vinte e sete toneladas de combustível,
o que era cerca de três vezes o necessário para um
vôo a Paris, corroborando as suspeitas de pretendiam explodir
a aeronave sobre a cidade, causando um holocausto.
Negociando sem cessar, Gehim ofereceu comida e a limpeza dos toiletes
do avião, o que foi aceito pelos terroristas. Isto deu ao
GIGN a chance de, disfarçados de empregados da Air France,
colocarem os microfones e microcâmeras que precisavam dentro
do avião. Em troca, pediu a liberação de mais
alguns reféns. Logo após o meio-dia um casal idoso
desceu as escadas, deixando a bordo ainda cerca de 150 aterrorizados
passageiros, além da tripulação. Este casal
confirmou a presença de explosivos a bordo, além de
confirmar que os terroristas estavam pesadamente armados, cada um
com um AK-47 e vários carregadores de reserva. Tinham também
granadas de mão.
Rapidamente o GIGN chegou a um consenso de que deveriam atacar imediatamente.
Foram divididos em quatro grupos, que subiriam por escadas motorizadas
colocadas nas quatro portas da aeronave, enquanto uma ação
diversiva era feita na frente do avião para atrair os terroristas
para a cabine de comando.
As 1600hs tudo estava pronto. Os atacantes vestiam coletes a prova
de balas, capacetes de Kevlar com visor blindado, e portavam submetralhadoras
MP-5, pistolas Glock e revólveres.357Magnum de cano longo.
No momento em que começavam a mover-se, ouviram o ruído
das turbinas do avião acelerando, e lentamente a aeronave
começou a mover-se em direção à torre
de controle.
Rapidamente os homens do GIGN tiveram que alterar suas posições
para não serem vistos de bordo. A aeronave parou a poucos
metros da torre, e o cano de um AK-47 saiu por uma janela lateral,
vomitando uma torrente de balas de 7.62 contra os vidros.
Neste momento, um sniper do GIGN abriu fogo com um rifle calibre
.50 contra a cabine. Sua intenção não era tentar
atingir alguém, pois atirava alto, porém chamar a
atenção dos terroristas, pois o som das pesadas balas
calibre .50 batendo no teto da cabine era assustador. Enquanto isto,
o primeiro grupo de ataque subia em fila dupla a escada que levava
à porta da primeira classe. Um deles abriu por fora a porta,
e a primeira dupla, empunhando uma MP-5 e um Magnum irrompeu na
aeronave. E todo o inferno se desencadeou..
Encontraram uma dupla de terroristas de boca aberta, e enquanto
um deles recebia um tiro de Magnum na cabeça, uma barragem
de fogo de AK caiu como uma avalanche de aço sobre ambos.
O suboficial Thierry levantou sua MP-5 para tentar responder ao
fogo, porém foi instantaneamente atingido por sete balas
de 7.62. Três perfuraram seu braço direito, arrancando
três dedos da mão direita, que empunhava a submetralhadora,
e destruindo-a no processo.Outros projéteis atingiram seu
ombro e peito, esmagando-se contra a blindagem do colete. Outra
ricocheteou em seu capacete, jogando-o no chão, ao mesmo
tempo em que alguém gritava: "Granada!" e a explosão
derrubava vários de seus colegas, enchendo suas pernas de
estilhaços.
Eric, que havia abatido o primeiro terrorista, teve o Magnum arrancado
de sua mão por uma bala que atingiu o longo cano da arma.
Um instante depois, também ele estava caído, com sangue
correndo pelo rosto, pois seu capacete era a prova de balas de 9mm,
mas não de 7.62, e uma delas havia perfurado a blindagem
e atingido de raspão sua cabeça.
O fogo dos AK-47 não cessava. O suboficial Olivier entrou
na cabine para ser imediatamente atingido por vários impactos
em seu colete, sofrendo ferimentos na espinha e no quadril esquerdo.
Já eram seis os GIGN caídos, e sequer o primeiro grupo
tinha entrado inteiramente no avião. Os terroristas, altamente
treinados, trocavam seus carregadores com espantosa rapidez, mantendo
uma torrente ininterrupta de balas 7.62 através do corredor.
Outro atacante, ao levantar sua Glock para tentar responder ao fogo,
teve a arma atingida e destruída, levando com ela vários
de seus dedos.
A segunda turma chegava agora, encontrando seus companheiros abatidos,
e abria fogo contra a divisória da cabine de comando, de
onde vinha o fogo inimigo. Enquanto este grupo mantinha a pressão,
outros GIGN corriam para o fundo do avião, e abrindo as portas
de emergência, evacuavam todos os 159 passageiros e tripulantes,
que milagrosamente não haviam sido atingidos naquele inferno.
No momento em que viu sangue brotando do peito de um dos terroristas,
o navegador teve a chance de cair fora, e saltou por uma das janelas
abertas da cabine, caindo de uma altura de cinco metros, quebrando
uma perna. Porém a rápida intervenção
das ambulâncias que a esta altura já cercavam o avião
levou-o para lugar seguro e tratamento adequado. O piloto e o co-piloto
continuavam na cabine, escondidos em frente a seus assentos, enquanto
Yahia, embora ferido, continuava a disparar furiosamente. Outros
dois membros do GIGN já tinham sido atingidos.
O combate já durava dez minutos quando, seguindo ordens de
de Favier, os gendarmes começaram a atirar contra os pontos
específicos, atrás do anteparo, de onde vinham os
disparos inimigos. Em seguida, ouviram a voz do comandante pedindo
para cessarem fogo. Entrando na destroçada cabine, encontraram
três terroristas crivados de balas, com seus corpos cobrindo
os dois tripulantes, a cabine destroçada e pilhas de cartuchos
vazios de 7.62 pelo chão.
A ação do GIGN em Marselha mostrou ter sido a mais
dramática operação antiterrorista desde a operação
do SAS em Princess Gate. Diferente de outras operações,
como a de Djibouti e Princess Gate, os snipers tiveram papel extremamente
limitado nesta operação. Toda a luta foi um selvagem
corpo a corpo num local apertado e a queima-roupa.
Morreram os quatro terroristas e os dois passageiros executados
em Argel. Sete homens do GIGN foram feridos, apenas três com
certa gravidade.
Foi uma operação cirúrgica de extrema complexidade,
onde o GIGN dominou todo o grupo terrorista, com reféns entre
eles, dentro de um espaço extremamente restrito, sem causar
a morte de um único inocente, honrando as mais altas tradições
desta força de elite da gendarmeria francesa.
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