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SOF - Forças Especiais
Defesanet 19 Maio 2009

GATE – Forças Especiais da Polícia Militar Gaúcha

Reportagem, fotos e vídeo: Kaiser Konrad
Produção: César Torres
Edição Fotos: Ricardo Fan

Após assaltar uma agência bancária no centro de Porto Alegre, bandidos são surpreendidos por uma patrulha da Brigada Militar que passava pelo local. Eles retornam para a agência e tomam clientes como reféns. Policiais do Batalhão de Operações Especiais são imediatamente acionados e cercam a área. Um experiente negociador inicia o contato com os criminosos. Enquanto isso, a SWAT gaúcha se prepara para entrar em ação. Snipers são posicionados e a tropa de assalto inicia a preparação para a entrada e retomada, caso ela seja ordenada. A negociação não vai bem e a situação está tensa. Descompromissada com o sigilo da operação policial a imprensa faz a cobertura ao vivo do local. Uma repórter revela que o GATE está preparado para entrar. Dentro da agência a televisão está ligada. Os criminosos entram em pânico ao ver imagens da coluna tática sendo formada e decidem rapidamente que é hora de se entregar. A marginália teme os policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais. Seu emprego é sempre rápido, objetivo e, se necessário, letal.

   

Subordinado ao 1º Batalhão de Operações Especiais, o Grupo de Ações Táticas Especiais – GATE – é a tropa mais letal da Brigada Militar. É formado por um efetivo de valor pelotão que integra operadores e policiais de apoio. Suas especialidades são o assalto tático, ocorrências com explosivos, snipers, técnicas não letais e com uso de cão de assalto. Sediado em Porto Alegre, a tropa atua em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

O GATE foi criado oficialmente em 1990. Para ingressar nele, o policial militar tem que ser aprovado no Curso de Especialização em Ações Táticas. Com duração de 4 meses, o curso tem entre 40 e 60% de aprovação, formando até 30 operadores por ano. Ele é ministrado também para oficiais e praças de carreira das Forças Armadas e Polícias Estaduais.

Operador do GATE com inter-comunicador gutural
Formação da coluna tática

Ações Táticas

As principais missões da unidade são: ocorrências com reféns, criminoso armado em local confinado, suicidas, escolta de alto-risco, valores, obras de arte, presos de alta periculosidade, armas e munições. O grupo está habilitado a fazer a entrada e retomada em veículos de passeio, ônibus, residências, aviões, embarcações e trens. O GATE tem atuado constantemente na revista e contra motins em presídios, reintegrações de posse em áreas rurais e urbanas e em manifestações de movimentos sociais, quando existam informações sobre indivíduos armados.
Segundo seu comandante, Capitão Rodrigo Schoenfeldt, em 2008 o GATE foi acionado 118 vezes. 28 ocorrências foram com artefatos explosivos, destas, 19 eram reais. Para estas ocorrências, a grupo está equipado com traje contra-bomba, que pesa 36 kg, equipamentos especiais e raio-X portátil.

Coluna Tática

Preparação para a invasão

Equipamentos

O armamento individual de seus operadores são submetralhadoras HK MP5 9mm e pistolas Taurus do mesmo calibre. Para realizar o Tiro Policial de Precisão (precisão de 0 a 120 metros), seus snipers utilizam o fuzil HK PSG1 calibre 7,62X51 mm. O GATE está equipado ainda com fuzis SR-48, espingardas calibre 12, armamentos não letais, granadas de Luz e Som, aríetes, escudos, e óculos de visão noturna para vigilância. O grupo pretende se equipar com o fuzil de assalto israelense Tavor, que será produzido pela Taurus.

Operadores do GATE fazem a entrada e retomada

Futuro

Com a realização da Copa do Mundo em 2014, o Brasil deverá investir de forma pesada em segurança e, principalmente, em Forças Especiais policiais, de forma a estar apto a combater ações terroristas, sejam elas perpetradas por movimentos desestabilizadores internos ou por células de grupos terroristas transnacionais.

Em eventos internacionais, as ameaças de atentados à bomba, ataque ou seqüestro de autoridades, cidadãos ou delegações nacionais e estrangeiras são as principais fontes de preocupação dos serviços de Inteligência e dos órgãos de Segurança Pública. Antecipando-se a isso, o GATE pretende possuir até os jogos, pelo menos quatro grupos de operadores, e seguindo uma tendência internacional, a tropa pode se transformar numa companhia ou unidade independente.

Operadores do Grupo de Ações
Táticas Especiais

Avião sequestrado

Se uma aeronave civil for seqüestrada e estiver parada no pátio de manobra do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, provavelmente caberá ao GATE da Brigada Militar assumir a situação, pois o COT da Polícia Federal vai demorar pelo menos três horas para se deslocar de Brasília, isso quando seu efetivo não estiver sendo empregado em outra operação. Caso a aeronave seqüestrada seja militar, toda a operação ficará a cargo do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Canoas, e a retomada, se necessária, será realizada pelo seu Pelotão de Operações Especiais.

Operação Chavín de Huantar - Resgate em Lima

Uma das operações de resgate mais interessantes e duradouras aconteceu em 22 de abril de 1997, na residência do embaixador japonês em Lima, no Peru. O embaixador e mais 600 convidados de uma festa na residência foram seqüestrados por 14 terroristas marxistas do grupo Tupac Amaru, em 18 de dezembro de 1996. Duas semanas depois, os terroristas haviam libertado grande parte reféns, exceto 74. Depois disso o cerco arrastou-se por quatro meses. Durante essa longa espera, especialistas das unidades de retomada e resgate colocaram dispositivos de escuta e câmeras por todo o edifício, obtendo tanta informação que chegaram até a construir uma réplica da edificação para treinar a ação. Escavaram também um túnel de 220 metros por debaixo da residência para ser usado como ponto de entrada para uma equipe de assalto. Quando finalmente foi desencadeada a ação de resgate, as informações então coletadas sobre o interior do prédio fizeram o diferencial. Nos 41 segundos que durou a ação, todos os 14 terroristas foram mortos, havendo a perda de um refém e dois militares da equipe de retomada e resgate.
Mais detalhes http://www.defesanet.com.br/sof/chavin_huantar.htm

Defesanet agradece ao comandante do Batalhão de Operações Especiais, Tenente-Coronel PM Silanus Serenito de Oliveira Mello, e ao Capitão Santos Rocha (GATE) pelo apoio dado a realização desta reportagem.

DEFESA@NET

Leia também: PATRES – Patrulhas Especiais do Batalhão de Operações Especiais – Tropa de Elite da Polícia Militar Gaúcha:
http://www.defesanet.com.br/missao/gu/boe.htm

 
 
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