Defesa @ Net

Recomendamos a leitura dos artigos listado no box sobre a Bda Op Esp, ISPS Code e a PF.

 


Brigada de Operações Especiais

"QUALQUER MISSÃO,...
EM QUALQUER LUGAR,..."

SOF - Forças Especiais

Defesanet 25 Setembro 2005
Correio Braziliense 25 Setembro 2005

Autoridade contra o terror - I
Em três partes Parte I - Parte II - Parte III

Temor de atentados leva o Brasil a criar gabinete que centralizará
dados militares, policiais e de inteligência

Claudio Dantas
Da equipe do Correio

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem em sua mesa o projeto de lei que cria a primeira estrutura de combate ao terrorismo no Brasil. Batizado de Autoridade Contra Terrorismo, o órgão terá um gabinete responsável pelo gerenciamento de medidas antiterroristas, tropas especiais e um centro de processamento de dados que integrará informações provenientes das diferentes forças militares, policiais e de inteligência. Elaborada em pouco mais de um ano por um grupo de trabalho da Creden (Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional), a proposta se soma aos esforços do governo para o cumprimento das novas normas internacionais de combate ao terror, adotadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) logo depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Autoridades ligadas ao projeto disseram ao Correio que a idéia é avançar aos poucos para evitar atropelos administrativos numa área sensível e ainda pouco conhecida por autoridades, políticos e pela população brasileira. Por causa de restrições no orçamento, a implementação ocorrerá em fases. Um núcleo gestor deve iniciar a montagem de todo o aparato, que ficará nas mãos de um militar diretamente subordinado ao general Jorge Armando Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Soldados realizam exercícios na sede da Brigada de Operações Especiais do Exército, em Goiânia

Tendência

O GSI confirmou por meio de sua assessoria a necessidade de se “atuar preventivamente” face ao terror, seguindo assim uma “tendência mundial”. Mas acrescentou que o “estudo técnico produzido encontra-se no âmbito da Creden, não havendo conclusões definitivas a respeito”. Nesta semana, uma reunião entre representantes do GSI, da Casa Civil e ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e do Planejamento decidirá sobre o local, equipamentos e funcionários para a formação do núcleo gestor.

Até 2006, seriam necessárias apenas verbas destinadas à criação de novos cargos de DAS e uma infra-estrutura mínima. Já no ano seguinte haveria realocação de recursos da área militar em combinação com recursos secretos da Presidência.

A partir de 2007, se espera evoluir para uma estrutura com efetivo próprio. Essas “tropas contra o terror” seriam formadas por militares da Brigada de Operações Especiais (BOE) do Exército e contingentes a serem treinados em sua sede em Goiânia – revelou o general Marco Aurélio Vieira, comandante da BOE. O projeto prevê que a tomada de decisões pela autoridade contra terror responderá a níveis de alerta, numa escala de um a três. Se no primeiro nível inexiste risco de atentados, o terceiro se caracteriza pela iminência de ataque terrorista.

Nos últimos quatro anos, as autoridades brasileiras têm sofrido constante pressão por parte da comunidade internacional, especialmente de Washington, devido ao atraso na aplicação das recomendações contidas na resolução 1.373 de 28 de setembro de 2001. Decretada pelas potências sob impacto dos atentados nos EUA, o conjunto de regras inclui maior controle sobre operações financeiras, combate à lavagem de dinheiro para sufocar o financiamento ao terror, rígido monitoramento de fronteiras e a certificação de portos e aeroportos.

A maior parte dos portos brasileiros está adaptada às regras. Até julho, o governo federal havia investido R$ 150 milhões na instalação de bases marítimas da Polícia Federal e sistemas de alerta de segurança em navios. Mais R$ 50 milhões estão previstos para 2006. Os avanços são limitados pela burocracia e a falta de verbas, especialmente quando se trata de investir numa estrutura contra ameaça hipotética.

Conceito

Outro problema é o debate sobre a definição de terrorismo. No ano passado, críticos denunciaram a minuta da lei que definia como atividade terrorista práticas radicais dos movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O dilema não impediu que o Senado ratificasse, no fim de agosto, a Convenção Interamericana contra o Terrorismo — assinada pelo governo Fernando Henrique em 2002.

Relatórios do FMI, da ONU e do Departamento de Estado americano são unânimes quando afirmam que o Brasil limita o trabalho das autoridades fiscais e não exige dos bancos maior comprometimento contra a abertura de contas em nomes de laranjas. A rigidez do sigilo bancário é um entrave para a polícia e o Ministério Público no combate à lavagem de dinheiro.

“Ao evitar debater esse tema o Brasil fica mais vulnerável às novas políticas antiterror do que a um ataque”, alerta o especialista Salvador Raza, professor-adjunto do Centro de Estudos de Defesa Hemisférica, da Universidade Nacional de Defesa, em Washington — uma espécie de braço acadêmico do Pentágono. “O mundo avança no desenvolvimento de novas políticas geoestratégicas, que terão impacto econômico e social direto nos países em desenvolvimento.”

Investimento

O governo federal aplicou R$ 150 milhões em bases marítimas da Polícia Federal e sistemas de segurança em navios (Nota Defesa@Net - ver artigos sobre o ISPS Code)

Novidade na democracia

A criação de um comando central antiterror é novidade no Brasil, pelo menos em tempos de democracia. Durante os 21 anos do último regime militar (1964-1985), funcionou o Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Ele integrava dados da inteligência referentes aos movimentos rebeldes e atividades da oposição política. Também centralizava as ações policiais e de repressão. O objetivo era combater o chamado “inimigo interno”.

O controle e o gerenciamento eram feitos pelo Conselho de Segurança Nacional — ligado ao Estado-Maior das Forças Armadas —, que ocupava o topo de uma estrutura vertical e hierarquizada. Na base, estavam os agentes operacionais. A inteligência era feita por meio do Serviço Nacional de Informações (SNI), antecessor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Progressivamente, uma série de órgãos foi assimilada a esse sistema, que incorporava o espírito da doutrina da segurança nacional disseminada pela Escola Nacional de Guerra norte-americana e adaptada pela Escola Superior de Guerra (ESG) brasileira.

Risco nas fronteiras

Nos últimos 40 anos, a miscigenação nas fronteiras do Brasil com Bolívia, Paraguai e Uruguai se caracterizou pela carência de políticas de desenvolvimento econômico e social, criando condições ao surgimento do terrorismo. A opinião é do professor Salvador Raza, diretor do Departamento de Relações Internacionais das Faculdades de Campinas, em São Paulo. Na última semana, ele participou de uma conferência internacional sobre políticas de segurança. No evento, ocorrido em Garmisch (Alemanha), apresentou um estudo inédito sobre a percepção do terror na América Latina e suas mudanças desde a década de 60.

“O terrorismo dos anos 60 e 70 era conspiracional. Movimentos como o Tupamaros (Uruguai) e o MR8 (Brasil) buscavam a mudança dos regimes ditatoriais, que impunham um terrorismo de Estado”, avalia Raza, que também é professor-adjunto do Centro de Estudos sobre Segurança Hemisférica (Washington). Segundo o especialista, o mundo se depara agora com o “terrorismo estratégico, caracterizado por uma rede de associações onde emergem novos padrões ideológicos”.

Raza acredita “numa correlação entre as regiões que servem de berço ao terror e as tríplices fronteiras sul-americanas onde vivem brasiguaios (brasileiros+paraguaios), bolibrários (brasileiros+bolivianos) e urubrários (brasileiros+uruguaios)”. “Esses ambientes são marcados pela diluição étnica, cultural e de identidade nacional, normalmente associada a baixos índices de desenvolvimento e grande insatisfação. As pessoas vivem numa espécie de vácuo do Estado, criando uma espécie de caldo de cultura para o terror”, conclui.

A maioria dos especialistas percebe o terrorismo como fenômeno exógeno à região, quase como uma idéia plantada por agentes externos. Para seu estudo, Raza consultou 200 pessoas ao longo de um ano, entre empresários, estudantes, professores, políticos e ex-terroristas, que hoje estão no governo de vários países da região.

Para o professor de Campinas, o Brasil precisa debater o assunto e desenvolver políticas próprias, ou corre o risco de virar “vítima” das políticas antiterror das potências.

Defesa@Net

BRIGADA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - Bda Op Esp - QUALQUER MISSÃO,... EM QUALQUER LUGAR,.. - Artigo detalha a estrutura da Brigada. 09 Julho 2005
http://www.defesanet.com.br/eb/bda_op_esp.htm

Brigada de Operações Especiais - 2003
http://www.defesanet.com.br/noticia/bdaopesp/

BRASIL ASSINA DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS PARA PARTICIPAR DA INICIATIVA DE SEGURANÇA DE CONTAINERS
http://www.defesanet.com.br/marinha/ports.htm

Maioria dos portos brasileiros já está
adaptada às novas normas internacionais - 2004
http://www.defesanet.com.br/notas/ispssecom/

AMEAÇA ÀS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS - 2004
http://www.defesanet.com.br/notas/isps/

LANÇADO O SISTEMA NACIONAL DE NÚCLEOS ESPECIAIS DE POLÍCIA MARÍTIMA
http://www.defesanet.com.br/notas/isps_pf_1.htm
 
 
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