17 de Outubro, 2012 - 17:42 ( Brasília )

Segurança

Legitimar maconha não é a solução para a guerra antidrogas



Dr. Anthony D. Williams
Professor adjunto da Hodges University,
e membro de uma equipe conjunta do Departamento de Defesa.


Durante a Cúpula das Américas 2012, alguns líderes latino-americanos pediram uma revisão da política dos EUA sobre a guerra antidrogas. O Washington Post disse que alguns chefes de Estado do Hemisfério Ocidental defendiam a legalização da maconha, alegando que a droga traz apenas riscos moderados à saúde. O vice-presidente Joe Biden foi citado ao declarar: “A legalização implica mais problemas do que a não legalização”.

Quais são as consequências humanas da permissão para que os jovens deste hemisfério usem drogas legalmente? Durante uma entrevista, a Dra. Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional para o Vício em Drogas argumentou que as drogas significam um sério risco. Pesquisas científicas provaram que o uso de drogas aumenta os níveis de dopamina enviada ao cérebro em 2 a 10 por cento acima dos níveis associados aos prazeres normais da vida, tais como comer, ouvir música e praticar sexo.

O Instituto Nacional para o Vício em Drogas divulgou um relatório intitulado ‘A ciência do vício’, que declarava: “O efeito de uma recompensa tão poderosa aumenta muito a motivação das pessoas para usar drogas repetidamente”. Assim sendo, quando uma criança inocente usa uma dose ‘legal’ de maconha, há uma grande probabilidade de essa criança se tornar viciada. Essa pesquisa científica apoia o argumento do vice-presidente Biden relativo aos diversos problemas ligados à legalização da maconha.

Um estudo recente publicado nos Procedimentos da Academia Nacional de Ciências concluiu que a maconha tem efeito negativo na capacidade cognitiva dos jovens adultos. O estudo provou que adolescentes que começaram a fumar maconha aos 18 anos mostraram uma queda de 8 pontos nos níveis de QI aos 38 anos.

À primeira vista, esse número pode parecer insignificante; no entanto, a principal pesquisadora, Madeline Meier, disse: “uma redução do QI de 100 para 92 representa uma mudança da faixa de 50 por cento para a de 29 por cento”. Além disso, o Instituto Nacional para o Vício em Drogas diz que a intoxicação por maconha pode causar percepções distorcidas, falhas na coordenação, dificuldades de raciocínio e resolução de problemas, além de problemas de aprendizado e memória.

A maconha é legalizada na Holanda. Um relatório de 2010 divulgado pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos intitulado ‘SPEAKING OUT against Drug Legalization’ (FALANDO CLARAMENTE contra a legalização das drogas) citou o líder do mais famoso centro de reabilitação de dependentes de drogas da Holanda, que disse que o tipo mais forte de maconha que a maioria dos jovens fuma produz “um indivíduo cronicamente passivo, preguiçoso, que não quer tomar iniciativas, que não quer ser ativo, uma criança que prefere ficar na cama de manhã fumando um baseado ao invés de se levantar e fazer alguma coisa”.

A mensagem daqueles que apoiam a legalização argumenta que a maconha traz riscos moderados.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) precisa desenvolver uma abordagem sinérgica da educação do jovem deste hemisfério sobre os perigos do uso de drogas através do exercício da hegemonia compartilhada. Uma estratégia efetiva para o Hemisfério Ocidental deve ser voltada para o estabelecimento de uma estrutura para aumentar a cooperação na aliança e incutir uma mensagem unificada em seus cidadãos. Por exemplo, o segundo mandato, segurança do cidadão, que surgiu como resultado da Cúpula das Américas 2012, disse: “Concordamos em reforçar a cooperação e a coordenação como ferramentas fundamentais no combate à violência, corrupção e ao crime organizado transnacional em todas as suas formas”.

Educar o jovem quanto aos perigos do uso de drogas precisa ser o único pilar sobre o qual as nações devem direcionar seus esforços concentrados para enfrentar o aumento do uso de maconha. O Hemisfério Ocidental deve continuar a manter uma vantagem competitiva no mercado global, o que inspira e conduz os cidadãos à prosperidade.

A manutenção de uma vantagem competitiva global não pode ser alcançada se o jovem das Américas tiver permissão para consumir maconha abertamente e sem consequências. Combater esse problema requer laços de parceria. A Estratégia de Comando 2012 do Tenente-Brigadeiro-do-Ar Douglas Fraser diz: “As nações dessa região estão inextricavelmente ligadas e enfrentamos desafios comuns à nossa segurança e estabilidade. O sucesso para todos nós depende da criação de um ambiente no hemisfério que seja inclusivo e benéfico para todos”.

As economias mundiais se tornaram extremamente frágeis, complexas e cada vez mais competitivas, porque as nações lutam por sua sobrevivência. É imperativo que a OEA prepare seus jovens e sua atual força de trabalho para competir em escala global. Integrar uma cultura que permita o uso da maconha fere o segundo mandato da Cúpula das Américas 2012, segurança do cidadão.