29 de Agosto, 2012 - 09:56 ( Brasília )

Segurança

VANTs em segurança pública e defesa civil (Parte II)


Capitão Arlindo Bastos,
Polícia Militar da Bahia, Brasil


Pelo Mundo

Na Europa, dois países vêm se destacando no emprego dessas máquinas. Na Inglaterra, em 2010, a polícia de Merseyside, utilizou um VANT de asas rotativas, equipado com câmeras termais, para localizar um suspeito que tinha furtado um carro e, durante a fuga, aproveitou a forte neblina para se esconder. Sua detenção (um rapaz de 16 anos, na época), foi facilitada graças aos sensores embarcados que puderam “ver” através da neblina. Foi o primeiro caso de prisão no Reino Unido com a ajuda de uma aeronave não tripulada.

Os ingleses utilizam os seus VANTs para a repressão ao narcotráfico, no controle de distúrbios civis, além do monitoramento de missões onde seja preciso a discrição oferecida pela reduzida silhueta e baixa emissão de ruídos, proporcionada pelos motores elétricos. Policiais de Derbyshire, usando uma aeronave semelhante à usada por seus colegas de Merseyside, monitoraram uma série de protestos registrados na cidade de Condor. Atualmente, o Ministério da Justiça inglês vem estudando a aplicabilidade dos VANTs nas atividades dos bombeiros.

Entretanto, o principal usuário de VANTs no Velho Continente é a Policia Federal Alemã (Bundespolizei), com máquinas de asas rotativas, inclusive, a partir de barcos de patrulha, para apoiar as missões sob sua responsabilidade, sempre que as aeronaves tripuladas forem dispensáveis.

No outro lado do Atlântico, os norte-americanos já recorreram a inúmeros VANTs no mapeamento das regiões afetadas pelo furacão Katrina, o que significou a primeira aplicação dessas aeronaves em trabalhos de defesa civil no mundo. Também a Polícia do Texas vem utilizando um modelo de asas rotativas, que possui a capacidade de operar armamento menos letal, e os Departamentos de Policia de Ogden e de North Little Rock já estão recebendo as devidas autorizações para o uso dos não tripulados em suas missões.

Em Los Angeles estão sendo feitos estudos para o emprego dos VANTs em situações nas quais as aeronaves tripuladas possam ser dispensáveis, visando a economia de recursos. Outros lugares como Fairfax, na Virgínia, e o Distrito de Columbia já estão se acostumando com eles. Inclusive, até para reforçar a cobrança na agilidade dos legisladores que irão permitir a sua adoção em todo o território norte-americano, verifica-se a intensa movimentação de Bob McDonnel, governador da Virgínia, e fervoroso defensor dos VANTs nas atividades policiais. Por outro lado, a maior fabricante dessas aeronaves nos Estados Unidos espera que mais de dez mil corporações comprem seus produtos. No ano de 2011, a FAA concedeu 313 autorizações para diversas instituições públicas, privadas e de ensino e pesquisa diversas.

Panorama Nacional

Hoje, no Brasil, existem mais de vinte iniciativas, oficiais ou não, sobre as aplicabilidades dos VANTs, bem como o desenvolvimento de seus sensores (payload). São pesquisas voltadas para o uso militar, em segurança pública e civil. Assim, se destacam o IME, o Centro Tecnológico do Exército, a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea do Exército, a Universidade do Estado da Bahia, a Universidade de Santa Catarina, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Minas Gerais, a Universidade Federal da Bahia, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Amazonas, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), dentre outros. A seguir, um breve levantamento daquilo que já vem sendo materializado nesta área pelos organismos de segurança pública e defesa civil:

Pará

A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará, desde 2010, vem utilizando dois VANTs de asas rotativas com motor a combustão, tendo partes de sua fuselagem feitas com fibra de carbono. Possuindo uma câmera full HD em cores, uma viatura técnica com toda a infraestrutura que uma missão não tripulada requer, esses VANTs vêm sendo operados nos diversos rincões daquele grande Estado brasileiro, principalmente na chamada Operação Veraneio.

Os paraenses utilizam as máquinas para reduzir o tempo de resposta das forças policiais nas ocorrências onde não haja necessidade das aeronaves de asas rotativas ou fixas tripuladas. Além disso, o Pará tem fronteiras com a Guiana Francesa e o Suriname e, por isso, foram criados os Pelotões Policiais de Fronteira da Polícia Militar, que deverão cumprir suas missões com o apoio desses vetores não tripulados. (Continua…)

Leia também:


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