06 de Abril, 2011 - 08:30 ( Brasília )

Segurança

Tropas da lei nas fortalezas do crime

Casas de traficantes expulsos agora servem de bases para soldados em complexos de favelas

Desde 15 de dezembro do ano passado à frente da ocupação das favelas dos complexos do Alemão e da Penha, o Exército montou uma megaestrutura, utilizando, inclusive, duas antigas fortalezas do tráfico. Uma delas era o imóvel de três andares conhecido como Casa Amarela, de Fabiano Atanázio, o FB; a outra, a Casa Verde, de Paulo Rogério de Souza Paz , o Mica. Estrategicamente posicionadas no alto dos morros, elas funcionam como postos de militares do Exército e do Batalhão de Campanha da PM.

Os imóveis guardam vestígios da época do tráfico. Na Casa Verde, de onde se vê toda a Vila Cruzeiro, ainda existe o muro de contenção feito pelos bandidos, com 80 centímetros de espessura e seteiras, buracos por onde o criminoso pode atirar mantendo o corpo protegido. Do imóvel também é possível ver o viaduto da Penha, vantagem tática que os traficantes aproveitavam para acompanhar a aproximação da polícia.

De acordo com levantamento do Exército, há pelo menos quatro casas consideradas ex-fortalezas do tráfico, algumas delas com piscinas — numa delas, porém, a estrutura de fibra de vidro foi roubada, deixando apenas um buraco. Segundo o comandante da Força de Paz, Cesar Leme, o material já tinha sumido antes de o Exército assumir a ocupação, em dezembro, duas semanas depois da invasão do complexo.

— Quando o Exército ajudou, inicialmente, na ocupação, ficou só nos acessos aos complexos. Ao assumirmos o comando, já não existia mais o material da piscina — explicou o general.

Segundo o comandante da Força de Paz, a PM poderá, com a instalação das UPPs na região, usar a estrutura montada pelo Exército. As outras fortalezas pertenciam aos traficantes Marcos Antônio Silva Tavares, o Marquinhos Niterói, que a tomara do verdadeiro dono; e Alexander Mendes da Silva, o Polegar. A primeira foi devolvida ao proprietário, que havia sido expulso pelo tráfico, e a outra está desocupada e fechada.

Mas o coordenador das unidades pacificadoras, coronel Robson Rodrigues, disse que não pretende, inicialmente, usar as fortalezas do tráfico:
— Estamos pensando em usar os contêineres, como na UPP da Ladeira Tabajaras (Copacabana), em vez de usar as casas que pertenceram aos traficantes, mas isso vai depender do cenário que encontrarmos lá quando assumirmos — comentou Rodrigues.

Enquanto as dez UPPs não chegam ao Alemão e à Penha, o comandante da Força de Paz tenta se aproximar dos moradores:
— A nossa orientação é que o soldado estabeleça o contato com a comunidade. Às vezes, é necessário fazer revistas, mas hoje as pessoas liberam a nossa entrada nas casas, sem precisar de mandado de busca e apreensão. Os moradores sabem que estamos ali como braço forte, mas com o objetivo de protegê-los — afirmou o general Leme, que também comanda a 9a- Brigada de Infantaria Motorizada.