08 de Janeiro, 2014 - 10:28 ( Brasília )

Segurança

Violência no Maranhão ocorre em meio a disputa política


Luis Kawaguti

A crise na segurança do Maranhão ocorre em meio a uma série de disputas e trocas de acusações envolvendo o governo, órgãos da Justiça, agentes penitenciários e ativistas.

Em seu relatório, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) denunciou a prática, no interior do presídio de Pedrinhas, de estupros contra mulheres familiares de presos sem cargos de comando dentro das facções. Os detentos se aproveitariam da falta de grades das celas para circular livremente no complexo e praticar os abusos.

O governo Roseana Sarney (PMDB) divulgou uma nota afirmando que não há provas desses supostos abusos.

Ativistas de direitos humanos ouvidos pela BBC Brasil afirmaram que, embora denúncias sobre estupros tivessem chegado às autoridades, nenhuma vítima teria sido identificada formalmente.

Outra polêmica relacionada ao caso diz respeito a um vídeo brutal supostamente enviado por agentes penitenciários maranhenses ao CNJ (a origem da gravação ainda é investigada) que retrata um preso à beira da morte com uma perna completamente esfolada – com osso e músculos à mostra.

Segundo o governo, o vídeo é falso e já teria sido divulgado há dois anos em páginas de internet americanas – contrariando a hipótese de que teria sido gravado em Pedrinhas. Ativistas ouvidos pela reportagem afirmaram que o homem que aparece agonizando no vídeo não foi identificado até agora como detento do complexo.

Decapitação

Contudo, pelo menos um outro vídeo, aparentemente autêntico, gravado por detentos e divulgado por órgãos de imprensa brasileiros mostra corpos de presos decapitados e com diversos ferimentos causados por perfurações.

Partidários do governo alegam que os agentes penitenciários que supostamente obtiveram os vídeos são ligados a um grupo político rival do governo – informação negada pelo Sindspem.

Em entrevista ao jornal O Estado do Maranhão, da família Sarney, a governadora Roseana atribuiu no último domingo parte da culpa da violência à Justiça e aos agentes penitenciários.

O CNJ não se manifestou até a noite de terça-feira sobre as declarações do governo maranhense.