06 de Junho, 2011 - 10:45 ( Brasília )

Segurança

Ônibus que levava índios é incendiado em MS

Coquetel molotov foi jogado no veículo, que tinha 35 estudantes. Quatro estão em estado grave

Paulo Yafusso

CAMPO GRANDE. Um ônibus que transportava cerca de 35 estudantes índios foi atingido por um coquetel molotov na noite de sexta-feira, dentro da aldeia dos índios terena em Miranda, em Mato Grosso do Sul. Muitos índios ficaram queimados e quatro estão internados em estado grave nesta capital. A Polícia Civil ainda não tem pistas dos autores do atentado.

O veículo estava dentro da aldeia Babaçu, a 15 quilômetros do Centro da cidade, quando foi atingido. O material atingiu o para-brisa e o fogo logo se alastrou.

- Escutei um barulho e depois vi o fogo se esparramando dentro do ônibus e chegando às pessoas. Todo mundo saiu correndo, quebrando o vidro com chutes para sair. E depois jogaram terra e areia para apagar o fogo e o ônibus não explodir - afirmou o indígena Edivaldo Francisco Martins, de 29 anos.

Ele e a esposa estavam nas poltronas que ficam no meio do ônibus e tiveram queimaduras apenas em algumas partes do corpo. A mulher continua internada porque, além das queimaduras, bateu a cabeça. Edivaldo contou que uma das colegas, que sofreu ferimentos graves, disse que viu uma pessoa agachada no meio do mato, à beira da estrada, portando um objeto com fogo. Logo em seguida, ouviu a explosão e o ônibus pegando fogo. A índia não soube dizer se era um homem branco ou um índio.

Chefe do escritório da Funai diz que ainda não há pistas
O chefe do escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Miranda, Evair Borges, disse que ainda não há pistas sobre o motivo do crime. O atentado foi o tema de uma reunião ontem com todos os líderes de aldeias da região.

- É cedo para dizer alguma coisa, estamos analisando para entender o que ocorreu. Não dá para dizer ainda se foi conflito interno, entre os índios, ou se foi coisa de fazendeiro - afirmou.

Ele disse que já pediu o apoio dos indígenas e da polícia para descobrir quem foi o autor do atentado. Borges descartou que a pessoa que jogou o coquetel molotov tenha atirando também pedras no ônibus. As pedras recolhidas pela perícia dentro do veículo, explica ele, foram usadas para quebrar os vidros para os alunos saírem.

Para a Santa Casa de Campo Grande foram levados os feridos em estado grave: três índios e o motorista do veículo, Laércio Xavier Correia, de 27 anos. Ele teve todo o corpo queimado. A índia Ludivone Pires, de 28 anos, que estava sentada atrás do motorista, também teve queimaduras graves.

A região de Miranda concentra boa parte da população de índios terena do estado, e com frequência há registro de conflitos agrários. Há mais de dois meses, um grupo ocupa a Fazenda Charqueada. No ano passado, eles invadiram algumas propriedades, entre elas a Fazenda Petrópolis, que pertence à família do ex-governador Pedro Pedrossian. Na época, houve um princípio de confronto entre índios e polícia.