26 de Abril, 2013 - 14:00 ( Brasília )

Segurança

Bravo D. Odete -Tiros certeiros aos 88 anos

O caso da caxiense Sra Odete Prá, 88 anos, é singular. Tratada com desrespeito e até de forma agressiva tanto pela Polícia Civil como pela imprensa do Rio Grande do Sul a Dona Odete deu provas de altivez e honradez

 

DefesaNet Agência de Notícias
Informações Zero Hora

 
O caso da caxiense Sra Odete Prá, 88 anos, é singular. Tratada com desrespeito e até de forma agressiva  tanto pela  Polícia Civil como pela imprensa do Rio Grande do Sul a Dona Odete deu provas de altivez e honradez.
 
O início do caso

 A Senhora Odete Hoffmann Prá, 88 anos,  confessou ter matado um arrombador que invadiu o apartamento dela, no Centro de Caxias, por volta das 17h do dia 9 de julho de 2012, um sábado. Ela usou um revólver calibre 32 para dar três tiros no homem, que morreu enquanto era socorrido. No mesmo dia, à noite, D. Odete prestou depoimento no plantão da 2ª Delegacia de Pronto-atendimento (2ª DPPA). No início, o caso foi tratado como legítima defesa.

Ao ter o holofote da imprensa a Polícia do Estado do Rio Grande do Sul deu uma guinada no caso. Não é de conhecimento se o própriaCúpula da Polícia Civil e do Governo do Estado interviram, mas o caso começa a ter proporções surreais.

Na segunda-feira, dia 11 de junho de 2012, a Sra Odete Hoffmann Prá foi indiciada por homicídio e posse ilegal de armas. A tese de legítima defesa não foi analisada pela polícia, que indiciou a idosa como autora de um homicídio, “já que houve crime”. O arrombador morto foi identificado como Márcio Nadal Machado, 33 anos. Ele estava em liberdade provisória e era suspeito de furtos na área central de Caxias do Sul.


Por vários problemas logísticos da própria Polícia o teste de  traços de pólvora só foi realizado  em outubro de 2012, por peritos do Instituto Geral de Perícia (IGP), que não encontraram indícios de pólvora na mão de D. Odete.  
 
Ou seja três meses após o evento, o IGP não encontra traços de pólvora nas mãos da senhora. Este fato do lapso de tempo, entre o evento e o teste,  a Imprensa omite posteriormente de forma sistemática.

Outra linha de investigação passou a analisar a presença de outra pessoa na residência no momento da morte. No mesmo dia da divulgação do resultado negativo do laudo que detecta a presença de pólvora na mão de quem dispara arma de fogo, a idosa reafirmou ser autora da morte do assaltante.

Em novembro do mesmo ano, um exame feito na arma usada para matar Márcio Nadal Machado não concluiu se foi realmente a idosa quem disparou contra o bandido. A perícia foi realizada para determinar a pressão necessária que deve ser empregada no gatilho para que a arma seja acionada. A arma estaria guardada há mais de 30 anos em um armário no quarto da aposentada. A polícia queria saber se a mulher teria força suficiente para conseguir fazer os disparos.

Em janeiro deste ano, o delegado do 2º Distrito Policial Joigler Paduano, responsável pela investigação, pediu uma reconstituição do caso. Segundo ele, era preciso sanar algumas dúvidas que surgiram durante o inquérito. A reconstituição foi marcada para o dia 18 de fevereiro, mas não aconteceu. Foi acontecer no dia 22 de Abril de 2013.
 
Mesmo com as mãos trêmulas pela idade avançada, D. Odete Prá, 88 anos, não hesitou em atender a um pedido da Polícia Civil e testar a força. Em um estande de tiros no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul, RS,  a idosa efetuou dois disparos com a mesma arma que afirma ter usado para se defender de um assaltante que invadiu o apartamento onde mora, no dia 9 de junho de 2012.

Durante a reconstituição, na tarde de segunda-feira (22ABR13),  que durou cerca de uma hora, dona Odete reafirmou ter matado Márcio Nadal Machado, o Cachorrão, 33 anos, e recontou os mesmos passos já repetidos à polícia e à imprensa.

Porém o delegado do caso não se dá por rendido.

– Preliminarmente, não restam dúvidas de que ela (Odete) tenha real mente atirado no ladrão. Não trabalhamos com a hipótese de haver uma terceira pessoa no local. Entretanto, temos uma dúvida ainda não sanada e que é essencial para a conclusão do inquérito. Sem diluí-la, não tenho condições de remeter o caso ao MP (Ministério Público) – afirmou o delegado responsável pelas investigações, Joigler Paduano, sem informar qual a dúvida que ainda permanece sobre o caso.

Logo após deixar o estande de tiros acompanhada da filha, D. Odete comentou sobre a reconstituição do assalto que foi vítima:

– Foi triste relembrar o fato no meu apartamento, porque nunca tinha matado ninguém e não sabia o que fazer naquela hora.

Segundo o delegado, os disparos ontem foram em linha reta, mas, como os alvos já haviam sido utilizados, ele acredita que as balas acertaram a parede. De qualquer forma, ressaltou o delegado, o objetivo era medir a força da idosa.

Pressionado pela imprensa e a cúpula policial, lembrar que o governador do Estado do Rio Grande do Sul é o ex-Ministro da Justiça Sr Tarso Genro, um propagador das campanhas de  desarmamento, o delegado proclama:”apesar dos disparos, novos depoimentos serão tomados”.

Três peritos do Departamento de Criminalística, especializados em reconstituições, devem emitir um laudo. A equipe chegou na manhã de ontem a Caxias e tomou conhecimento do inquérito policial.

O trabalho deles no local do crime se baseou em ouvir mais uma vez a idosa. Depois, junto com o delegado, foi realizada uma seleção de informações para então montar possíveis cenas do crime.

O tempo para a emissão do parecer técnico depende da necessidade de outros testes que possam ter se mostrado importantes no apartamento. A demanda do órgão estadual, que atende a todo Estado, é outro ponto que interfere no prazo de entrega. Além dos peritos, participaram da reconstituição outros quatro agentes do setor de homicídios da Polícia Civil caxiense. Conforme Joigler, novos depoimentos da idosa e familiares serão marcados na tentativa de sanar as dúvidas remanescentes do assalto e da morte do bandido.

A cidade de Caxias do Sul é uma das mais violentas do estado e a Polícia Civil investe tempo e recursos em tentar desacreditar  a D. Odete. Como uma Senhora, de 88 anos, e a ousadia de defender-se?

Centenas de processos são acumulados para dar especial atenção ao caso da Dona Odete. Passou a ser considerada “Inimiga Pública nº1”. Motivo ousou defender-se, preservar a sua integridade, e com sucesso.    

Lembrar que após a sua "via crucis" na Polícia Civil, certamente terá novas etapas no Ministério Público, que eleverá em vários níveis a periculosidade de Dona Odete.

Realmente, são novos tempos.