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Parte
I
Ases e heróis da Primeira Guerra
Além
de novas armas bélicas, a Primeira Guerra Mundial
também revelou os primeiros pilotos de combate e
os estrategistas e projetistas da aviação
COSME
DEGENAR DRUMOND (*)
A Primeira Guerra Mundial inaugurou o ciclo das grandes
tragédias que abalaram o século XX. Nos cinco
anos que durou (1914-1918), batalhas foram travadas na França,
Bélgica, Itália, Bálcãs, Cáucaso,
Egito, Palestina, Mesopotâmia (Iraque) e África.
Navios de superfície e submarinos combateram no Pacífico,
Atlântico, Mediterrâneo, Báltico, no
Mar Negro e no Mar Norte. Cerca de oito milhões de
pessoas foram mortas na guerra e 21 milhões, feridas.
Cidadãos do mundo inteiro reforçaram os exércitos
aliados. Para complementar suas forças de combate,
Inglaterra e França recrutaram cidadãos em
suas respectivas colônias. Os ingleses mobilizaram
um milhão e seiscentos mil indianos, 630 mil canadenses,
412 mil australianos, 136 mil sul-africanos, 130 mil neozelandeses,
50 mil africanos e centenas de milhares de trabalhadores
chineses. Os franceses recrutaram 600 mil africanos e 200
mil trabalhadores. A mobilização causou forte
impacto na economia dos dois países europeus.
Em todos os teatros, o poder aéreo firmou-se como
fator de incremento para o sucesso dos combatentes em terra,
nos dois lados em luta. Além do avião de combate,
a guerra revelou o submarino, o carro de combate e a metralhadora.
No pós-guerra, o mapa do mundo, em especial a Europa,
foi retalhado. Monarquias autoritárias desabaram
em histórico revés e o nacionalismo terceiro-mundista
emergiu, encorajado pelas primeiras nações
criadas na então União Soviética.
No início da guerra o avião foi usado, sobretudo
para orientar os tiros da artilharia. Cumpriu também
missões de reconhecimento, tomada de fotografias,
identificação de alvos, controle e destruição
e vôos de ligação. Antes, já
tinha sido empregado pelos italianos no norte da África,
para bombardear alvos turcos, na guerra que envolveu os
dois países (1911-1912), conflito durante o qual
foi realizada a primeira operação de propaganda
aérea: lançamento de panfletos conclamando
a população turca a se rebelar contra seus
próprios militares.
O marechal francês Ferdinand Foch acreditava que o
avião seria um excelente meio de transporte, mas
uma máquina inútil para os exércitos.
Estava equivocado. Os aviões e suas tripulações
foram considerados partes integrantes do conflito. A partir
daí, pilotos e observadores aéreos receberam
instruções para usar suas armas portáveis
na tentativa de abater o inimigo no ar. Em 5 de outubro
de 1914, dois aviadores franceses abateram a tiros de carabina,
nos céus da França, um avião alemão.
Começava a fase dos aviões de perseguição
(depois, aviões de caça).
Durante a guerra, surgiram os ases da aviação,
pilotos que se destacaram em técnica e coragem nos
duelos aéreos. A maioria eram jovens recém-saídos
da adolescência. Muitos morreram na guerra, quando
mal haviam completado 20 anos de idade. Inicialmente usado
como peça de propaganda para motivar os combatentes
aliados em terra, para ser considerado ás da aviação
o piloto tinha que abater no mínimo cinco aviões,
balões ou dirigíveis inimigos.
Muitos ases tornaram-se mitos durante a guerra. O mais conhecido
foi o alemão Manfred Albrecht von Richthofen, o legendário
Barão Vermelho. A maior parte desses pilotos tinha
pouca instrução tática. Além
do adversário humano, enfrentavam também um
inimigo implacável e invisível: o frio. Muitos
morreram congelados. As cabines eram abertas e nada eficientes
contra as baixas temperaturas.
Os ases da aviação eram admirados pelas tropas
terrestres Acordavam sem saber se estariam vivos no fim
do dia. Com isso, se sentiam acima da disciplina e gozavam
a vida da melhor forma possível. Os comandantes não
tinham interesse nem coragem para puni-los.
Os pilotos de caça usavam as táticas e estratégias
de acordo com o inusitado do combate. Os alemães
conquistaram inúmeras vitórias. Mas, ingleses,
americanos, franceses e tantos outros não ficaram
atrás. Alguns levaram anos para serem reconhecidos
como heróis.
O Brasil também participou daquela guerra. Um grupo
de pilotos da Marinha, integrados a um esquadrão
inglês, atuou em missões de patrulha no Canal
da Mancha. Não participaram de combates aéreos,
mas bravamente contribuíram para a vitória
dos aliados. Um deles, inclusive, o tenente Eugênio
Possolo, faleceu quando participava de treinamento de grupo,
integrando uma esquadrilha do Royal Flying Corps; seu Sopwith
Camel chocou-se com o de um tenente inglês.
Eis os ases da aviação revelados pela Primeira
Guerra Mundial:
ALBERT
BALL (1896-1917). Britânico. Diferentemente do
francês e do alemão, os ases ingleses não
foram usados como peça de propaganda e só
foram reconhecidos como heróis muitos anos depois
de terminada a guerra. Ball foi exceção, a
exemplo de seu compatriota William Leefe-Robinson. Declarado
herói nacional no decorrer das batalhas, obteve 44
vitórias. Costumava voar solitário. Sua estratégia
era atacar e evadir-se rapidamente. Não exerceu influência
nas unidades de táticas inglesas, já que combatia
a seu modo. Pilotava um Nieuport francês, cujos sistemas
de controle ele próprio modificara, adotando inclusive
nova posição para a metralhadora, de modo
a que pudesse atacar o inimigo por baixo, tática
difícil e perigosa. Morreu em combate, em 7 de maio
de 1917. Por sua atuação na guerra recebeu
as medalhas Distinguished Service Order, Military Cross
e Victoria Cross, esta última depois que morreu.
FRANCESCO
BARACCA (1888-1918). Italiano, abateu 34 aviões.
Aclamado herói, pintou um cavalo no seu avião,
imagem que chamou a atenção de Enzo Ferrari,
fabricante de carros, que reproduziu a pintura nas máquinas
de corrida. Atingido e morto em 19 de julho de 1918, quando
cumpria missão de ataque ao solo, Baracca era comandante
de esquadrão.
WILLIAM
GEORGE BARKER (1894-1930). Canadense, conquistou um
recorde na frente italiana, ao abater 50 aparelhos, entre
aviões e balões de observação.
É o mais condecorado piloto de guerra canadense.
Durante o confronto aéreo que lhe rendeu a Victoria
Cross, seu avião, um Sopwith Snipe, foi simultaneamente
atacado por quinze aeronaves Fokker D VII alemães,
que o atingiram três vezes. Avariado, o Sopwith girou
180 graus e desceu contra o solo, deixando no ar um rastro
de fumaça. Barker dominou o avião já
próximo do solo e conseguiu arrastar a aeronave pelo
chão. Escapou da morte, porém gravemente ferido.
ANDREW
FREDERICK WEATHERBY BRAUCHAMP-PROCTOR (1894-1921). Sul-africano,
era modesto, tranqüilo e amigável, qualidades
nem sempre presentes nos pilotos de caça de então.
Em 1917, ingressou no esquadrão comandado por Sholto
Douglas, outro notável piloto sul-africano. Excelente
atirador, antes de conquistar a primeira vitória
sofreu três quedas de avião. A partir de dezembro
de 1917, mudou radicalmente seu comportamento e se tornou
agressivo em combate. Atacava o inimigo sem nem se preocupar
com os riscos de suas próprias manobras. Conquistou
a quinta vitória em março de 1918. Em 9 de
agosto, destruiu nove balões num único dia.
Quase ao final da guerra, cumpriu missões de ataque
ao solo e fez vôos de reconhecimento. Ferido em combate
em 8 de outubro de 1918, após confronto com oito
aeronaves, foi mandado para casa. Saiu da guerra com um
total de 54 vitórias.
WILLIAM
AVERY BISHOP (1884-1956). Canadense, teve a seu crédito
72 conquistas. Depois de Mick Mannock, foi o aviador de
maior escore entre os pilotos canadenses do Royal Flying
Corps. Quando entrou na guerra, era um piloto fraco que
vivia sofrendo constantes acidentes, sobretudo durante o
pouso. Chegou a ser cogitado para treinamento intensivo
na Inglaterra. Mas abateu seu primeiro avião inimigo.
A partir daí, conquistou uma vitória atrás
da outra e se tornou notável na guerra. Em outubro
de 1917, pediu licença para se casar. Como Albert
Ball, a quem venerava, voava isolado. Recebeu a Victoria
Cross por ter invadido com invulgar coragem o aeródromo
de Estmourmel, em 2 de junho de 1917, e feito um estrago
enorme no inimigo, depois de burlar a defesa antiaérea.
Após a guerra, dúvidas surgiram sobre a autenticidade
desse ataque e ele chegou a ser inquirido pelo Senado Canadense.
Terminou a guerra como comandante de esquadrão. A
fim de preservá-lo, tiraram-no do combate em junho
de 1918. Embora não concordasse com essa decisão,
ele assimilou a ordem. Em 1918, publicou relatório
de sua atuação na guerra (Winged Warfare).
OSWALD
BOELCKE (1891-1916). Alemão. Considerado por
muitos como um dos pais do combate aéreo, ao lado
de Immelmann foi um dos principais ases da Alemanha, com
40 vitórias. Era hábil e campeão de
tiro. Foi um dos primeiros estudiosos de táticas
aéreas. Concebeu manobras operacionais com base na
formação em vôo. Corajoso e humilde,
morreu na colisão de seu avião com outro aparelho
alemão, em 28 de outubro de 1916. Sua morte foi muito
sentida na Alemanha.
(ARTHUR)
ROY (AL) BROWN (1893-1944). Canadense, ganhou fama não
por suas 11 vitórias na guerra, mas por ter abatido
nada mais, nada menos do que o maior mito da aviação
militar alemã, Manfred von Richthofen, o Barão
Vermelho. Mas, ainda hoje se discute se realmente ele abateu
o avião de Richthofen ou se este sucumbiu à
feroz artilharia australiana.
GODWIN
BRUMOWSKI (1889-1936). Austro-húngaro, em 1916
transferiu-se da artilharia para a aviação
austro-húngara. Antes de se tornar piloto, foi observador
aéreo. Em dois meses, ganhou a condição
de ás. Comandante de esquadrão inspirou-se
em Richthofen para pintar sua aeronave de vermelho. Em 1918
recebeu o comando das forças aéreas austro-húngaras
que combateram na ofensiva de Isonzo. Foi o principal ás
austro-húngaro, com 35 vitórias.
RAYMOND
COLLISHAW (1893-1976). Canadense, colecionou 60 vitórias
pelo Royal Naval Air Service. É o segundo maior ás
canadense. Com o fim da guerra, permaneceu ligado à
Royal Air Force e atuou também na Segunda Guerra
Mundial (1939-1945), como comandante de unidades operacionais.
Aposentou-se como oficial-general.
WILLY
OMER FRANÇOIS JEAN COPPENS (1892-1986). Belga,
passou a ser caçador em junho de 1917, especializando-se
em abater balões de observação. Apenas
dois, de um total de 37 alvos que derrubou, eram aviões.
Porém, isso não desmerece sua atuação,
ao contrário. Os balões eram essenciais para
a eficiência da artilharia e, por isso, protegidos
pelo fogo cerrado da antiaérea. Derrubá-los
era missão de alto risco. Coppens costumava dizer
que "estar sob o fogo da antiaérea era ruim
para os nervos". No final, acabou atingido pela antiaérea
em 14 de outubro de 1918, quando tentava derrubar seu segundo
balão no dia. Conseguiu pousar em emergência,
mas teve a perna esquerda esmagada ao capotar com o avião.
Saiu da guerra mutilado.
(PAUL)
RENÉ FONCK (1894-1953). Francês, começou
a pilotar em 1912. No início da guerra, fez vôos
de observação e reconhecimento pela Força
Aérea Francesa. Em seguida, optou pela caça.
Abateu a primeira aeronave em 6 de agosto de 1916. Parecia
mais um fiscal da aviação do que propriamente
piloto de caça. Era cuidadoso com sua aeronave e
cruel com o inimigo. Tinha grande habilidade com a metralhadora
e uma pontaria incrível. Em 9 de maio de 1918, derrubou
seis aviões alemães num único dogfight,
disparando durante o confronto apenas 56 projéteis.
Terminou a guerra com o maior escore entre os ases franceses
e o único, dos que combateram na frente ocidental,
a sobreviver à guerra. Conquistou 65 vitórias,
mas ele próprio contestou tal número: dizia
ter abatido 127 aviões. Sofreu um revés na
carreira, na Segunda Guerra Mundial, manchado com a estigma
de haver colaborado com os alemães. Morreu na obscuridade.
FLETCHER
PHILIP FULLARD (1897-1984). Britânico, foi capaz
de derrubar 45 aviões inimigos em cinco meses, voando
Nieuport a serviço do 1º Esquadrão do
Royal Flying Corps. Gostava de futebol, o que acabou com
a sua carreira de aviador, pois quebrou a perna numa certa
partida (antes da guerra, jogava no meio-de-campo pelo Norwich
City). O osso da perna foi deslocado, não o deixando
retornar ao vôo nem ao futebol. Retirou-se na função
de Air Commodore.
HERMANN
WILHELM GÖRING (1893-1946). Alemão, não
imaginava que pudesse ser combatente de guerra, muito menos
um ás. As 22 vitórias que obteve em combate
aéreo comprovaram que, por detrás de sua figura
bonachona e divertida havia um carrasco, um assassino de
sangue-frio. No pós-guerra entrou para a política.
Integrou a cúpula nazista, como comandante-em-chefe
da Luftwaffe e ministro da aviação alemã.
Ardiloso, usava dos mais violentos subterfúgios para
concretizar seus interesses pessoais. Na Segunda Guerra
cometeu barbaridades. Foi julgado e condenado à morte
pelo tribunal de Nuremberg. Evitou a morte na forca suicidando-se
por envenenamento na noite de 16 de outubro de 1946.
GEORGES
GUYNEMER (1894-1917). Francês, é o mais
famoso às da França. Membro da elite do Esquadrão
Storks (Les Cicognes), era um caçador nato. Conquistou
44 vitórias até 11 de setembro de 1917, quando
morreu em combate. Disciplinado, tinha o temperamento frágil.
Habilidade e técnica lhe sobravam, influenciando
assim muitos aviadores do seu esquadrão.
GEORGE
LANOE HAWKER (1890-1916). Britânico, foi o primeiro
ás do Royal Flying Corps, com nove vitórias
e o primeiro piloto aliado a receber a Victoria Cross. Faleceu
em 23 de novembro de 1916, abatido pelo matador alemão,
"Barão Vermelho".
MAX
IMMELMANNM (1883-1916). Alemão, outro mito da
propaganda alemã. Era chamado de "A Águia
de Lille", por suas atuações na França.
Criou o chamado "giro Immelmann" (rápida
ascensão em meio looping, seguido de rotação
horizontal e mergulho para confundir o perseguidor que estivesse
na sua cauda), manobra que se tornou padrão no combate
aéreo. Obteve 17 vitórias antes de ser fuzilado
em vôo pelo piloto britânico George McCubbin,
em 18 de junho de 1916. A Alemanha relutou em divulgar sua
morte e inventou que sua aeronave sofrera problemas técnicos.
De qualquer modo, sua morte foi um soco no moral alemão.
Temendo que Oswald Boelcke, outro ás alemão
idolatrado, pudesse morrer na guerra, o Kaiser mandou que
este se afastasse do combate por um mês, temendo o
impacto de um novo golpe na tropa em curto período.
Porém, a decisão do Kaiser só veio
a retardar a morte de Boelcke na guerra.
DAVID
SINTON INGALLS (1899-1985). Norte-americano. Único
às da Marinha dos EUA, com seis vitórias.
Em 1917, tornou-se o 85º piloto naval norte-americano.
Enviado a França para atuar em patrulha costeira,
achou a função calma demais e pediu transferência
para um esquadrão britânico. Pilotou Sopwith
Camel e DH4, antes de retornar ao seu esquadrão original.
No pós-guerra, foi um bem-sucedido advogado. Presidiu
a Pan-American, a então maior empresa aérea
do mundo que desapareceu nos anos de 1990. Também
atuou na Segunda Guerra Mundial, como comandante naval.
Passou para a reserva no posto de Contra-Almirante.
ALEXANDER
KAZAKOV (1891-1919). É o maior ás russo
em escore, 17 vitórias, conquistadas na Frente Ocidental,
onde o combate aéreo mostrou-se menos intenso. Morreu
num período crucial da Revolução Russa.
CARPENTER
WILLIAN LAMBERT (1897-1982). Filho de ingleses, nasceu
em Ohio. Atuou no Canadá, pelo Royal Flying Corps,
conquistando 18 vitórias na Frente Oriental, em 1918.
No pós-guerra, publicou suas memórias da guerra:
Combat Report (1973) e Barnstorming and Girls (1980). Teve
vida intensa no pós-guerra. Demonstrava visível
tristeza e depressão quando era informado da morte
de seus contemporâneos de esquadrão. Foi o
último remanescente do grupo a falecer.
FRANK
LINKE-CRAWFORD (1893-1918). Austro-Húngaro, foi
o quarto maior ás do serviço aéreo
austríaco. Conquistou 27 vitórias. Morreu
abatido por dois aviões italianos, em 30 de julho
de 1918.
ALEXANDER
ROBERT LITLE (1895-1918). Australiano. Em julho de 1915,
seguiu para Londres com a intenção de se qualificar
piloto, por conta própria. Brevetado em outubro de
1916, foi mandado para a Fronteira Ocidental integrando
um esquadrão de seu país. Pilotava Sopwith
Pup. Conquistou 47 vitórias que o tornaram o maior
ás australiano e o 40º dentre todos os que lutaram
naquela guerra. Abatido pelo Barão Vermelho, conseguiu
se salvar. Ao voltar à guerra, porém, foi
morto em ação no dia 27 de maio de 1918, quando
atuava por um esquadrão inglês.
(GERVAISE)
RAOUL LUFBERY (1885-1918). Franco-americano, entrou
para o exército americano em 1906. Serviu nas Filipinas,
antes de se tornar mecânico do aviador Marc Pourpe,
seu amigo. Quando a guerra estourou, alistou-se na French
Foreign Legion, mas continuou como mecânico de Pourpe
até que se tornou piloto. Voou com a famosa Esquadrilha
Lafayette. Quando os EUA entraram na guerra, já era
um ás. Foi morto em operação em 19
de maio de 1918, caindo (ou possivelmente pulando) da aeronave
em chamas.
FRANK
LUKE (1897-1918). Norte-americano, em dezoito dias conquistou
21 vitórias. Especializou-se na perigosa sortida
de derrubar balões. Seus ataques eram certeiros e
fatais. Quando não voava em missão, praticava
"tiro ao alvo" montado numa motocicleta, usando,
ao mesmo tempo, duas armas. Indisciplinado, ignorava as
ordens e só decolava quando queria. Suas três
últimas vitórias ocorreram no mesmo dia em
que foi derrubado (28 ou 29 de setembro de 1918), quando
atacava um balão. Morto em terra por um pelotão
alemão. Não quis se entregar e descarregou
a pistola contra o inimigo. Recebeu a Congressional Medal
of Honor.
JAMES
THOMAS BYFORD MCCUDDEN (1895-1918). Britânico.
54 vitórias. Juntou-se ao Royal Flying Corps em 1913,
como mecânico. Morreu em acidente aéreo, no
dia 9 de julho de 1918. Nos últimos meses de vida,
publicou suas memórias (Five Years in the Royal Flying
Corps), uma história interessante e reveladora. Recebeu
todas as condecorações de guerra.
DONALD
RODERICK MACLAREN (1893-1989). Canadense. Entrou para
o Royal Flying Corps em 1917. Terminou a guerra como o terceiro
maior ás canadense, tendo obtido 54 vitórias.
A maioria de suas missões foi realizada em Sopwith
Camel.
EDWARD
MANNOCK (1887-1918). Britânico. Maior ás
do Reino Unido, com 73 vitórias. Possui uma biografia
fascinante. Quando adolescente, ficou praticamente cego
do olho esquerdo. Viveu na pobreza, abandonado pelo pai
que era alcoólatra. Recebeu pouca educação.
Teve como irmã uma prostituta. Aderiu aos ideais
socialistas. Trabalhava como técnico de telefone,
na Turquia, quando a guerra eclodiu. Em abril de 1915, voltou
à Inglaterra, decidido a fazer tratamento de saúde
para adquirir as condições mínimas
de ingresso na carreira militar. Por sua experiência
com telecomunicação foi inicialmente aceito
numa unidade de engenharia. Desejando lutar na guerra como
aviador, apresentou-se ao Royal Flying Corps. Surpreendentemente
foi aceito, depois de provar que tinha as condições
de ser piloto. Chegou à Frente Ocidental em março
de 1917. Era cruel e implacável com o inimigo. Odiava
tanto os alemães que quando soube da morte de Richthoffen,
comentou: "Espero que o desgraçado tenha se
queimado todo a caminho do inferno". Liderou vôos
de patrulha e foi instrutor de tática aérea.
Produziu a frase: "Sempre no topo, raramente no mesmo
nível e nunca por baixo". Seus ataques eram
calculados e certeiros. Mirava o inimigo antes de disparar
a metralhadora, sempre pretendendo causar o máximo
de dano com custo mínimo de munição.
Morreu na guerra, em 26 de julho de 1918. Após sua
morte, recebeu do governo inglês todas as medalhas
de guerra. O pai, ainda alcoólatra, o representou
e vendeu todas as condecorações por cinco
libras, o equivalente a três tragos de whisky.
CHARLES
NUNGESSER (1883-1927). Outro piloto de caça,
cuja história é também extraordinária.
Francês, era tido por seus amigos aviadores como o
"cavaleiro das nuvens". Gentil e delicado, passava
as noites em casas noturnas de Paris, amando belas mulheres
e variando na escolha. No fim da madrugada, saía
da alcova diretamente para o aeródromo. Em ritual
lento e esmerado, vestia-se para a guerra. Sem pressa, colocava
o uniforme de aviador, as luvas, a touca e os óculos
de vôo. Depois, caminhava para o avião, passando
as mãos na jaqueta. Auxiliado pelo mecânico,
dava partida na aeronave, um Nieuport, e enfim decolava
rumo ao inimigo. Era um combatente nato. Ferido diversas
vezes, sempre escapou. Tinha uma resistência física
que impressionava os colegas de esquadrão. Colecionou
45 vitórias. Morreu como verdadeiro mito. Em 1927,
ao tentar cruzar o Atlântico, desapareceu no mar.
Está entre os maiores ídolos da aviação
francesa.
DAVID
ENDICOLT PUTNAM (1898-1918). Franco-americano, entrou
para o serviço aéreo francês em abril
de 1917, combatendo mais tarde a serviço dos EUA.
Existe confusão sobre seu escore final. A primeira
vitória ocorreu em janeiro de 1918, mas Putnam só
veio a se destacar como piloto de caça em abril daquele
ano. Muitas de suas vitórias foram obtidas sobre
as linhas do inimigo e não puderam ser conferidas.
Seu escore final está por volta de 34 vitórias
oficiais que o colocam entre os grandes ases dos EUA. Faleceu
em ação, no dia 12 de setembro de 1918.
MANFRED
ALBRECHT VON RICHTHOFEN (1888-1918). Alemão.
Maior mito da aviação militar alemã,
entrou para o serviço aéreo em setembro de
1916. Aprendeu a pilotar no esquadrão (Jagdstaffel)
de Oswald Boelcke. Era um guerreiro meticuloso, que primeiro
procurava reconhecer a aeronave inimiga, em especial às
britânicas, antes de partir para a luta e desferir
o ataque mortal. Era chamado "o matador" e idolatrado
com o título de "Barão Vermelho".
Em janeiro de 1917, passou a comandar o famoso esquadrão
"Flying Circus", cujas aeronaves eram exageradamente
pintadas. Fidalgo com os amigos, e até com os adversários,
era igualmente conhecido como "O Cavaleiro Teutônico
da Era Moderna" e "Nobre Inimigo de Coragem e
Destreza". Morreu abatido por um inexperiente piloto
canadense, atrás das linhas britânicas, em
21 de abril de 1918, quando voava seu inconfundível
Fokker tri-plano vermelho e pouco depois de ter obtido a
80ª vitória. Seu sepultamento foi uma das maiores
cerimônias póstumas ocorridas naquela guerra,
com honras militares. Sua morte foi um golpe para os pilotos
alemães, sobretudo nos seus comandados.
EDWARD
VERNON RICKNBACKER (1890-1973). Norte-americano, já
era conhecido antes de a guerra eclodir por pilotar carros
de corrida. Em 1917, seguiu para a França, como motorista
do general John Pershing. Ao se decidir pela aviação,
qualificou-se como piloto em março de 1918, entrando
imediatamente na guerra. Nos poucos meses em que combateu
no ar, tornou-se ídolo dos americanos. Conquistou
26 vitórias. No pós-guerra, continuou sua
carreira de sucesso. Ajudou a fundar a empresa aérea
American Airlines. Em 1973, publicou suas memórias
da guerra (Fighting the Flying Circus).
ERNST
UDET (1896-1941). Alemão, obteve 62 vitórias.
Acreditava que seria impossível abater o inimigo
e acabou se tornando ás. Foi um dos primeiros pilotos
a usar o pára-quedas para escapar da aeronave em
queda, após ter efetuado ataque eficaz contra um
tanque inimigo. No pós-guerra, trabalhou pelo desenvolvimento
da Luftwaffe. Influenciou muitos pilotos alemães
com sua técnica e experiência. Afastou-se da
carreira depois de polemizar com Hermann Göring.
WERNER
VOSS (1897-1917). Alemão, era um piloto hábil
e corajoso. Obteve 48 vitórias. Um dos 40 maiores
ases alemães, na guerra disputou o ranking alemão
com o Barão Vermelho. Não conseguiu superar
o mito. Morreu em combate, em 23 de setembro de 1917, quando
digladiava simultaneamente contra sete aviões britânicos.
Morreu destroçado, junto com a sua aeronave.
Fontes:
- Who`s Who In The World War One, de J. M. Bourne, Routledge,
2001.
- Imperial War Museum, Londres e Cambridge.
- Musée de l`Air et de l`Espace, Le Bourget, Paris.
(*)
COSME DEGENAR DRUMOND é diretor de Redação
da revista Tecnologia & Defesa é autor do livro
"O Museu Aeroespacial Brasileiro - The Brazilian Aerospace
Museum", publicado pela Editora Aero, em 1985; e, "Asas
do Brasil, Uma História que Voa pelo Mundo",
publicado em 2004, pela Editora de Cultura.
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