Eurosatory
2002
VIDA LONGA PARA OS BLINDADOS SOBRE RODAS
EUROSATORY
2002 UM PANORAMA (II)
Expedito
Carlos Stephani Bastos,
Pesquisador de Assuntos Militares da UFJF
Dando
continuidade a série de artigos sobre blindados de
rodas presentes na EUROSATORY 2002, é importante
mencionarmos os 6x6, muito embora nenhum novo modelo foi
apresentado, mas mesmo assim eles lá estavam, nas
diversas configurações ainda em uso por vários
países e no catálogo de muitos fabricantes.
A vantagem dos veículos sobre rodas para patrulhas,
combates ou reconhecimento, é que eles possuem uma
maior flexibilidade e mobilidade, permitindo atuar sobre
amplas frentes, a grandes distâncias, penetrar nos
dispositivos de segurança do inimigo e explorar a
fundo o efeito surpresa, a um custo mais baixo que os de
lagartas, podendo cumprir as seguintes missões:
Segurança - Reconhecimento e busca de inteligência,
enlace tático; redução de forças
aerotransportadas ou helitransportadas; vigilância
de comunicações e proteção de
comboios; defesa de pontos sensíveis, bases aéreas,
etc.
Ofensiva - Faz contato com o inimigo; ataca as forças
não blindadas ou ligeiramente blindadas em movimento,
em posições de organização ou
em condições de mínima defesa; exploração
do êxito inicial e perseguição.
Defensiva - Constitui uma força de reserva das
grandes unidades; excepcionalmente, e por tempo limitado,
pode levar a cabo missões de defesa de uma parte
da zona defensiva da Divisão.
Retardamento
Ação retardadora e protetora numa
eventual retirada.
Desta
forma podemos ver que além do reconhecimento, que
é uma das suas missões principais, podem realizar
diversas outras, como, por exemplo, destruir veículos
bem mais pesados, inclusive de lagartas, participando de
combates diretos. Isto só irá depender da
vontade e recursos financeiros disponíveis para cada
Exército, na escolha de seu equipamento e de seus
armamentos.
É
importante salientar que os veículos de hoje possuem
muitas possibilidades, seja através de seus sistemas
de tração, armamento, peso e dimensões;
sem falar nas suas configurações gerais e
outras características, com aspectos positivos e
negativos, mas que infelizmente, hoje no Exército
Brasileiro, não existe nada parecido, lembrando apenas
que os nossos 6x6 são dos anos 80 e de lá
para cá tudo mudou...
Foi
possível observar que várias empresas estão
se associando não só para produzir novos e
revitalizar veículos antigos, como é o caso
do Panhard ERC 90 Sagaie, que se encontrava na feira.
Novas soluções para antigos problemas. (foto
1)
Vale
lembrar que as empresas HÄGGLUNDS, EADS, PANHARD e
RENAULT apresentaram o diagrama de seu Estudo do Conceito
de Veículo Futuro (EBRC) 6x6, a primeira Sueca
e as demais Francesas. O veículo terá transmissão
elétrica (foto 2)
Outro
destaque foi o grupo SATORY MILITARY VEHICLES (GIAT + Renault)
apresentando a nossa velha conhecida família VAB,
aqui representada pela versão 6x6, com diversas modificações
e para variadas funções, sendo a mais importante
a transformação de um 4x4 em em 6x6, através
de um kit de componentes modulares. (foto 3 e 5) No stand
do Exército Francês foi possível ver
vários VAB nas suas diversas configurações.
(fotos 4)
A
empresa finlandesa PATRIA VEHICLES OY, trouxe o seu veículo
6x6 XA-200, na versão como XA 202 equipado
com uma antena de 24 metros de altura e informações
sobre o 203 com torreta antiaérea, operados pelo
Exército Sueco, que adquiriu recentemente mais 63
unidades que deverão ser entregues entre 2003 e 2004.
(foto 6)
A STEYR-DAIMNLER-PUCH
SPEZIALFAHRZEUG AG, da Áustria, com o PANDUR 6X6,
versão básica e na versão anfíbia,
e com sua mais recente variante que é o equipado
com Torre Avançada Modular, para Reconhecimento,
Comando e Controle de plataformas de armas, que podem ser
de uma metralhadora até mísseis antiaéreos.
Possui uma grande família, com versões desde
ambulância até armado com o moderno canhão
de 90mm Cockerill MK 8. A versão 6x6 encontra-se
em serviço nos Exércitos da Áustria,
Bélgica, Eslovênia, Estados Unidos ( forças
especiais do US Army) e na guarda nacional do Kuwait. (foto
7 e 8)
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Foto
9
Ravne Valuk - Eslovênia
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Foto
10
IVECO Puma 6x6 - Itália
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Foto
11
CMI Defense - 90 mm - Bélgica
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Foto
12
CMI Defense Nova Munição 90 mm = Bélgica
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Foto
13
Cascavel com canhão CMI 90 - Bélgica
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Foto
14
CMI Defense Mk 8 - Bégica
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Uma
empresa da Eslovênia, a RAVNE, também
trouxe informações sobre o seu 6x6 VALUK,
derivado do PANDUR 6x6, com um programa de upgrading visando
sua modernização, nas diversas versões,
como porta-morteiros, antiaéreo, transporte de pessoal,
ambulância, etc. (foto 9)
Digno
de menção é a versão 6x6 do
PUMA da IVECO, com peso na ordem de 8 toneladas, capaz de
transportar oito soldados mais o motorista, com baixa silhueta,
belo design e bem maior que o 4x4 que se encontra em testes
de avaliação pelo Exército Brasileiro.
(foto 10) ( Veja matérias
Puma 1 e Puma 2
)
Como
curiosidade vale dizer que a CMI DEFENSE (antiga Cockerill),
a mesma dos canhões que equipam os nossos EE-9
CASCAVEL, produzidos sob licença pela extinta
ENGEX, apresentou duas novidades em termos de canhões,
a versão Mk 3 de 90mm (foto11), similar aos nossos,
mas com capacidade de disparar munições flecha
(APFSDS) (foto 12), com novo freio de boca e o mais moderno
Mk 8, também de 90mm, com nova torre, e bem maior
que o nosso Mk 2, com capacidade de disparar nova munição
com capacidade similar a do 105mm (foto 16), sendo que a
munição é bem maior que as de 90 convencionais,
mas com resultado muito superior (foto 15).
No
momento que o Exército, dá início ao
desenvolvimento da Nova Família de Blindados de Rodas
a análise desses canhões passa a ser de interesse.
Canhões de 90 com capacidade de 105mm, e de 105mm
com capacidade de 120mm. O novo canhão Mk.8, pode
inclusive ser montado em um veículo EE9 Cascavel,
necessário observar quais alterações
seriam necessárias. No catalogo do fabricante consta
um Cascavel modelo antigo com o novo canhão Mk 3
(foto 13) e segundo eles é possível a colocação
da nova torre com o novo canhão Mk 8 (foto 14). Vale
conferir..
A
empresa alemã KWM (Krauss-Maffei-Wegman) trouxe os
seus conhecidos 6x6, o Fuchs e o Luchs, já
há bastante tempo operacionais no Exército
Alemão, inclusive em missões de paz na antiga
Iugoslávia. (foto 17 e 18)
Por
último a presença de veículos da família
PIRANHA, desenvolvida pela MOWAG Suíça e produzido
sob licença em mais três países (Estados
Unidos, Inglaterra, Canadá), muito embora ela possua
um modelo 6x6, este apenas figurando nos catálogos,
não tendo sido apresentado nenhum na referida Feira.
(foto 19)
Percebemos
que há uma tendência de no futuro, os novos
veículos adotarem a configuração 8x8
e 10x10. Os 6x6 remanescentes sobreviverão, e deixarão
de ser produzidos, pois estão mais próximos
dos 4x4 e distantes dos 8x8, no desempenho, e na variada
gama de armamentos, cada vez maiores, principalmente nos
calibres dos canhões. Com exceção do
PUMA 6x6, que parece estar criando uma classe própria,
a evolução do 4x4.. Esta configuração
parece estar chegando ao seu final, mas vamos aguardar o
futuro, pois seus preços sobem na mesma proporção...
Se
tivéssemos mantido nossas indústrias de defesa,
tenho absoluta certeza de que ela, dentro da sua evolução,
estaria desenvolvendo veículos sobre rodas com características
similares, e atendendo muito bem ás necessidades
do Exército Brasileiro e exportando que é
o primordial. Projetos e Mercado tinha-mos, mas decisões
políticas sem visão de futuro, praticamente
nos sepultou nesta área estrategicamente importante.
O
único contato com tecnologias novas têm sido
através de testes com veículos modernos 4x4
e 8x8, não muito freqüentes, mas às vezes
difícil de ser comparado e compreendido, em razão
da nossa realidade em termos de equipamentos.