Defesa @ Net

Matéria Reeditada sem alteração de conteúdo

Fotos


Foto 1
Panhard ERC 90 Sagaie - França

Foto 2
EBCR 6x6

Foto 3
SAVIEM VAB - França

Foto 4
SAVIEM VAB Kit 6x6

Foto 5
SAVIEM VAB Kit 6x6

Foto 6
Patria XA-200 6x6

Foto 07
Steyr Pandur com canhão 90 mm CMI - Austria

Foto 08
Steyr Pandur - Austria



Foto 15
Nova munição de 90 mm CMI Defense


Foto 17
Thyssen Fuchs - Alemanha



Foto 18
Thyssen Fuchs - Alemanha

Foto 19
Mowag Piranha III - Suíça

Revista Virtual

Defesanet Junho 2002

Defesa @ Net

Eurosatory 2002

VIDA LONGA PARA OS BLINDADOS SOBRE RODAS

EUROSATORY 2002 – UM PANORAMA – (II)

Expedito Carlos Stephani Bastos,
Pesquisador de Assuntos Militares da UFJF

 

Dando continuidade a série de artigos sobre blindados de rodas presentes na EUROSATORY 2002, é importante mencionarmos os 6x6, muito embora nenhum novo modelo foi apresentado, mas mesmo assim eles lá estavam, nas diversas configurações ainda em uso por vários países e no catálogo de muitos fabricantes.

A vantagem dos veículos sobre rodas para patrulhas, combates ou reconhecimento, é que eles possuem uma maior flexibilidade e mobilidade, permitindo atuar sobre amplas frentes, a grandes distâncias, penetrar nos dispositivos de segurança do inimigo e explorar a fundo o efeito surpresa, a um custo mais baixo que os de lagartas, podendo cumprir as seguintes missões:

Segurança
- Reconhecimento e busca de inteligência, enlace tático; redução de forças aerotransportadas ou helitransportadas; vigilância de comunicações e proteção de comboios; defesa de pontos sensíveis, bases aéreas, etc.

Ofensiva
- Faz contato com o inimigo; ataca as forças não blindadas ou ligeiramente blindadas em movimento, em posições de organização ou em condições de mínima defesa; exploração do êxito inicial e perseguição.

Defensiva -
Constitui uma força de reserva das grandes unidades; excepcionalmente, e por tempo limitado, pode levar a cabo missões de defesa de uma parte da zona defensiva da Divisão.

Retardamento – Ação retardadora e protetora numa eventual retirada.

Desta forma podemos ver que além do reconhecimento, que é uma das suas missões principais, podem realizar diversas outras, como, por exemplo, destruir veículos bem mais pesados, inclusive de lagartas, participando de combates diretos. Isto só irá depender da vontade e recursos financeiros disponíveis para cada Exército, na escolha de seu equipamento e de seus armamentos.

É importante salientar que os veículos de hoje possuem muitas possibilidades, seja através de seus sistemas de tração, armamento, peso e dimensões; sem falar nas suas configurações gerais e outras características, com aspectos positivos e negativos, mas que infelizmente, hoje no Exército Brasileiro, não existe nada parecido, lembrando apenas que os nossos 6x6 são dos anos 80 e de lá para cá tudo mudou...

Foi possível observar que várias empresas estão se associando não só para produzir novos e revitalizar veículos antigos, como é o caso do Panhard ERC 90 Sagaie, que se encontrava na feira. Novas soluções para antigos problemas. (foto 1)

Vale lembrar que as empresas HÄGGLUNDS, EADS, PANHARD e RENAULT apresentaram o diagrama de seu Estudo do Conceito de Veículo Futuro (EBRC) 6x6, a primeira Sueca e as demais Francesas. O veículo terá transmissão elétrica (foto 2)

Outro destaque foi o grupo SATORY MILITARY VEHICLES (GIAT + Renault) apresentando a nossa velha conhecida família VAB, aqui representada pela versão 6x6, com diversas modificações e para variadas funções, sendo a mais importante a transformação de um 4x4 em em 6x6, através de um kit de componentes modulares. (foto 3 e 5) No stand do Exército Francês foi possível ver vários VAB nas suas diversas configurações. (fotos 4)

A empresa finlandesa PATRIA VEHICLES OY, trouxe o seu veículo 6x6 XA-200, na versão como XA 202 equipado com uma antena de 24 metros de altura e informações sobre o 203 com torreta antiaérea, operados pelo Exército Sueco, que adquiriu recentemente mais 63 unidades que deverão ser entregues entre 2003 e 2004. (foto 6)

A STEYR-DAIMNLER-PUCH SPEZIALFAHRZEUG AG, da Áustria, com o PANDUR 6X6, versão básica e na versão anfíbia, e com sua mais recente variante que é o equipado com Torre Avançada Modular, para Reconhecimento, Comando e Controle de plataformas de armas, que podem ser de uma metralhadora até mísseis antiaéreos. Possui uma grande família, com versões desde ambulância até armado com o moderno canhão de 90mm Cockerill MK 8. A versão 6x6 encontra-se em serviço nos Exércitos da Áustria, Bélgica, Eslovênia, Estados Unidos ( forças especiais do US Army) e na guarda nacional do Kuwait. (foto 7 e 8)

Foto 9
Ravne Valuk - Eslovênia
Foto 10
IVECO Puma 6x6 - Itália
Foto 11
CMI Defense - 90 mm - Bélgica
Foto 12
CMI Defense Nova Munição 90 mm = Bélgica
Foto 13
Cascavel com canhão CMI 90 - Bélgica
Foto 14
CMI Defense Mk 8 - Bégica

Uma empresa da Eslovênia, a RAVNE, também trouxe informações sobre o seu 6x6 VALUK, derivado do PANDUR 6x6, com um programa de upgrading visando sua modernização, nas diversas versões, como porta-morteiros, antiaéreo, transporte de pessoal, ambulância, etc. (foto 9)

Digno de menção é a versão 6x6 do PUMA da IVECO, com peso na ordem de 8 toneladas, capaz de transportar oito soldados mais o motorista, com baixa silhueta, belo design e bem maior que o 4x4 que se encontra em testes de avaliação pelo Exército Brasileiro. (foto 10) ( Veja matérias Puma 1 e Puma 2 )

Como curiosidade vale dizer que a CMI DEFENSE (antiga Cockerill), a mesma dos canhões que equipam os nossos EE-9 CASCAVEL, produzidos sob licença pela extinta ENGEX, apresentou duas novidades em termos de canhões, a versão Mk 3 de 90mm (foto11), similar aos nossos, mas com capacidade de disparar munições flecha (APFSDS) (foto 12), com novo freio de boca e o mais moderno Mk 8, também de 90mm, com nova torre, e bem maior que o nosso Mk 2, com capacidade de disparar nova munição com capacidade similar a do 105mm (foto 16), sendo que a munição é bem maior que as de 90 convencionais, mas com resultado muito superior (foto 15).

No momento que o Exército, dá início ao desenvolvimento da Nova Família de Blindados de Rodas a análise desses canhões passa a ser de interesse. Canhões de 90 com capacidade de 105mm, e de 105mm com capacidade de 120mm. O novo canhão Mk.8, pode inclusive ser montado em um veículo EE9 Cascavel, necessário observar quais alterações seriam necessárias. No catalogo do fabricante consta um Cascavel modelo antigo com o novo canhão Mk 3 (foto 13) e segundo eles é possível a colocação da nova torre com o novo canhão Mk 8 (foto 14). Vale conferir..

A empresa alemã KWM (Krauss-Maffei-Wegman) trouxe os seus conhecidos 6x6, o Fuchs e o Luchs, já há bastante tempo operacionais no Exército Alemão, inclusive em missões de paz na antiga Iugoslávia. (foto 17 e 18)

Por último a presença de veículos da família PIRANHA, desenvolvida pela MOWAG Suíça e produzido sob licença em mais três países (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá), muito embora ela possua um modelo 6x6, este apenas figurando nos catálogos, não tendo sido apresentado nenhum na referida Feira. (foto 19)

Percebemos que há uma tendência de no futuro, os novos veículos adotarem a configuração 8x8 e 10x10. Os 6x6 remanescentes sobreviverão, e deixarão de ser produzidos, pois estão mais próximos dos 4x4 e distantes dos 8x8, no desempenho, e na variada gama de armamentos, cada vez maiores, principalmente nos calibres dos canhões. Com exceção do PUMA 6x6, que parece estar criando uma classe própria, a evolução do 4x4.. Esta configuração parece estar chegando ao seu final, mas vamos aguardar o futuro, pois seus preços sobem na mesma proporção...

Se tivéssemos mantido nossas indústrias de defesa, tenho absoluta certeza de que ela, dentro da sua evolução, estaria desenvolvendo veículos sobre rodas com características similares, e atendendo muito bem ás necessidades do Exército Brasileiro e exportando que é o primordial. Projetos e Mercado tinha-mos, mas decisões políticas sem visão de futuro, praticamente nos sepultou nesta área estrategicamente importante.

O único contato com tecnologias novas têm sido através de testes com veículos modernos 4x4 e 8x8, não muito freqüentes, mas às vezes difícil de ser comparado e compreendido, em razão da nossa realidade em termos de equipamentos.

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