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Foto 1
Vista aérea das instalações do Arsenal de
Guerra de São Paulo (AGSP)

Foto 2
Cel. Ronzani Diretor do Arsenal de Guerra de São
Paulo (autor)

Foto 3
Alguns EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu no estado em que chegam ao
AGSP para os trabalhos de revitalização (autor)

Foto 4
Vários EE-11 Urutu recolhidos de diversas unidades e enviados
ao AGSP para os trabalhos de revitalização (autor)

Foto 5
Linha de desmontagem geral dos EE-9 e EE-11 (autor)

Foto 6 - EE-11
Urutu em fase de desmontagem total (autor)

Foto 7 - EE-9
sem motor e suspensão numa das diversas fases da
desmontagem (autor)

Foto 7a
Carcaça de EE-9 Cascavel indo para o jateamento, após
desmontagem total do veículo (autor)

Foto 8 - Linha
de remontagem do EE-9 Cascavel prontos para receber os
motores (autor)

Foto 9 - Motor
Mercedes-Benz totalmente revisado e pronto para ser colocado em
uma das viaturas do programa de revitalização no
AGSP (autor)

Foto 9a
Remontagem da parte elétrica dos EE-9 Cascavel (autor)

Foto 10 -
Linha de remontagem do EE-11 Urutu no AGSP (autor)

Foto 11
Outra vista da linha dos EE-11 Urutu (autor)

Foto 12
Pneu PPB desenvolvido pela Novatração no final dos
anos 60, com anel toroidal rígido, para serem usados nas
viaturas VBB (Viatura Blindada Brasileira), Half Track e M-8,
o processo é o mesmo dos dias de hoje. (autor)

Foto 13
Anéis torodais rígidos da Novatração,
de fabricação nacional, usados no novo processo
de revitalização dos EE-9 e EE-11 (autor)

Foto 14
Pneu Continental, de origem Checa, adotado como padrão
para todas as viaturas EE-9 e EE-11 revitalizadas pelo AGSP (autor)

Foto 15 -
Seção de montagem do trem de rolamento das viaturas
EE-9 e EE-11 Notar os pneus checos Continental (autor)

Foto 16
Seção de torres e armamento do EE-9 Cascavel na
fase final de remontagem (autor)
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Defesanet
Junho 2002
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Defesa
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ARSENAL
DE GUERRA DE SÃO PAULO - AGSP
ONDE
O SONHO TORNA-SE REALIDADE.
O
RENASCER DOS BLINDADOS DE RODAS NO EXÉRCITO BRASILEIRO
Expedito
Carlos Stephani Bastos,
Pesquisador
de Assuntos Militares da
Universidade Federal de Juiz de Fora
Criado,
em 02 de dezembro de 1958, na cidade paulista de Barueri,
o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), desempenhou
um pioneirismo importante na área da Indústria
Bélica Brasileira, pois ele é o herdeiro
do Parque Regional de Manutenção da 2ª
Região Militar (PqRMM/2), extinto em 1997, e a
ele incorporado. (foto
1)
Com
a experiência já existente no AGSP e a capacidade
criadora do PqRMM/2, responsável pelos mais brilhantes
projetos, que posteriormente serão concebidos pela
Indústria de Material de Defesa Brasileira, destacando
dentre eles os afamados CASCAVEL e URUTU, responsáveis
pelo sucesso da extinta ENGESA, uma história de
sucessos e frustrações que ainda está
para ser escrita.
Sem
dúvida após os anos de ouro de nossa indústria,
e seu grande declínio na década de 90, fiquei
verdadeiramente feliz e impressionado com a visita que
fiz à aquela instituição no último
dia 07 do corrente mês e ano, ocasião em
que como correspondente da Defesa@Net, fui recebido pelo
Comandante do AGSP, Cel. QEM Ernesto Ribeiro RONZANI,
para tão agradável visita. (foto
2)
O
Arsenal de Guerra de São Paulo tem como missão;
"Contribuir para a operacionalidade do combatente
por meio da fabricação e recuperação
do material de emprego militar", o que vem cumprindo
com garra e determinação, muito embora seu
quadro mereceria um maior atenção, pois
trata-se de mão de obra extremamente qualificada
e de longo aprendizado, sendo necessário até
mesmo rever os problemas de baixa por ter atingido um
determinado tempo servindo no quadro do Exército,
o que certamente trará conseqüências
para a continuidade do trabalho de revitalização,
objetivo maior do AGSP no contexto operacional do Exército
Brasileiro.
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Atua
nas áreas de recuperação e
fabricação de:
Armamento: Metralhadoras, Fuzis, Pistolas, Obuseiros
e Canhões;
Comunicações:
Rádio-Transmissores e Sistema de Comunicação
de Blindados;
Engenharia:
Geradores Elétricos;
Intendência:
Colchões, Travesseiros, Capacetes de Fibra
e de Fibra Aramida, Fogareiros;
Produtos
Especiais: Redes de Camuflagem, Caixa de Acondicionamentos
para Transporte de Fuzis em fibra de vidro;
Motomecanização:
Recuperação de Viaturas Blindadas;
Alguns
dos itens acima mencionados, serão temas
de futuras matérias, nas páginas da
Defesanet, mas no momento o mais importante é
sem sombra de dúvida a parte referente à
Motomecanização.
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Coube
ao AGSP a manutenção de 5º Escalão
das Viaturas Blindadas sobre Rodas CASCAVEL EE-9 Modelo
VII-9 e Viatura Blindada Transporte de Pessoal EE-11 URUTU
Modelo VI-4, de fabricação Engesa, nos anos
80, pois a meta é recuperar algo em torno de 500
viaturas, partindo dos modelos mais novos para os mais
antigos, uma vez que estes veículos nunca sofreram
uma manutenção neste nível, e destes
tornarem-se totalmente operacionais aproximadamente 300.
(foto 3)
Isto
caberia à Engesa, caso ela ainda existisse, mas
com seu fechamento definitivo na década de 90,
não só o Exército Brasileiro, mas
também seus clientes no exterior ficaram desamparados
e havia apenas duas opções: ou adquiria-se
no exterior viaturas para substituírem estas, a
um custo bem elevado ou se recuperaria o que fosse possível,
a um custo relativamente baixo, pois ele sai no valor
de 10% do preço original do veículo, que
era da casa de 300 mil dólares em média,
quando de sua aquisição.
A
idéia para a recuperação em larga
escala destas viaturas remonta a 1998, culminando os estudos
em 2000 e em 2001, foi montado esta linha de recuperação,
prevista para a conclusão dos trabalhos em 2005,
que na realidade é quase uma fabricação
de veículos blindados sobre rodas, de certa forma
mais complexa, pois numa linha normal de fabricação
todas as peças são novas e neste caso é
necessário desmontar cada um dos veículos,
item por item, procedendo até a modificações
para melhorar ainda mais os defeitos que por ventura existem
desde quando de sua fabricação, melhorando-os
e até mesmo inovando-os, o que visa permitir um
sobrevida destas viaturas até o ano de 2015, quando
a nova família de blindados de rodas (NFBR), já
esteja sendo entregue ao Exército Brasileiro.
Vale
ressaltar, que durante a minha visita pude ver o estado
em que chegam os veículos blindados, e de que forma
eles retornam aos seus quartéis de origem, num
ritmo de sete veículos/mês, o que pode parecer
pouco, mas que na realidade representa muito, podendo
aumentar este ritmo de acordo com as necessidades do Exército
e da disponibilidade de verbas, coisa rara hoje em dia
e difícil no atua contexto orçamentário.
(foto
4)
O
trabalho em alguns itens foi terceirizado, mas é
todo executado no interior do AGSP, e só foi possível
pois as firmas recontrataram experientes operários
da extinta Engesa, que mais uma vez voltam à ativa
em conjunto com os militares técnicos que fazem
parte daquele aquartelamento.
Isto
vem comprovar, que a revitalização só
se tornou viável pois os veículos são
totalmente brasileiros, concebidos e produzidos por nós,
pois o maior patrimônio de uma nação
são os seus cérebros, as grandes nações
que foram totalmente aniquiladas, ressurgiram das cinzas,
por possuírem conhecimento, coisa impossível
de ser tirada.
A
ordem de trabalho executada pelo AGSP começa com
a linha de desmontagem, onde cada componente é
totalmente desmontado e levado para sua linha de manutenção,
a carcaça sofre um processo de jateamento, por
micro-partículas de metal(granalha), e após
recebe uma pintura protetora, retornando à linha
de montagem, onde cada componente depois de verificado
e testado é montado na viatura, cada item volta
para mesma viatura, com exceção do motor.
(foto
5, foto
6, foto
7 e foto
7a)
Cada
conjunto sofre diversos serviços, no caso dos motores
é feito o seguinte:
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Retífica
completa;
Manutenção
do turbo compressor;
Manutenção
dos órgãos anexos;
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Substituição
do alternador de 50 A por outro de 75, uma vez que o primeiro
já não é mais produzido pela indústria
nacional.
Cada
motor é testado num dinamômetro, onde é
emitido um laudo, que irá acompanhar a vida do
motor de cada veículo até o fim de sua vida
útil, acompanhamento que até então
não existia, muitas das vezes a própria
unidade mandava fazer a retífica, numa firma particular,
o que trouxe sérios problemas, que agora estão
sendo sanados de vez.
É
verificado o sistema de arrefecimento, onde o principal
serviço é a substituição de
todas as colmeias dos radiadores do motor. (fotos 8, fotos
9 e fotos 9a)
Também
é verificado todo o sistema de transmissão,
onde são realizados o seguinte:
Na
caixa automática(1): Revisão completa;
Adaptação
do kit de modificação estendida para o "lock-up",
permitindo o uso do freio motor (o que muito melhorou
a performance do EE-9 e EE-11 que sofria com este problema);
Na
caixa de descida: Revisão completa;
Rastreamento
e eventual substituição do eixo piloto pelo
modelo mais recente;
Na
caixa de transferência: Revisão completa.
Outro
item importante, que está sendo verificado é
a suspensão dianteira, onde os principais trabalhos
são:
Troca
do conjunto mola-amortecedor;
Verificação
em gabarito de eventuais empenagens nas bandejas e conseqüente
substituição;
Verificação
de trincas.
Com
relação á suspensão traseira
(boomerang) os principais itens revisados são:
Usinagem
e disposição de camada de cromo duro na
pista do retentor da ponteira central, que na maioria
das vezes estão sériamente desgastadas,
conforme comprovamos;
Substituição
desses retentores por outros de lado duplo, uma modificação
importante no projeto original da Engesa; (foto
10 e foto
11)
Estudo
da substituição do rolamento próximo
ao retentor por um mancal auto lubrificante, de dimensões
idênticas, também outro item modificado em
relação ao original;
Revisão
completa.
Após
todas essas etapas a suspensão boomerang é
testada uma a uma numa bancada de testes, desenvolvida
no próprio Arsenal e então é recolada
no veículo, o qual também é exaustivamente
testado.
Outros
itens de grande importância são os Sistema
de Direção e de Freio, onde no primeiro
é feita revisão geral da caixa de direção
e alinhamento de direção, o qual é
feito no próprio Arsenal com um aparelho similar
aos usados nos nossos veículos civis, mas desenvolvido
especialmente pelo fabricante para veículos militares,
um item bem complicado na sua execução.
Já no sistema de freio é feita:
Revisão
completa;
Pinça
de freio Usinagem do alojamento do pistão;
Deposição
de uma camada de cromo;
Retífica
e substituição de todos os reparos.
No
item trem de rolamento (rodas) houve inovações
importantes como:
Substituição
do anel toroidal alveolar por outro rígido da Novatração,
o qual foi desenvolvido no Brasil pela firma Novatração
no final dos anos 60, que originou o famoso pneu PPB (Pneu
à Prova de Bala), testado e aprovado em vários
países, que de certa forma os copiou e são
produzidos até os dias de hoje, como: Inglaterra,
França, Estados Unidos, além de outros,
e que equipou boa parte dos projetos concebidos e desenvolvidos
no PqRMM/2 de São Paulo, nos primórdios
de nossa Indústria de Material de Defesa, uma solução
nacional para os nossos veículos. Isto permitiu
a eliminação do "shiming", o qual
apresentou uma série de problemas. (foto
12 e foto
13)
Mas,o
mais complicado foram os pneus, pois a indústria
brasileira não produz seriadamente os modelos usados
pela Engesa e para voltar a produzi-los faz-se necessário
uma grande encomenda, o que de certa forma inviabilizaria
o projeto do AGSP, face às restrições
orçamentárias. A solução encontrada
foi a importação de pneus CONTINENTAL da
República Checa, que a partir de agora irão
equipar todas as viaturas entregues pelo Arsenal. (foto
14 e foto
15)
O
item mais importante no caso do EE-9 Cascavel é
sem sombra de dúvida o seu armamento, razão
pela qual é revisada também a torre e a
torreta da seguinte forma:
Revisão
completa da torre e torreta;
Substituição
do reparo do canhão;
Execução
de tiro e verificação de funcionamento do
armamento principal.
Nestes
tópicos é verificado se existe qualquer
anormalidade com o canhão, que pode até
ser condenado e substituído por outro fabricado
no próprio Arsenal, sendo que para isto foi criada
uma Seção de Armamento Pesado. (foto
16)
Feito
tudo isto o veículo é remontado e exaustivamente
testado, tanto nas suas partes tratoras como parte para
uma série de tiros reais para verificação
de todo o conjunto. Aprovado o mesmo recebe nova pintura,
numeração e marcações do Exército
Brasileiro, onde pude notar a volta do emblema antigo
do Exército, ou seja o chamado "Espadinha"
criado em 1983 e substituído pelo Brasão
do Exército em 1995, e agora retornando.
No
caso do EE-11 Urutu, este também é exaustivamente
testado, principalmente no item navegação,
que após aprovado recebe o mesmo procedimento do
Cascavel. (foto 17)
A
seguir o mesmo é devolvido à sua unidade
de origem, que recebe um veículo praticamente novo,
totalmente revisado e confiável. Até o fechamento
desta artigo mais de 50 veículos( junho 2002),
já foram completados ou estão em fase final
de acabamento. (foto
18)
É
bom lembrar que quando o Comandante do Exército
em entrevista à DEFESANET, fevereiro 2002, mencionou
a intenção do Exército em aumentar
a vida útil destes veículos, o que pode
agora ser confirmado "in loco" por nós,
o que de certa forma não deixa de ser o renascimento
de nossa indústria de material de defesa, pois
além de atender o Exército, será
possível também atender aos usuários
dos produtos brasileiros em diversos países, como:
Bolívia, Chile, Jordânia, Colômbia,
Equador e muitos outros, que ainda operam veículos
"Made in Brazil", até que haja uma definição
sobre a futura família de blindados brasileiro,
que sem dúvida precisa ser desenvolvida e fabricada
pela indústria brasileira, evitando que num futuro
possamos ser refém de suprimentos oriundos de terras
estrangeiras, lembrando que parcerias são importantes,
desde que haja transferência de tecnologia para
a indústria nacional. Vale mencionar que, em maio
último, na reunião entre os Ministérios
da Defesa da Bolívia e Brasil, o assunto de revitalização
dos blindados brasileiros operados pela Bolívia
foi tema de pauta. (foto
19, foto
20, foto
21 e foto
22)
Faz-se
necessário, que a sociedade num todo entenda a
necessidade de se manter uma indústria com um alto
grau de desenvolvimento, que num infortúnio, possa
responder no momento certo e dar em conjunto com as Forças
Armadas um fator dissuasório ao nosso país,
o qual não tem pretensões territoriais,
mas se um dia tiver de lutar, esta luta será dentro
de nosso território e é de grande importância
dominarmos uma tecnologia avançada...
O
mais importante de tudo isto é a visão estratégica
do Exército, através do Arsenal de Guerra
de São Paulo, que tem como meta "tornar-se
o centro de referência na manutenção
de blindados e de material de emprego militar para a força
terrestre".
Hoje
estamos dando um passo muito importante, conseguindo revitalizar
a frota brasileira, dentro do programa de revitalização
de viaturas blindadas sobre rodas, amanhã será
a vez dos blindados alemães, recentemente adquiridos.
Os ensinamentos de hoje nos ajudarão no amanhã...
Nota:
A maior parte dos veículos recebidos pelo Exército
Brasileiro foram com transmissão mecânica.
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Foto
17 Um EE-11 Urutu totalmente concluído e pronto
para voltar a sua unidade de origem (autor)
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Foto
18 - O 50º veículo na linha de revitalização,
no caso um EE-9 Cascavel Orgulho do trabalho do AGSP
(autor)
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Foto
19 Detalhe da nova identificação
ENGESA AGSP nos veículos revitalizados (autor)
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Foto
20 - Linha pronta e semi-pronta dos EE-9 Cascavel (autor)
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Foto
21 EE-9 Cascavel semi-prontos. Notar ausência
de camuflagem (autor)
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Foto
22 Vários EE-9 Cascavel prontos para a prova
técnica. Notar o casco camuflado já totalmente
testado e concluído e a torre sem camuflagem, mostrando
que ainda se encontra na fase de testes de funcionamento
e tiro real (autor)
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