COBERTURA ESPECIAL - Russia Docs - Geopolítica

13 de Outubro, 2016 - 13:00 ( Brasília )

Putin diz que acusações sobre crimes de guerra em Aleppo são retórica


Acusações francesas de que o bombardeio a Aleppo representa crimes de guerra são retórica, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em entrevista ao canal francês de TV TF1, transmitida nesta quarta-feira.

"É retórica política que não faz muito sentido e não leva em conta a realidade na Síria", afirmou Putin em comentários traduzidos para o francês e gravados na terça-feira.

"Eu estou profundamente convencido de que são os nossos parceiros ocidentais, e especialmente os Estados Unidos, que são responsáveis por essa situação na região em geral e na Síria em particular", disse ele.

O governo sírio lançou uma ofensiva para capturar áreas controladas pelos rebeldes de Aleppo, no mês passado, com apoio aéreo russo e de milícias apoiadas pelo Irã, apesar de cessar-fogo aprovado por Washington e Moscou.

Ministro das Relações Exteriores russo conversa sobre Síria com homólogo francês

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, discutiu nesta quinta-feira com seu colega francês, Jean-Marc Ayrault, o conflito sírio, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado.

Ayrault afirmou que Paris continuará sua cooperação com Moscou para desenvolver laços bilaterais assim como em questões cruciais da agenda internacional, informou o ministério, acrescentando que as conversas ocorreram a pedido da França.

EUA e Rússia retomam conversas sobre Síria apesar de conflitos

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, vai se reunir com o seu par russo na Suíça no sábado para conversar sobre a Síria, disseram autoridades nesta quarta-feira, após uma campanha intensificada de bombardeios devastadores na cidade de Aleppo.

O governo sírio lançou uma ofensiva para capturar áreas controladas pelos rebeldes de Aleppo, no mês passado, com apoio aéreo russo e de milícias apoiadas pelo Irã, apesar de cessar-fogo aprovado por Washington e Moscou.

Kerry havia interrompido as conversações com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, diante da ofensiva.

Os governos da Síria e da Rússia responsabilizaram seus adversários por violar o cessar-fogo.

A retomada das negociações, apesar da ofensiva, é um sinal da falta de opções que enfrentam as nações ocidentais sobre o conflito na Síria, onde há a preocupação de que fornecimentos de armas para os rebeldes poderiam acabar nas mãos de grupos jihadistas.

Putin diz que invasão de e-mails do Partido Democrata dos EUA não interessa à Rússia

O escândalo que irrompeu nos Estados Unidos em torno das alegações de que a Rússia hackeou e-mails do Partido Democrata não é do interesse de Moscou, e os dois candidatos à presidência dos EUA estão só usando a Rússia para ganhar pontos, disse o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira.

Na sexta-feira passada, pela primeira vez o governo norte-americano acusou a Rússia formalmente de executar uma campanha de ciberataques contra organizações do Partido Democrata antes da eleição de 8 de novembro.

Na terça-feira, a Casa Branca disse que irá estudar uma variedade de respostas às supostas invasões.

"Eles começaram esta histeria, dizendo que isto (o hackeamento) é do interesse da Rússia. Mas isto não tem nada a ver com os interesses da Rússia", disse Putin em um fórum empresarial na capital russa.

Putin disse que as acusações são um estratagema para desviar a atenção dos eleitores dos EUA em um momento no qual a opinião pública está sendo manipulada.

"Todos estão falando sobre 'quem fez isso'. Mas é tão importante assim? O mais importante é o que consta destas informações".

Mais cedo nesta quarta-feira, o Kremlin disse que viu com maus olhos os comentários da Casa Branca sobre uma reação "proporcional" planejada aos supostos ataques virtuais.

Putin se queixou de que todos os lados da corrida presidencial estão abusando da retórica sobre sua nação para seus próprios fins, mas disse que Moscou irá trabalhar com quem quer que vença a eleição, "se, é claro, a nova liderança dos EUA desejar trabalhar com nosso país".