COBERTURA ESPECIAL - Russia Docs - Geopolítica

11 de Maio, 2016 - 23:47 ( Brasília )

Rússia – Trabalha o Mercado da América Latina

O mercado da América Latina representa cerca de 5% das exportações de armamentos russas e o governo de Moscou planeja aumentar esta fatia.


Pedro Paulo Rezende
Especial para DefesaNet


Brasília — A Rússia realiza uma grande ofensiva no mercado latino-americano nas áreas aeroespacial e de defesa. Como parte deste esforço, a IRKUT e a ROSOBORONEXPORT apresentaram o Yak-130 para a concorrência para um novo treinador da Força Aérea do Chile. Faz parte dos planos do fabricante integrar um radar brasileiro, o Scipio, entre as versões futuras. O equipamento, fabricado pela MECTRON, foi selecionado pela Força Aérea Brasileira para o projeto de modernização doas aviões de ataque AMX (A-1M, na nomenclatura oficial.

Graças a um Sistema de Controle de Voo (FCS) e a um sistema de comando eletrônico inovadores (Fly by Wire — FBW), o Yak-130 simula o comportamento de aeronaves de combate e de transporte pesado, o que flexibiliza a formação de pilotos e reduz a necessidade de frotas separadas para as missões, diminuindo os custos de manutenção.

Além disto, o avião pode realizar missões de ataque leve ou de vigilância de fronteira. Equipado com datalink, atende aos requerimentos de combate aos crimes transnacionais, como o tráfico de drogas e contrabando de minérios preciosos e de armas.

O portfólio completo da ROSOBORONEXPORT para as forças aéreas da América do Sul inclui, além do Yak-130, três aviões de caça, o MiG-29M2 e os Sukhoi SU-30 e SU-35; três helicópteros de ataque, o KAMOV KA 52 e os Mil Mi-35 e Mi-28; três helicópteros de transporte, o KAMOV Ka-32 e os Mil Mi-17 e Mi-26 (o maior em operação); e leves, Kamov Ka-226 e Mil Ansatt.

Helicópteros

O assento ejetor empregado pelo helicóptero KAMOV Ka-52, o único equipado com sistemas de salvamento da categoria, torna o aparelho em uma atração à parte. O sistema desconecta as asas rotativas dos rotores e rompe a proteção blindada do canopy antes de ejetar a tripulação, que se aloja lado a lado na cabine de combate.

A empresa destaca o desempenho dos helicópteros em missões de combate reais. Os três modelos de ataque fabricados pela Federação Russa — os Mil Mi-24 e 35 e o Kamov Ka-52 — foram peças fundamentais para os bons resultados da intervenção de Moscou a favor do governo sírio.

No Brasil, a Aviação do Exército prepara um estudo para reformular sua frota. Em lugar de um helicóptero dedicado de ataque, pode ser adotado um modelo de transporte armado. O Mil Mi-17 responde este requerimento com perfeição. Pode carregar 36 soldados armados, pequenas viaturas, artilharia de 105 mm e conta com quatro pontos para carregar foguetes, mísseis e canhões.

O Exército Colombiano emprega seus Mi-8 e Mi-171 como plataforma para mísseis israelenses Spike, guiados a laser, que possuem um alcance de 20 km. Na conferência também foi destacado o grande impacto operacional que a introdução dos Mil Mi-26, o maior helicóptero existente, capaz de transportar cargas de até 20 toneladas, poderia trazer no apoio às atividades de defesa civil, militares, petroleiras e de mineração.

A imprensa argentina informa que está em negociação a aquisição de dois Mi-171 para operação na antártica. Operariam com outros dois que os argentinos já operam na região.

No combate a incêndios, chama atenção a capacidade do Ka-32. Trata-se do único helicóptero dotado de um canhão de água frontal que permite seu uso em ambiente urbano. Os produtos da Kamov adotam rotores contrarrotativos colocados verticalmente, o que torna a fuselagem mais compacta, amplia a capacidade de carga e reduz as dimensões do aparelho.

A concepção do Kamov Ka-226 é peculiar. O projeto é modular e containers especiais para cada missão podem ser acoplados à cabine de pilotagem.

Caças

A reconhecida maneabilidade dos caças da SUKHOI é um dos pontos de destaque da carteira da ROSOBORONEXPORT para a América Latina. O Su-30 é uma estrela dos shows aéreos, com incrível controle horizontal e vertical. Os aparelhos da família iniciada pelo Sukhoi 27 são os únicos capazes de realizar o Cobra Pugachev, na qual o avião se recupera depois de se manter parado no ar com o nariz apontando para trás em um ângulo vertical de 120 graus.

Empregando um radar de varredura eletrônica passiva ele consegue engajar 15 alvos simultaneamente com solução de tiro para oito disparos imediatos. O radar tem uma abertura de 120 graus em todas as posições com um alcance de 400 km para um alvo de 1 m². A carga total é de 8 mil quilos distribuídos em 12 pontos fixos nas asas e fuselagem.

São capacidades impressionantes, mas o Su-35 consegue superá-las. Ele pode controlar 30 alvos inimigos simultaneamente, engajando oito imediatamente. Os dois aviões conseguem operar confortavelmente a 3 mil quilômetros de suas bases sem reabastecimento em voo.

A ROSOBORONEXPORT também apresentou ao mercado latino-americano o MiG-29M2, uma alternativa menos sofisticada que os aparelhos da linha Sukhoi, mas com um radar capaz de acompanhar dez alvos e engajar quatro simultaneamente. A capacidade de carga atinge 6 mil quilos distribuídos em nove pontos fixos.

Todos os modelos foram concebidos para um ambiente de rede, com datalinks alimentados por aeronaves de alerta antecipado, estações terrestres e de outros aviões de combate, permitindo que parte da formação fique sem emitir recebendo sinais da aeronave líder. Outra característica importante é a capacidade de acompanhar e de engajar, simultaneamente, alvos aéreos e terrestres.

Mercado civil

Para o público civil, a IRKUT e a SUKHOI apresentam o MC-21 e o SUKHOI Superjet 100 (SSJ-100). O MC-21, que se encontra em fase final de montagem, será o primeiro avião russo a empregar superfícies alares totalmente construídas em material composto. Em configuração narrow body de um corredor, a ideia é fabricá-lo em duas versões, capazes de levar até 211 passageiros na versão principal e 173 na de fuselagem reduzida. O aparelho entraria em competição direta com a família 737 da Boeing e cobriria um vazio surgido com a retirada de produção da família 757.

A Sukhoi, por sua vez, mostra como trunfo os bons resultados da operação do SSJ-100 pela empresa mexicana Interjet. O aparelho, que concorre na faixa do Embraer E-190, conseguiu acumular uma excelente folha de serviços nos 30 meses de operação no país latino-americano. A frota, com 20 unidades, acumulou 53 mil horas de voo e apresentou um índice de disponibilidade de 99%.

Mísseis

A Almaz-Antey pretende colocar uma extensa gama de produtos no mercado sul-americano. A oferta inclui centros de controle de voo civil automatizados e complexos antiaéreos. Entre os equipamentos antiaéreos se encontram armas veteranas, mas inteiramente válidas no ambiente de guerra moderno, como o OSA AKM-1 (responsável pela maioria dos alvos abatidos pelos rebeldes na guerra civil da Ucrânia), Tunguska M1 e o BUK-M2E. O portfólio russo também inclui sistemas de primeiríssima linha, como o TOR M2 e o S-400 Triumph, superiores aos concorrentes ocidentais. Estes equipamentos, empregados em conjunto, montam uma cúpula de proteção entre as altitudes de 12 a 30 mil metros. O alcance vai de cinco a 325 quilômetros.

Entre as ofertas russas à América Latina se encontram sistemas de radar contra aviões furtivos. O complexo 55Zh6ME NEBO M consegue detectar e plotar até 200 alvos de 1m² a distâncias de até 480 km graças ao uso combinado de quatro radares de varredura eletrônica que operam em frequências variadas, incluindo métricas. Quando integrados aos sistemas de mísseis e a interceptadores.