COBERTURA ESPECIAL - Riots - Geopolítica

07 de Janeiro, 2019 - 10:40 ( Brasília )

"Coletes amarelos" retomam protestos na França

Oitavo sábado de manifestações reúne cerca de 50 mil pessoas em várias cidades do país. Confrontos entre manifestantes e policiais marcam primeira mobilização do ano. Macron rechaça "violência extrema" e promete justiça.

Os manifestantes conhecidos como "coletes amarelos" voltaram às ruas de várias cidades da França neste sábado (05/01) para a primeira grande mobilização de 2019, que marca a oitava semana consecutiva de protestos contra a política fiscal e social do presidente Emmanuel Macron.

Os atos reuniram cerca de 50 mil pessoas em todo o país, segundo dados do Ministério do Interior francês, que minimizou a força da manifestação. "Podemos ver que não é um movimento representativo na França", disse o ministro Christophe Castaner.

A participação foi maior do que os protestos da semana passada, mas ainda uma pequena fração dos números registrados nas primeiras semanas de manifestações. Neste sábado, houve atos em cidades como Paris, Bordeaux, Toulouse, Rouen e Marselha.

Algumas marchas, que começaram pacíficas, acabaram em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança no decorrer da tarde. "Coletes amarelos" teriam incendiado lixeiras, carros e motocicletas depois dispostas em vias públicas.

Na capital francesa, houve relatos de manifestantes atirando objetos contra policiais que bloqueavam pontes sobre o rio Sena. Os agentes chegaram a disparar gás lacrimogêneo para impedir que participantes atravessassem o rio e chegassem ao prédio da Assembleia Nacional.

Um restaurante flutuante à beira do Sena foi incendiado, e um policial ficou ferido após ser atingido por uma bicicleta arremessada da rua acima da margem do rio. Benjamin Griveaux, porta-voz do governo francês, foi retirado às pressas de seu gabinete, pela porta dos fundos, depois de um pequeno grupo de manifestantes ter invadido o complexo, supostamente com uma retroescavadora, e destruído veículos.

A prefeitura de Paris informou que 101 pessoas foram detidas na cidade e 103 foram interrogadas pela polícia em relação com as manifestações. Municípios como Rouen e Bordeaux também registraram confrontos e manifestantes detidos. A primeira cidade, capital da Normandia, reuniu cerca de 2 mil "coletes amarelos", enquanto em Bordeaux a manifestação contou com mais de 4,5 mil participantes.

Macron condenou a violência nos protestos deste sábado. "Mais uma vez a violência extrema atacou a República – seus guardiões, seus representantes, seus símbolos", escreveu o presidente no Twitter. "Aqueles que cometem esses atos esquecem o coração de nosso pacto cívico. Justiça será feita. Todos devem se unir para trazer o debate e o diálogo."

Os atos ocorrem dias depois de as autoridades francesas terem prendido um dos líderes dos "coletes amarelos", Éric Drouet, acusado de organizar uma manifestação não autorizada em Paris. Ele foi libertado na quinta-feira, um dia depois de sua prisão, mas será julgado pelo caso.

De acordo com a lei francesa, organizadores de protestos são obrigados a informar as autoridades locais com pelo menos três dias de antecedência. Os "coletes amarelos", contudo, têm ignorado com frequência essa regra com seus protestos muitas vezes espontâneos.

O ato deste sábado, por sua vez, havia sido previamente informado às autoridades. Os "coletes amarelos" têm protestado desde novembro contra o aumento nos preços dos combustíveis e contra reformas fiscais propostas pelo governo francês, que, segundo eles, atingiriam desproporcionalmente as classes trabalhadoras. Eles pedem também a renúncia de Macron e a reintrodução do imposto de solidariedade sobre a riqueza.

Macron enfrenta mais protestos violentos após endurecer postura contra "coletes amarelos"¹

Emmanuel Macron pretendia iniciar o novo ano na ofensiva contra os “coletes amarelos”. Em vez disso, o presidente francês está se recuperando de manifestações mais violentas nas ruas.

O que começou como uma revolta popular contra os impostos sobre o diesel e o alto custo de vida transformou-se em algo mais perigoso para Macron - um ataque à sua presidência e às instituições francesas.

Os manifestantes no sábado usaram uma empilhadeira para forçar a entrada em um complexo ministerial, ateando fogo em carros perto da famosa avenida Champs Élysées e agrediram policiais em uma ponte.

A dificuldade de autoridades francesas para manter a ordem durante os protestos do fim de semana levanta dúvidas não só sobre as táticas de políticas, mas também sobre a resposta de Macron, enquanto ele se prepara para implementar regras mais rígidas para benefícios de desemprego e cortar milhares de empregos no setor público.

Na noite deste domingo, Macron escreveu no Twitter: “Mais uma vez, a República foi atacada com extrema violência - seus guardiões, representantes e símbolos.”

O governo de Macron endureceu a postura contra os “coletes amarelos” depois que o movimento pareceu ter perdido força durante o feriado de Natal.

Na sexta-feira, o porta-voz do governo Benjamin Griveaux disse que a administração não cederia em sua busca por reformas para reformular a economia, marcando protestantes remanescentes que tentavam derrubar o governo.

Vinte e quatro horas depois, ele deixava o escritório pela porta dos fundos, conforme manifestantes invadiram o pátio e destruíram vários carros. “Não fui eu quem foi atacado”, disse depois. “Foi a República.”

Por trás da revolta está a raiva, principalmente entre os trabalhadores mal pagos, em relação ao aperto nos salários e uma crença de que Macron é indiferente às necessidades de cidadãos ao avançar com reformas consideradas pró-empresariado e a favor dos mais ricos.

O governo de Macron tem sido abalado pelos tumultos e foi pego de surpresa em novembro, quando os “coletes amarelos” começaram a bloquear estradas, ocupando pedágios de rodovias e encenando violentas invasões de Paris e outras cidades nos fins de semana.

Passados dois meses, a administração ainda não encontrou uma forma de aliviar a raiva dos “coletes amarelos” e atender às demandas, que incluem salário mínimo mais alto, uma democracia mais participativa e a renúncia de Macron.

Sem um líder claro, as negociações com o grupo têm sido difíceis.

 

 



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