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Missão
Haiti
Viagem
Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti
Porto
Príncipe - Ser correspondente militar é um desafio
e ao mesmo tempo uma honra para qualquer jornalista. Integrar
uma missão militar na condição de jornalista
"embedded" também têm seus méritos,
principalmente quando os militares que acompanhamos são
nossos compatriotas e estão a serviço da Organização
das Nações Unidas, hasteando nossa bandeira
em território estrangeiro e usando seu braço
amigo em prol da construção da paz num país
onde reina a guerra.
A força militar da Missão das Nações
Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH)
é comandada pelo General-de-Divisão Urano Teixeira
da Matta Bacellar. Possui um efetivo de 7269 capacetes azuis,
destes 1050 são brasileiros. Conhecer in loco o trabalho
da força de paz brasileira no Haiti foi a nossa missão.
Partimos da Base Aérea do Galeão num Boeing
KC-137, popularmente conhecido como sucatão, do Esquadrão
Corsário da Força Aérea Brasileira (2°/2°GT).
A aeronave
comandada pelo Coronel-Aviador Eduardo levava uma comitiva
de jornalistas e oficiais-generais. O avião é
um Boeing 707 adaptado para uso militar. Na FAB, além
de transportar tropas e carga, é usado para reabastecimento
em vôo. Ao contrário do que muitos dizem, voar
nesse gigante é muito confiável, com uma tripulação
bem treinada e pronta para qualquer imprevisto. Seus sargentos
realizam um excelente serviço de bordo. Não
falta nada. A aeronave é preparada para operar com
o mínimo auxílio de terra, quando em pouso.
Pernoitamos em Manaus, onde no dia seguinte a nós se
juntou a última parte do 4º contingente, um pelotão
da Companhia de Engenharia e Construção de Força
de Paz. Os militares do Exército Brasileiro que são
lotados em Santarém (PA) não escondiam a ansiedade
de chegar ao país caribenho. Sabem que a missão
é difícil e também o que os espera lá.
"Nossa missão não é somente promover
uma melhor infraestrutura para os haitianos, mas também
auxiliar no que for possível para se construir a paz
entre eles", disse um soldado.
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Vista
Aérea do Haiti
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Aeroporto
de
Porto Principe
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Coronel-aviador Eduardo
e a
tripulação do KC-137
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Quem vê o Haiti do céu se assusta. Um país
de imensas montanhas onde raras são as árvores
que ainda continuam de pé - a maioria delas foi cortada
para produzir carvão. Rios secos descem das montanhas
num ambiente que lembra alguns lugares do continente africano,
semelhança essa que não pára por aí.
Após mais de três horas de vôo, o KC-137
aterrissa na Capital Porto Príncipe, cidade onde se
encontra nosso efetivo. Imediatamente após a operação
de táxi, o avião é cercado por militares
brasileiros e guatemaltecos. Um perímetro de segurança
já havia sido formado e atiradores estavam estrategicamente
posicionados. Embarcamos num caminhão da ONU e em comboio
fomos levados ao hotel. É no trânsito caótico
dominado pelos Tap-taps - o meio de transporte característico
- onde carros trafegam pelas calçadas para fugir dos
engarrafamentos e as pessoas ficam nas ruas por que não
têm trabalho é que temos uma impressão
real do que é o Haiti . Com o esgoto correndo à
céu aberto e montes de lixo jogados nas esquinas, Porto
Príncipe têm um cheiro nada agradável,
mas não muito diferente de algumas cidades brasileiras.
Mesmo com todas essas dificuldades, vemos no semblante de
cada haitiano um desejo de mudança, uma esperança
de que bons dias virão.
O correspondente de Defesanet esteve no Haiti para acompanhar
as tropas brasileiras em mais essa missão de paz, conhecer
como é seu dia-a-dia, seus anseios, receios e dificuldades,
trazendo para perto àqueles que longe trabalham, ostentando
a bandeira do Brasil e levando a segurança, a justiça
e a alegria em prol da reconstrução de uma nação
amiga, debilitada pela ausência de recursos naturais,
de uma economia, saneamento básico, educação
e espírito de união nacional.
Intensos
combates ainda ocorrem em determinados bairros da cidade,
mas um exemplo de que a situação tende a melhorar
é Bel Air. Cenário de violentos embates e um
dos locais mais perigosos do país, graças a
um contínuo trabalho de vigilância, conscientização
e combate ao crime realizado pelo Batalhão Haiti do
Brasil, hoje se pode andar com mais tranqüilidade, inclusive
dispensar o tradicional capacete e colete à prova de
balas. Mesmo vivendo na mais absoluta miséria, as crianças
cercam os jornalistas e militares, gritam como nós
"Brasil" e saem correndo felizes com as bolachas
do Brasil e da ONU que retiram dos uniformes dos nossos soldados.
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