O Jornalista
Kaiser Konrad viajou ao Haiti e as reportagens serão publicadas na
Série Especial
Missão Haiti

Kaiser Konrad

Matérias publicadas na Reportagem Missão Haiti

1ª - Viagem
13 Dez 05
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2ª Entrevista Comandante Veppo, Grupamento Fuzileiros
15 Dez 05
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3ª Entrevista a UNPOL
Capt Osório
20 Dez 05
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4ª Cia E F Paz
26 Dez 05
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5ª Patrulha
30 Dez 05
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6ª Entrevista Comandante Batalhão Haiti
Cel Inf Santiago
13 Jan 06
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7ªFinal - Retorno
28 Jan 06
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8º A Função do Intérprete
06 Abr 06
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O EE-11 Urutu
pronto para a patrulha noturna em Bel Air. Observar a proteção adicional ao atirador
da metralhadora na torre do veículo


Mesmo com a falta
de iluminação, a população permanece na rua à noite. O que torna a missão mais difícil, pelo risco envolver a população, caso seja necessário usar o armamento.


Equipamento de visão noturna em uso por membros da patrulha.




Reportagens Defesa @ Net
Missão Haiti

Defesanet 30 Dezembro 2005
Atualizado 31 Dez 05

Exclusivo Defesa @ Net

Missão Haiti
Patrulha

Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti

Porto Príncipe- Haiti:

06/12/2005
00:45 Zulu

Participantes da patrulha, todos os membros da PE no Haiti, também usam a pistola 9mm.



Na Base Bravo do Batalhão Haiti os militares estão sempre em alerta. Ao caminhar por ela se vêem uma série de viaturas estacionadas; Land Rovers e veículos blindados de transporte de tropas Urutus armados e de sobreaviso, prontas para entrar em serviço. O comando das operações recebeu a informação de que tiros haviam sido ouvidos em Bel Air, uma favela que no ano de 2004 foi um dos locais mais perigosos do país, mas que hoje inspira um clima de maior tranquilidade, graças ao intenso trabalho realizado pelo Exército Brasileiro.

Imediatamente após o acionamento das patrulhas, um Land Rover e dois Urutus são mobilizados. Os jornalistas embarcam nos blindados e tentam arranjar algum espaço onde se posicionar. Me instalo na parte traseira do veículo, assim posso ter uma visão mais ampla. De pé, ao meu lado, tenho um soldado completamente equipado: colete à prova de balas, algemas, rádio de comunicação e fuzil. Dividimos o espaço com mais seis militares. Todos fortemente armados, sendo que um deles, o que fica na torre sobre a viatura, está com uma metralhadora 7,62 mm. Antes de partir, um oficial nos dá uma série de instruções sobre como devemos nos comportar durante toda a patrulha: em caso de tiroteio todos devem entrar e permanecer sentados, sob a proteção da blindagem do Urutu, já que os militares vão resolver rapidamente o problema.

Começa nossa patrulha. As ruas estão praticamente desertas, a única coisa que se ouve são os roncos do motor diesel dos blindados. A capital haitiana não possui iluminação pública, o que dificulta minha visão, mas que em nada interfere no trabalho dos militares que estão equipados com óculos de visão noturna e, atentos para responder de forma enérgica qualquer imprevisto.

Cerca de quinze minutos andando pelas ruas de Porto Príncipe, chegamos em Bel Air. Ruas estreitas e sem calçamento abusam da habilidade dos motoristas. Sem dificuldade alguma, nossos blindados transpõem os obstáculos e sobem o morro. Antes de qualquer curva uma Land Rover faz o reconhecimento, seus militares estão posicionados e alertas. Passamos por um posto avançado do Exército onde paramos para um soldado embarcar.

A cada curva a expectativa de uma possível surpresa
A população de Bel Air observa a passagem da patrulha brasileira. Uma rápida decisão a ser feita: um atirador ou um simples e curioso cidadão.
O grupo precursor realiza o reconhecimento a cada curva no trajeto da patrulha.


Continuamos vagarosamente percorrendo as vielas de Bel Air. Estou com a impressão de estar subindo uma favela no Rio de Janeiro, impressões como essa, que me acompanharam durante todo o tempo que fiquei no Haiti. De repente estalos são ouvidos. As viaturas param e soam uma breve sirene. O soldado posicionado na torre de um dos blindados, com um holofote na mão, começa a iluminar a sacada das casas em busca de algum atirador, um clima de tensão fica no ar.

Decidimos seguir em frente. Vejo muita preocupação no rosto do soldado que está ao meu lado, ele aponta seu fuzil para a escuridão, de sua testa escorrem gotas de suor, a tensão é muito grande. Dez minutos depois novos estalos - que parecem tiros - são ouvidos quando estávamos prestes a passar por um cruzamento. Novamente as viaturas param e os militares que estavam na Land Rover descem e vão em direção de onde estes sons vieram. Iluminam todo o local, mas nem sinal de criminosos ou rebeldes. Um dos soldados diz que eles podem estar escondidos por entre as casas ou posicionados sobre seus telhados. Três militares sobem à pé uma rua enquanto os demais fazem cobertura. Fuzis apontados para todas as direções, dedos ao lado do gatilho prontos para disparar ao menor sinal de uma emboscada, o inimigo pode estar nos observando, em qualquer lugar. Mais vez não era nada.

Para os soldados da minha viatura aquela foi uma noite calma. Nem sinal de criminosos ou rebeldes. "Mas não é sempre assim; outras tantas vezes recebemos fogo direto, inclusive tivemos que colocar sacos de areia e arames sobre o blindado para ampliar nossa proteção", afirma um soldado. Adaptação semelhante a que os americanos fizeram em suas viaturas no Iraque.

Depois de mais de uma hora, decidimos retornar à Base Bravo. Um misto de alegria e satisfação toma conta dos militares, que deveriam pensar: "nosso serviço está feito, vamos sair logo daqui". Na descida da favela, o comboio passa por um Urutu que subia só, Bel Air, talvez atrás daqueles que deixamos passar.

As patrulhas são realizadas inúmeras vezes durante um período de 24 horas, cumprem as mais diferentes missões ordenadas pelo comando da MINUSTAH.

O IV contingente realizou, desde 28 Nov 05, data em que assumiu a Zona de Ação aqui no Haiti, em total de 1020 patrulhas (motorizadas, mecanizadas e a pé); deste total 2/3 das mesmas foram diurnas, o que dá uma média diária de 34 patrulhas (escoltas são computadas separadamente), com 11 sendo noturnas.

Sec Com Soc do Btl Haiti
Porto Príncipe - 30 Dez 05 - Haiti
Tripulação do Urutu, usando o holofote, para localizar possíveis atiradores.
Uma BTR-80A APC em uso pela força de Sri Lanka. Enquanto a Força Brasileira retirou as metralhadoras .50 dos Urutu outros países mantém o equipamento original, no caso da
BTR-80A, um
canhão de 30mm
.
A noite, como é
vista do interior de um Urutu

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