O Jornalista
Kaiser Konrad viajou ao Haiti e as reportagens serão publicadas na
Série Especial
Missão Haiti

Kaiser Konrad

Matérias publicadas na Reportagem Missão Haiti

1ª - Viagem
13 Dez 05
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2ª Entrevista Comandante Veppo, Grupamento Fuzileiros
15 Dez 05
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3ª Entrevista a UNPOL
Capt Osório
20 Dez 05
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4ª Cia E F Paz
26 Dez 05
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5ª Patrulha
30 Dez 05
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6ª Entrevista Comandante Batalhão Haiti
Cel Inf Santiago
13 Jan 06
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7ªFinal - Retorno
28 Jan 06
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8º A Função do Intérprete
06 Abr 06
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Fotos do Autor



Grupo de fuzileiros que garantiram a escolta do correspondente de Defesa@Net no deslocamento ao Grupamento Operativo FN - Haiti

Detalhe de um FN



Parque de viaturas empregadas pelos Fuzileiros no Haiti



Viatura 5 Ton UNIMOG reconhecido pelos Fuzileiros como mais adaptado às demandas operacionais do Haiti.



Viatura 1/2 Ton Toyota, o cavalo de batalha dos Fuzileiros no Haiti

Caminhão Frigorífico distribuição de gelo


Foto do Rancho. As condições de apoio são fundamentais nas palavras do comandante fuzileiro



Sentinela na
Base do
Grupamento dos FN

FNs em patrulha

 




Reportagens Defesa @ Net
Missão Haiti

Defesanet 15 Dezembro 2005

Exclusivo Defesa @ Net

Missão Haiti
Entrevista com o Capitão-de-Fragata(FN)
Marco Antonio Veppo dos Santos,
comandante do Grupamento Operativo de
Fuzileiros Navais - Haiti


Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti

A Marinha do Brasil integra o Batalhão Haiti através do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais. A unidade comandada pelo Capitão-de-Fragata Marco Antônio Veppo dos Santos é composta por 15 oficiais e 200 praças e fuzileiros. Seu quartel general está localizado ao lado do Aeroporto Internacional François Duvalier, nas proximidades do QG da MINUSTAH, do hospital militar argentino e das bases militares guatemalteca e chilena.

Para conhecer o trabalho dos Fuzileiros Navais no Haiti, Defesanet esteve em Porto Príncipe onde entrevistou com exclusividade o Comandante Veppo.

Defesanet: Quais são as principais tarefas de responsabilidade dos FNs no Haiti?
Veppo
: Realizamos escolta de autoridades; possuímos um serviço estático na região onde fica o Primeiro-Ministro; temos um check-point no aeroporto, onde identificamos quem possui armas e se têm autorização para o porte delas, pois a constituição do país permite determinados tipos de armas desde que o proprietário possua uma permissão válida. Vêm acontecendo de encontrarmos uma série de armamentos ilegais. Quando isso acontece, realizamos o procedimento padrão e recolhemos ao Batalhão Haiti, nosso comando superior. Realizamos também patrulhas e escolta de comboios. Nessa semana acompanhamos o comício de um candidato a presidente. Aconteceu em Pétion-Ville, uma área nobre da cidade que está sob nossa responsabilidade. Quando virou showmício nós retornarmos à base já que a missão era exclusivamente conduzir e proporcionar segurança para a área do comício. A nossa área de atuação é de quase 1500 km², maior que o município do Rio de Janeiro. Entretanto, isso é dificultado por termos um efetivo insuficiente para cobrir todo esse espaço. O Exército Brasileiro têm praticamente quatro vezes nosso efetivo para uma área de atuação de apenas 25km². Obviamente isso é apenas um dado, porque se formos avaliar a área que eles têm em termos de segurança e instabilidade, é muito menor do que a nossa. Embora nossa área seja grande - rural inclusive - isso não causa tamanha intranqüilidade quanto à área que o Exército ocupa. Mas cada caso é um caso. Os nossos militares vêm muito motivados porque estamos exercendo nossa profissão e representando muito bem nosso país. Todos são voluntários e nosso objetivo aqui é passar os seis meses de forma harmoniosa e fraterna com os haitianos, as forças estrangeiras e com o Exército Brasileiro, com o qual temos uma ligação muito forte e um apoio muito grande. Por exemplo: Nós temos a melhor borracharia da ilha. Eu apóio aqui a MINUSTAH e o EB, sempre dando preferência para nosso Exército. Em compensação, eles possuem uma Companhia de Engenharia de Força de Paz que faz asfalto e brita e que neste momento está asfaltando uma parte da nossa base. É aquele jogo de amizade e companheirismo característico do brasileiro e que estamos travando bem aqui.

Equipamento típico de um Fuzileiro Naval no Haiti. A arma M16, 5,56mm difere do FAL do Exército, que emprega munição 7,62mm.
Muitos fuzileiros são equipados com o Lança-Granada M203, 40mm, acoplado ao seu M16. Observar foto da escolta com os dois FN em cima da Toyota.
Foto Escolta


Defesanet: Na MINUSTAH, como é a integração do Exército Brasileiro com a Marinha do Brasil?

Veppo: Essa integração tem sido positiva. Embora todos sejamos militares, mas oriundos de forças armadas diferentes, não se consegue de uma hora para outra mudar pensamentos, atividades e doutrinas. O Exército tem uma comunicação e um tipo de equipamento que é diferente do nosso, mas excluindo todas essas diferenças, que são tradicionais, a nossa integração tem sido muito boa.

Defesanet: Quais são as principais dificuldades na relação entre as duas forças no Haiti?
Veppo: Umas das dificuldades que identifico é o fato de termos armamentos e munições diferentes, embora cada um tenha a sua própria logística. Com o passar do tempo a gente vai sentindo a necessidade de unificar isso, e vejo que por essas e outras coisas é que foi criado o Ministério da Defesa, pois ali há representantes das três forças que procuram se ajustar em frente às diferenças e o processo de planejamento militar de cada uma. Por exemplo: missão na Marinha, é Tarefa + Propósito, já no Exército é de outra forma. São coisas que ao longo do tempo deverão se adequar. Mas nosso espírito de união é muito forte. Acabamos de receber uma visita do Ministério da Defesa, os generais que aqui estiveram saíram muito satisfeitos, pois viram o empenho com que os fuzileiros navais têm ao desempenhar qualquer tarefa. Mesmo pequenos em número, somos grandes na vontade de cumprir o dever da melhor forma possível. Aqui só temos pessoas selecionadas, que passaram por um treinamento muito intenso e estão preparadas a desempenhar a missão.

Defesanet: Como são as relações com os contingentes estrangeiros?
Veppo
: Nós ainda não tivemos contato com uma força jordaniana que é nossa vizinha de zona de ação. Tenho contato extremamente positivo com os guatemaltecos, chilenos e argentinos, contingentes com bases ao redor da nossa. Coloquei a eles que aqui possuem portas abertas. Não faço nada diferente dos três contingentes anteriores. Aqui tenho uma borracharia e gelo, e sempre que precisarem estaremos sempre disponíveis.

Defesanet: Os equipamentos usados têm respondido bem no desempenho da missão?
Veppo: Nosso fuzil M-16 é excelente. De fácil emprego, tem uma precisão muito boa e é leve. Fazendo a manutenção preventiva ele atende perfeitamente a necessidades. No caso das viaturas, nossa dificuldade é mínima. Enquanto o Exército já perdeu ou quebrou seus caminhões Mercedes-Benz, de rodagem em estrada normal, o nosso é um caminhão de QT - Qualquer Terreno - e foi comprado especificamente para atividades no campo. As nossas Toyotas são espetaculares, não param nunca.

Defesanet: Qual era a expectativa antes de vir ao Haiti e agora?
Veppo: Eu estava ganhando da Marinha do Brasil um grande reconhecimento. Eles me disseram que eu estava fazendo o que poucos conseguiram; comandar no combate. Muitos pensam que sou louco. O que você quer naquele lugar, o dinheiro não compensa. Claro que compensa, o soldo que se ganha aqui ajuda bastante, tenho uma esposa e três filhos. Sinto-me privilegiado por poder estar aqui e comandar em combate. Estou vibrando com a missão. Agora, aqui, digo aos meus subordinados que não viemos ao Haiti para sermos heróis. Devo ser herói somente para os meus filhos Larissa, Marcos e Vinícius. Meu dever juntamente com minha tropa é contribuir para estabilização do país, aqui a situação é muito complicada. Devemos ajudar a população e ao mesmo tempo controlar nossos próprios ânimos porque às vezes nos deparamos com situações críticas e já queremos partir para a defesa, mas tenho que estar sempre travando. O fuzileiro naval, se não tiver alguém para segurar suas rédeas, ele vai para o combate. Nós viemos cumprir nossa parte profissional, representar nosso País, nossa Marinha de Guerra e o Corpo de Fuzileiros Navais, sempre obedecendo às regras de engajamento da ONU, que cada militar deve obrigatoriamente saber.

Defesanet: Como é a alimentação?
Veppo:
Como esse é o 4º Contingente, procuramos fazer algumas adaptações típicas de uma organização militar de Marinha do Corpo de Fuzileiros Navais. Um exemplo é o rancho. Aqui é excelente. Sempre digo aos meus subordinados que aqui comemos melhor que em nossas casas. A comida é saborosa e abundante.

Defesanet: Qual a mensagem que deixa para a família do seu subordinado?

Veppo: Aqui vivemos em um ambiente familiar, todos são respeitados e tem a capacidade de interagir com sua casa - cada um pode falar por telefone cerca de 7 minutos diários com o Brasil - e só vou começar a me sentir bem quando saber que meus subordinados estão se sentindo dessa forma. São seis meses que vamos aproveitar ao máximo, temos cinema, internet, futebol e churrasco. Com certeza quando retornarmos ao Brasil teremos muitas histórias para contar aos nossos filhos e o dinheiro que ganhamos aqui vai melhorar um pouco mais a vida de cada um.

Defesanet: Qual seria a principal reivindicação que você faria?

Veppo: O que eu vejo que deveria ser feito, inclusive já coloquei em questão, mas aparentemente não avançou, é o seguinte: Será que seria possível ter vôos para o Brasil com aeronaves da Força Aérea Brasileira que possam levar aqueles que estão de folga? A FAB mantém vôos regulares de apoio logístico. Se eu pudesse enviar os militares de licença de volta ao País e trazê-los ao Haiti após 15 dias, isso faria um bem sem igual e aumentaria ainda mais o moral da tropa. Esse seria o meu pedido.

Antes do Haiti, o Comandante Veppo foi observador militar da ONU na Cróacia, entre novembro de 1996 e fevereiro de 1998. Em 2 de janeiro de 1997, durante uma patrulha, a viatura Cherokee que estava capotou e quase tirou sua vida. Atualmente é comandante do 3° Batalhão de Infantaria dos Fuzileiros Navais - Batalhão Paissandu - e do Grupamento Operativo dos Fuzileiros Navais
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