O Jornalista
Kaiser Konrad viajou ao Haiti e as reportagens serão publicadas na
Série Especial
Missão Haiti

Kaiser Konrad

Matérias publicadas na Reportagem Missão Haiti

1ª - Viagem
13 Dez 05
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2ª Entrevista Comandante Veppo, Grupamento Fuzileiros
15 Dez 05
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3ª Entrevista a UNPOL
Capt Osório
20 Dez 05
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4ª Cia E F Paz
26 Dez 05
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5ª Patrulha
30 Dez 05
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6ª Entrevista Comandante Batalhão Haiti
Cel Inf Santiago
13 Jan 06
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7ªFinal - Retorno
28 Jan 06
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8º A Função do Intérprete
06 Abr 06
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05Dez05 - Base Bravo - Porto Príncipe - Passagem de Comando Batalhão Haiti. A última solenidade oficial brasileira que teve a presença do Gen Div Bacellar - Force Commander da MINUSTAH (ao centro). Na ocasião o Cel Adilson Mangiavachi passou o comando ao Cel Luiz Augusto de Oliveira Santiago.



Ação Civico Social realizado no dia
28 Dez 05




07Jan06 - Operação Retorno - Cité Militaire

07Jan06 - Coronel Santiago (ao centro) Comanda tropa em operação no bairro de Cité Militaire. Ao lado militares brasileiros e Cingalêses ( Sri Lanka)
Operação RETORNO, em Cité Militaire, no mesmo dia do falecimento do Gen Bacellar, Operação que não foi interrompida


Operação Retorno
em Cité Militaire



Cel Santiago, e sua guarda, durante operação na Cité Militaire



Operações Barba Branca e Retorno, as maiores ações do
IV Contingente até o momento.

Reportagens Defesa @ Net
Missão Haiti

Defesanet 13 Janeiro 2006

Exclusivo Defesa @ Net

Missão Haiti
Batalhão Haiti

Entrevista com o Comandante do Batalhão Haiti,
Cel Inf Luiz Augusto de Oliveira Santiago

Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti

Nota: Entrevista realizada na primeira semana de janeiro de 2006

"O Comando de uma Unidade é sempre um objetivo a ser alcançado por qualquer oficial. Além disso, some-se o fato de tal Comando ser de uma tropa no exterior, representando suas Forças Armadas e cumprindo uma missão real, porquanto embora Missão de Paz, a mesma oferece riscos, devido à situação do país. Digo tudo isso, para resumir que é uma honra muito grande e uma responsabilidade, maior ainda, estar aqui no Comando do Batalhão".
Cel Inf Luiz Augusto de Oliveira Santiago

 

Em solenidade militar realizada na noite de 05 de dezembro de 2005, na Base Bravo do Exército Brasileiro, em Porto Príncipe, aconteceu a troca do comando do Batalhão de Infantaria de Força de Paz - Batalhão Haiti.

Na ocasião o Cel Adilson Mangiavachi passou o comando ao Cel Luiz Augusto de Oliveira Santiago.

Ao ser nomeado Comandante do 4° contingente, o Cel Santiago estava servindo no Comando Militar do Sudeste, em São Paulo. Natural de Itapetininga (SP), ele têm 50 anos, 35 deles dedicados ao Exército.

Para apresentar de forma mais detalhada as atividades realizadas pelo Batalhão Haiti e a importância do Brasil manter um efetivo militar na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, o Cel Santiago concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Kaiser Konrad do Defesanet.

Defesanet - Houve dificuldade do IV Contingente em adaptar-se ao Teatro de Operações (TO) do Haiti? Muitos dos procedimentos adotados nesse TO são específicos. A adaptação da tropa foi fácil?
Cel Santiago
- Não houve grandes dificuldades, em virtude de termos sofrido uma preparação bastante intensa, com o apoio de militares que já passaram por aqui, em contingentes anteriores. Além do que, o afluxo de notícias recebidos do contingente anterior nos prepararam, sobremaneira, para a missão no país. É natural que haja uma adaptação ao terreno de operações, que durou cerca de duas semanas, aproximadamente. Hoje posso dizer que meus homens já são "veteranos" na missão, muito embora reconheça que ainda há 5 meses pela frente.

Defesanet - A passagem das tarefas do III ao IV contingente transcorreram de forma esperada?
Cel Santiago
- É sempre um momento crítico, já que há a rotação de todo um contingente, mas a vinda, no destacamento precursor, da totalidade do meu estado-maior e dos comandantes de subunidade foi altamente válida para que a transição se processasse a contento. Fomos bem recebidos pelo contingente que saía e esperamos fazê-lo, ainda melhor, para o próximo.

Nota Redação: Sempre quando há a troca dos contingentes, as milicias rebeldes promovem uma série de ataques às tropas da ONU, com o objetivo de testar a capacidade e disposição de luta da tropa que está chegando.

Defesanet - Quais as maiores dificuldades ao assumir as ações no Haiti?
Cel Santiago - Foi, como já disse anteriormente, a adaptação ao terreno de operações, já que nosso treinamento foi muito bem conduzido. Não houve, portanto, maiores dificuldades.

Defesanet - Desde que chegou no Haiti, quais foram as principais ACISO ( Ação Cívico Social) realizadas pelo IV contingente?
Cel Santiago - Durante cada operação militar que realizamos nos bairros, particularmente Bel Air e Cité Militaire, sempre procuramos realizar, ao término da mesma, uma Ação Cívico-Social (ACISO), com o objetivo de mostrar à população que nossa ação visa, justamente, a protegê-la e apoiá-la. Ainda, no final de 2005 realizamos um pacote de ACISOs denominado "Feliz 2006" em três áreas distintas de atuação do Batalhão. É sempre reconfortante ver o sorriso de uma criança recebendo uma pequena lembrança de Natal ou, ainda, uma família podendo ser atendida por médicos e dentistas da Unidade.

Defesanet - Qual foi a primeira ação crítica do IV contingente? Como aconteceu isso?
Cel Santiago - Bem, ação crítica começa ao se desembarcar no Haiti, pois aí já passou o período de preparação e se inicia a missão real, com os riscos de que já falei anteriormente. Posso citar que meu momento crítico neste início de missão, como Comandante, durou até 23 de dezembro quando, após pequenas operações no nível Companhia, realizamos a Operação Barba Branca que colocou cerca de 500 homens em Cité Militaire e foi coroada de sucessos, tanto no nível tático, quanto numa visão da MINUSTAH.

Defesanet - A principal força estrangeira que o Brasil mantém contato no Haiti é a da Jordania. Como é a relação com eles? Os tropas dos dois países realizam operações conjuntas?
Cel Santiago - As relações, como não poderiam deixar de ser, são muito boas, tanto no nível pessoal em todos os escalões, quanto no fato de sermos unidades que integram uma mesma missão da ONU, tendo a boina azul a nos identificar. Quanto ao trabalho operacional, estamos desenvolvendo, sob orientação do Sector Commander, esforços conjuntos para aumentar o resultado de nossas atuações. Já tivemos a oportunidade de receber oficiais dos batalhões jordanianos que vieram assistir operações nossas.

Defesanet - Como é a relação entre a PNH (Polícia Nacional do Haiti) e o Btl Haiti?
Cel Santiago - A relação é muito boa. Uma das minhas diretrizes de comando foi o apoio e o respeito que devemos ter para com a PNH, uma vez que é o único segmento institucional do estado haitiano que responde pela segurança pública. Da mesma forma, temos recebido total apoio da mesma.

Defesanet - Que experiências o Exército pode trazer do Haiti e que poderão ser úteis em missões semelhantes no Brasil e no Exterior?
Cel Santiago
- Talvez esta missão, pela sua intensidade, tempo de duração, distância e volume de tropa empenhado, seja a maior experiência de atuação real das forças armadas brasileiras no período que se segue à Segunda Guerra Mundial. Desnecessário dizer o ganho que as mesmas obtêm desta missão. Mas poderia citar que o apoio logístico prestado pelo Brasil ao Batalhão, colocando-se aí cerca de 5 mil km, ou mais, de distância de nossas bases e o fato de estarmos criando uma geração de futuros chefes militares, experimentados no dia a dia de uma missão real, são os maiores ganhos obtidos.

Defesanet - Como está o moral dos militares brasileiros que estão no Haiti?
Cel Santiago - O moral está muito bom. Somos homens voluntários e selecionados para esta missão, cumprindo o destino profissional que nos trouxe aqui. Além do que, com ação de comando, em todos os níveis, camaradagem e outros valores militares que cultuamos, fica fácil conduzi-los, superando eventuais dificuldades surgidas.

Defesanet - Porque no início da missão, a designação da tropa brasileira era de brigada e hoje é batalhão?
Cel Santiago
- Tal resposta seria melhor dada pelo Ministério da Defesa, uma vez que desconheço as razões exatas. O que posso adiantar é que o Batalhão sempre existiu desde o primeiro contingente, subordinado à Brigada. Esta foi extinta, juntamente com a Base Administrativa da mesma, na mudança do segundo para o terceiro contingente. Em seu lugar, mantendo o total de pessoal brasileiro na missão foi instalada a Companhia de Engenharia de Força de Paz.

Defesanet - Como tem sido o desempenho do equipamento brasileiro, em especial das viaturas Urutu e do Fuzil FAL?

Cel Santiago - As viaturas do Batalhão são muito boas e têm correspondido ao que delas se espera. No tocante ao armamento FAL, que é muito bom diga-se, acho, em minha opinião particular, que poderia ser feito um estudo de dotar a Unidade com o calibre 5.56mm, de menor tamanho, peso e alcance útil para este tipo de missão.

Defesanet - Está em uso o novo fuzil da Imbel MD97 5,56mm?
Cel Santiago - Não.

Defesanet - Qual tem sido o desempenho dos Urutus equipados com as pás recebidos recentemente?
Cel Santiago
- Ainda não foram testados para esse tipo de ação. Mas acredito que, se necessário, responderão adequadamente.

Defesanet - Quais têm sido os principais dificuldades enfrentadas pelo Batalhão Haiti no desempenho da missão de manutenção da paz?
Cel Santiago - Creio que a maior dificuldade é o risco inerente a cada saída em patrulha ou missão. A saudade de casa e dos familiares também é um obstáculo a ser superado.

Defesanet - Como é a relação com os contingentes sul-americanos, em especial do Uruguai, Argentina e Chile?
Cel Santiago - Muito boa. Existe uma identidade cultural entre os países sul-americanos. Ainda que a língua não seja exatamente a mesma, é mais fácil arranhar o portunhol - de ambas as partes - do que o inglês oficial da missão ou o creóle das ruas haitianas. A única divergência fica por conta do futebol, numa salutar brincadeira entre os contingentes.

Defesanet - Quais as principais ações empreendidas pelos militares da unidade de operações especiais do EB no Haiti?
Cel Santiago - Não há uma unidade específica de operações especiais aqui no Batalhão. Há militares, ocupando cargos no estado-maior ou nas subunidades que possuem diversos cursos de especialização, como oficial de comunicações (meu caso), oficial de educação física e alguns que possuem cursos de comandos e forças especiais. Estes auxiliam provendo seu conhecimento específico em prol da unidade, até mesmo treinando nossos soldados.

Defesanet - Embora o IV contingente estivesse só há um mês no Haiti, como foi a passagem do Natal e Ano Novo?
Cel Santiago
- Desde que nos preparamos para a missão, sabíamos que estaríamos aqui nessas duas datas. Previ, em função da distância dos familiares, que seriam momentos difíceis a superar. Para minha grata surpresa, afora os que estavam diretamente empenhados nos pontos fortes ou de serviço, conseguimos realizar eventos em que conjugamos cerimônias religiosas, ceias bem preparadas e, acima de tudo, muita união e alegria, com direito a árvore de natal gigante e tudo. Creio que a "família" do Batalhão esteve bastante unida.

Defesanet - Qual mensagem que você deixa às famílias dos militares que se encontram no Brasil?
Cel Santiago -
Deixo a mensagem da união que permeia nossa tropa, confiança e fé em nossa missão. Peço que os familiares sempre orem por nós, para que Deus continue velando por nosso pessoal. Com fé n'Ele, retornaremos em junho com a alegria do reencontro e com a certeza do dever bem cumprido.

Momento lúdico do Batalhão Haiti. Um EE-11 Urutu enfeitado com lãmpadas de Natal.

 

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Em entrevista ao Defesanet o Comandante Veppo, do Grupo Operativo dos Fuzileiros Navais no Haiti, menciona a questão logística de ter dois calibres diferentes nas Forças Brasileiras operando no Haiti. Os fuzileiros com o M16, 5,56mm e o EB com o FAL, 7,62mm.

 

 

 

 

 

 

 
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