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Missão
Haiti
United Nations Police
Entrevista com Capitão Tales Américo Osório,
Brigada Militar (RS)
Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti
A
United Nations Police reúne policiais de diversos países.
No Haiti, sua missão é apoiar a força
militar das Nações Unidas no reestabelecimento
e manutenção da paz. Com histórica participação
em guerras e enviando observadores militares em missões
de paz da ONU, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, uma
das mais tradicionais organizações das polícias
militares do país, também se faz presente no
Haiti.
Defesanet
esteve na capital do Haiti onde entrevistou com exclusividade
o Capitão Tales Américo Osório.
Defesanet:
Como surgiu o convite para integrar a Missão das Nações
Unidas para a Estabilização do Haiti?
Capitão
Osório:
O Comando de Operações Terrestres do Exército
(COTER) organizou uma prova que reúne oficiais representantes
de todas as forças policiais do país. Os Majores
e Capitães aprovados são habilitados para participar
de missões de paz. Eu fui selecionado para trabalhar
no Haiti.
Defesanet:
Qual foi o treinamento realizado para participar dessa missão?
Capitão
Osório: Eu me formei em 1998 e já possuo
o treinamento de quatro anos da Academia de Polícia
Militar. Além disso, servi no Batalhão de Operações
Especiais (BOE), em Porto Alegre, onde adquiri a experiência
policial em situações de alto risco. Para participar
de missões como esta, não é necessário
um treinamento especial, já que o serviço que
realizamos aqui é muito semelhante ao trabalho já
realizado no Brasil.
Defesanet:
Quando chegou ao Haiti?
Capitão
Osório: Cheguei em 1° de novembro. Participei
de uma instrução que durou uma semana. Nela
foram ministradas aulas sobre a história do Haiti,
a missão e reconhecimento dos locais de atuação.
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Capitão
Tales Américo Osório, Brigada Militar do
Rio Grande do Sul, uma das mais tradicionais organizações
das polícias militares do país. |
Defesanet:
Onde você trabalha?
Capitao
Osório: Na UNPOL (United Nations Police) trabalho
na seção de Inteligência, onde faço
análise criminal. Coleto dados de várias unidades
da ONU e faço um relatório estatístico
destinando à prevenção e combate ao crime.
Em certas ocasiões a UNPOL juntamente com o Exército
Brasileiro realiza saídas à campo para reconhecimento
da área e da população e que possuem
a finalidade de saber quais são os principais problemas
de segurança naquelas áreas.
Defesanet:
Como é realizado o trabalho de Inteligência?
Capitão
Osório:
Eu sou Analista de Inteligência. Quando acontecem problemas
relacionados a atividades criminosas, faço um trabalho
de investigação e coleta de informações.
Tenho uma rede de contatos que incluem a Polícia Nacional
do Haiti e membros das unidades anti-sequestro da UNPOL e
também com os contingentes militares da MINUSTAH. Com
base nessas informações, são feitos relatórios
que servem para dar subsídios ao Comando combater ações
criminosas.
Defesanet:
Qual seu armamento pessoal?
Capitão
Osório: Para minha segurança utilizo a pistola
0.40, que é o armamento padrão da Brigada Militar
do Rio Grande do Sul.
Defesanet:
Como é a sua relação como povo haitiano?
Capitão
Osório: É excelente. Por ostentarmos a bandeira
brasileira somos muito bem recebidos. Caminhando pelas ruas
ou em supermercados, quando somos reconhecidos como brasileiros
a população torna-se muito receptiva.
Defesanet:
A Brigada Militar é o Exército do Rio Grande
do Sul. Como é ser o único representante da
mais tradicional força policial do país?
Capitão
Osório: O contingente de policias brasileiras é
composto por cinco policiais, um deles de cada Estado. Sou
o único representante da Brigada Militar. Aqui eu ostento
a bandeira do Brasil, é meu país e estou à
serviço dele. Não preciso nem dizer quem sou
e de onde venho. Carrego em meu uniforme o símbolo
da Brigada Militar, uma polícia que no Brasil é
muito reconhecida, respeitada e valorizada; todos os policiais
que aqui estão sabem: um brigadiano deve ser respeitado.
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