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Base brasileira na Antártida tem
a primeira grande reforma
Marinha liberou R$ 2,7 milhões para a obra
da sucateada Estação Comandante Ferraz, instalada
em 1984
Ricardo
Westin
O
Ary Rongel, navio oficial do Programa Antártico Brasileiro
(Proantar), zarpa amanhã do Rio para sua viagem anual
ao continente gelado. Os 22 cientistas a bordo, que farão
pesquisas ligadas principalmente às mudanças
ambientais e climáticas do planeta, encontrarão
um gigantesco canteiro de obras.
Os
operários da Marinha, na Estação Comandante
Ferraz desde o início do mês, são um alento
para a ciência nacional. A presença do País
na Antártida estava seriamente comprometida por causa
da falta de verbas.
Erguida
em 1984, a base nunca havia passado por uma grande reforma.
Os problemas se acumularam: o piso está cedendo, as
paredes estão sendo corroídas pela ferrugem,
as duas câmaras frigoríficas são insuficientes,
os veículos são danificados pela neve porque
não existe garagem, os laboratórios estão
obsoletos e o sistema de aquecimento tem sérios defeitos.
Esse
sucateamento levou a Marinha a iniciar uma reforma de emergência.
Mesmo com o Orçamento apertado, adiantou R$ 1,2 milhão
das verbas do ano que vem, que se juntará ao R$ 1,5
milhão deste ano.
Esses
R$ 2,7 milhões serão aplicados na primeira fase
das obras, que se estenderão até março.
Se não começassem agora, só poderiam
ocorrer daqui a um ano. O período de trabalhos externos
vai de outubro a março, quando o clima é menos
frio.
A
preocupação com as condições da
estação se justifica. A principal condição
para que um país se fixe na Antártida é
a realização de pesquisas científicas.
O
orçamento do Proantar neste ano foi de R$ 3,5 milhões,
para infra-estrutura e pesquisas. Para engrossar essa verba
'carimbada' do Orçamento federal, a Marinha (que cuida
da infra-estrutura) e o Ministério da Ciência
e Tecnologia (responsável pelas pesquisas) são
obrigados a tirar dinheiro de suas próprias contas
e a firmar convênios, por exemplo, com o Ministério
do Meio Ambiente.
A
Marinha liberou o dinheiro mesmo não estando o Proantar
sob sua responsabilidade exclusiva - é um programa
interministerial. Iniciada a obra, a Ciência e Tecnologia
acenou com a possibilidade de usar seus fundos setoriais para,
a curto prazo, ressarcir a Marinha e, a longo prazo, reforçar
as pesquisas.
Apesar
de as dificuldades se arrastarem por anos, o aceno foi dado
na semana passada. Pesou a pressão das deputadas Maria
Helena (PSB-RR) e Ann Pontes (PMDB-PA), da Comissão
da Amazônia, que voltaram horrorizadas de uma visita
à estação.
Em
busca de verba, procuraram toda a Esplanada dos Ministérios
e até o Planalto.
A
expectativa é que a Ciência e Tecnologia libere
R$ 10 milhões anuais até 2008. E que, a partir
de 2009, com os problemas resolvidos, sejam dados R$ 6 milhões
por ano, para manutenção. Além disso,
o ministério estuda construir um navio-laboratório,
para substituir o desgastado Ary Rongel, cuja manutenção
anual custa R$ 2 milhões.
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