COBERTURA ESPECIAL - PROSUPER - Naval

05 de Maio, 2015 - 04:00 ( Brasília )

Estaleiro Atlântico Sul - Injeção de R$ 100 Milhões



Renata  Agostini
Julio Wiziack


Os acionistas – as empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão e a japonesa IHI Marine– avaliam uma injeção de R$ 100 milhões na empresa na tentativa de poupá-la da recuperação judicial, segundo apurou a Folha.

Responsável por contratar estaleiros para construir sondas para a Petrobras, a Sete Brasil havia encomendado ao Atlântico Sul sete navios-sonda, mas parou de pagar em novembro do ano passado.

O contrato foi rescindido quatro meses depois. Sobraram para o estaleiro dívidas de R$ 1,5 bilhão com fornecedores das sondas.

Um acordo com a empresa é considerado central para impedir que o estaleiro tenha de buscar proteção da Justiça contra os credores.

Há pouco mais de um mês, os sócios aplicaram cerca de R$ 50 milhões no estaleiro, mas o rombo nas contas continuou. A dívida soma cerca de R$ 3 bilhões, e o caixa não chega a R$ 200 milhões mesmo após corte de gastos e a demissão de trabalhadores.

As empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, ambas envolvidas na Operação Lava Jato, querem evitar a recuperação judicial. Elas temem o efeito do pedido sobre outros negócios. Há receio de que bancos restrinjam ainda mais o crédito e credores fiquem impacientes.

Por outro lado, ambas já despejaram milhões no estaleiro desde que foi criado, em 2005, e não há mais clareza do retorno que terão com o investimento.

Caso a injeção emergencial seja realizada, o estaleiro ganhará mais tempo para tentar receber algo da Sete Brasil –o Atlântico Sul calcula que tenha a receber de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões.

Um acerto entre as duas companhias, porém, pode demorar. Primeiro, a Sete Brasil precisa concordar com o valor (nos cálculos da empresa, ela deve menos). Segundo, é preciso haver dinheiro para pagar ao estaleiro.

Desde que a Sete Brasil foi citada na Lava Jato, o BNDES travou a liberação de um empréstimo para a empresa, que ficou também sem recursos em caixa.

BNDES

A situação do Atlântico Sul é preocupante para o BNDES, que responde por um terço do que deve o estaleiro na praça. Entre 2007 e 2012, o BNDES concedeu diversas linhas de financiamento ao empreendimento. Parte dela foi quitada, mas ainda há cerca de R$ 1 bilhão em aberto, apurou a Folha.

Mesmo se escapar da recuperação judicial, o Atlântico Sul não sairá imune da atual crise. O estaleiro tem em sua carteira 17 navios encomendados pela Transpetro –subsidiária da Petrobras encarregada do transporte de petróleo e derivados. Os navios-sonda da Sete Brasil, contudo, representavam mais de 60% das receitas futuras da empresa (veja quadro).

Procurado, o Estaleiro Atlântico Sul afirmou que estuda "diferentes alternativas de reestruturação" e "por ora a recuperação judicial não está sendo considerada". Disse ainda que os acionistas "têm suportado o estaleiro dentro de suas possibilidades".

O BNDES afirmou que todas as operações com o Atlântico Sul foram estruturadas com garantias adequadas.