COBERTURA ESPECIAL - Prosub - Naval

01 de Março, 2013 - 21:56 ( Brasília )

Defesa em Debate - UFEM e o PROSUB: desafios e conquistas da MB

Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas e o PROSUB: desafios e conquistas da Marinha do Brasil


 

Nam et ipsa scientia potestas est
 
Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas e o PROSUB:
desafios e conquistas da Marinha do Brasil

 

 

Fernanda Corrêa
Enviada Espcial de DefesaNet

Historiadora, estrategista e pesquisadora do
Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.
fernanda.das.gracas@hotmail.com

 



Hoje, dia 1º de março, a Marinha do Brasil inaugurou a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), no município de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Estiveram presentes na cerimônia de inauguração, a Presidenta da República, Dilma Roussef, o Ministro da Defesa, Celso Amorim, o Comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto, o Comandante do Exército, Enzo Peri, o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o prefeito de Itaguaí, Luciano Mota, e diversas autoridades civis e militares do Brasil e da França.
 
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) é um empreendimento naval que, por meio da parceria com estatal francesa  DCNS e a empresa privada brasileira Odebrecht estão tornando possível o sonho de o Brasil projetar submarinos convencionais e nucleares, em território nacional. 
 
Assim que a Presidente Dilma chegou, no helicóptero presidencial, ao local onde estão construindo a Base e o Estaleiro de Submarinos, foi recebida por diversas autoridades e funcionários da Odebrecht e DCNS, em um palanque montado para que assistissem o vídeo-maquete atualizado sobre a construção da Base e do Estaleiro. Numa área de 320 mil m², serão construídos dois píeres de 150 metros e três docas com 170 m de extensão. A profundidade local é de 12 m. No mapeamento de resíduos neste local, haviam sido identificados, dragados e bombeados 330 mil m³ de materiais contaminados, entre eles mercúrio e vanádio. Em parceria com o IBAMA, esses materiais sofreram processos químicos, foram drenados e retidos, liberando de volta para a baía de Sepetiba água limpa. Esta etapa mencionada e o túnel que liga a área norte a área sul também já foram concluídas. 
 
Logo depois, a comitiva presidencial foi encaminhada as instalações da UFEM, onde foi realizada a cerimônia de inauguração. Esta Unidade é a primeira fase da obra, a qual será seguida pela construção da Base e do Estaleiro Naval.
 
Em sua exposição ao público presente na cerimônia, o Comandante Moura Neto apresentou o PROSUB, ressaltando a importância de o Brasil, com este empreendimento, passar a ser o 6° país no mundo a projetar, construir e operar submarinos convencionais e nucleares. A UFEM usufrui de uma área de cerca de 90 mil m² e se encontra há um pouco mais de 2Km de distância da Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP). A proximidade com esta empresa foi estratégica, a medida que, enquanto a Nuclep fabrica as sessões cilíndricas que constituirão os corpos dos submarinos, a UFEM fabricará estruturas internas mais leves. Em sua estrutura, esta Unidade é constituída por um prédio principal, 13 oficinas de montagem de componentes, um almoxarifado, e uma Escola de Soldagem. Esta obra demorou dois anos e quatro meses para ser construída.
 
Em seu pronunciamento ao público, Dilma ressaltou que a indústria de defesa brasileira é uma indústria do conhecimento, a medida que a transferência de tecnologia garantirá a difusão do conhecimento e, segundo ela, é exatamente, este ponto que diferencia a indústria de defesa brasileira das indústrias de defesa dos outros países. De acordo com presidenta, um país desenvolvido significa um povo desenvolvido. Este empreendimento naval é complementar ao desenvolvimento nacional, a medida que um de seus maiores méritos é a formação de pessoal capacitado e soldadores especializados. Dilma reforçou que esta é a maior contribuição que este empreendimento naval garantirá para a soberania brasileira.
 
Coletiva de Imprensa
 
O Comandante Moura Neto participou de uma coletiva de imprensa logo após o encerramento da cerimônia de inauguração da UFEM. A proa e o casco do primeiro submarino convencional brasileiro está sendo construída na França. A construção está dentro do prazo previsto e a previsão de entrega é 2015. Após serem concluídos os testes e provas de mar, a previsão de entrega ao setor operativo da MB é 2017. De acordo com o Comandante da MB, o prazo de construção de entrega da França dos demais submarinos convencionais é um ano e meio para cada submarino.
 
Para a Escola de Projeto de Submarinos, inaugurada na França, em 2010, a MB já enviou 31 engenheiros e técnicos, divididos em dois grupos. Uma equipe francesa da DCNS se comprometeu a permanecer no Brasil por treze anos, até que o último submarino entre em operação na MB. De acordo com o Almirante Moura Neto, a conclusão do primeiro submarino com propulsão nuclear está prevista para 2023 e a entrega para o setor operativo, após também serem realizados os testes e as provas de mar está previsto para 2025. O cronograma de atividades do PROSUB está sendo conduzido dentro do prazo previsto.
 
Sobre o índice de nacionalização dos itens produzidos pelas empresas brasileiras, de acordo com o Comandante, é missão da MB garantir a nacionalização dos equipamentos, a formação e a capacitação de pessoal. Uma das maiores conquistas a participação de 180 empresas brasileiras produzindo 36 mil itens, o que significa um índice de 85% de nacionalização.  
 
O protótipo do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE) é permanente, em Aramar, e também será utilizado como local de treinamento para comandantes de submarinos.  
 
Sobre quantos submarinos a MB pretende construir, o Comandante afirmou que, na Estratégia Nacional de Defesa (END), está prevista a construção de 15 submarinos convencionais e 6 submarinos nucleares. O Brasil dispõe de 5 submarinos convencionais IKL. Ao passar a dominar a etapa de projeto, o Brasil disporá de expertise suficiente para pôr em prática o previsto na END, o que justifica o tamanho do empreendimento inaugurado hoje.
 
Sobre o navio-aeródromo São Paulo, a MB pretende mantê-lo operacional até 2028.
 
O Comandante da MB esclareceu que a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul) é a empresa que será responsável pelo gerenciamento e construção do projeto do submarino nuclear. Na verdade, a parte nuclear da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) foi transferida para a AMAZUL. A novidade é que já para este ano, está previsto o lançamento de concurso para praças e sargentos interessados em ser submarinistas. As áreas mencionadas pelo Almirante Moura Neto foram motores, comunicação interna e eletricidade.
 
O Comandante da MB demonstrou-se muito satisfeito com o orçamento naval de 2012, de 2013 e espera que continue assim.

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A DEFESA EM DEBATE - Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro: ciência, tecnologia, cerceamento e soberania nacional Julho 2012 Link

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