COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Defesa

22 de Setembro, 2017 - 10:25 ( Brasília )

Terremoto devastador e lições de vida marcam Exército no Haiti

Fenômeno natural deixa rastros de destruição no país, que sofre com a miséria e conflitos; militares da região conquistam coração do povo haitiano com gestos de solidariedade e partidas de futebol no período de folga

Danilo Alvim


Última chamada. Após 13 anos de missão no Haiti, as tropas brasileiras deixam o país com a bagagem da superação de um terremoto que devastou o país e o fio de esperança em uma nação castigada pela miséria e conflitos.

O contingente de militares brasileiros no Haiti, último que ainda estava no país, começa a chegar ao Brasil nesta sexta-feira (22) e tem previsão de se reapresentar aos seus batalhões na segunda quinzena de outubro.

A experiência vivida no Haiti mudou a vida dos militares, que presenciaram de perto a miséria e as dificuldades de uma nação em apuros. "Não tínhamos sábado, domingo e feriado. Por mais pobre que seja a região, a gente levava para lá um fio de esperança.

Nenhum lugar do Brasil pode ser comparado com a miséria vista no Haiti", disse o major Luiz Cláudio, comandante do Esquadrão de Fuzileiros Mecanizados no Haiti em 2012, que atuou na desmobilização de um dos batalhões afetados pelo terremoto dois anos antes.

O militar conta que os gestos de solidariedade e espontaneidade dos brasileiros conquistaram o coração do povo haitiano que fazia questão de reverenciar as tropas.

"Nos primeiros anos eram situações de conflito. Depois que veio a confiança dos haitianos. A gente era o único Exército conhecido como ´bombagai´, que significa gente boa em creóle, a língua falada no Haiti", disse o major.

A proximidade das tropas do Brasil com haitianos era tanta que nos dias e horários de folga, partidas de futebol eram disputadas entre eles. "Do mesmo jeito que a gente estava de manhã fazendo patrulhamento, à noite jogava bola com os haitianos".

Integrante do primeiro contingente do Vale no Haiti, Juliano Henrique Tirelli, 35 anos, que atualmente é soldado da Polícia Militar, atuou na Missão de Paz como cabo do 5º Batalhão de Infantaria Leve, no final de 2004.

Tirelli lembra do cenário de terra arrasada que se deparou ao chegar em Porto Príncipe, capital e maior cidade do Haiti."Estava um caos com muita violência e pobreza. Não tinha governante, emprego, infraestrutura. Somente alguns lugares tinham iluminação e esgoto. Não tinha água encanada", disse..