COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Defesa

06 de Julho, 2016 - 10:45 ( Brasília )

Defesa realiza estágio preparatório para militares do 25° CONTBRAS


O Ministério da Defesa (MD), por intermédio da subchefia de Operações de Paz, realiza essa semana estágio preparatório para os comandantes e oficiais de Estados-Maiores do 25° Contingente Brasileiro de Força de Paz da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah). São 30 militares da Marinha, Exército e Aeronáutica que participam do encontro.

Os integrantes da missão irão conhecer a estrutura do Ministério da Defesa, as atribuições em operações de paz, e receber informações sobre a situação política, econômica e social do Haiti.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Ademir Sobrinho, alertou sobre os conhecimentos técnicos repassados. “Esse estágio tem dois grandes objetivos: informar sobre toda a legislação, toda parte política e procedimentos para atuação no Haiti, além de apresentar os integrantes da missão e estabelecer desde já relações de amizade. Esse é o momento de manter relações firmes de camaradagem e confiança mútua”, concluiu Ademir.

O chefe de Operações Conjuntas (CHOC) do MD, general Gerson Menandro, deu boas-vindas ao grupo e falou sobre a importância da missão e seus treinamentos. “Vocês são privilegiados, o conteúdo que terão após a missão de paz, será muito mais rico. A nossa missão é a defesa da Pátria, acreditem na preparação que vocês estão iniciando”, disse o general.

Menandro também falou sobre o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB). “É um órgão de excelência que sempre inclui algo diferente na formação e preparo dos contingentes. Não tem contingente igual ao anterior. O Exercício Avançado de Operações de Paz (EAOP) que vocês vão fazer próximo à viagem, por exemplo, não será igual ao anterior, estará totalmente adaptado à conjuntura política, econômica e social que irão encontrar lá”, ressaltou.

O chefe de Operações Conjuntas acrescentou ainda que o Haiti vive hoje uma situação de muita instabilidade, com problemas eleitorais e situações econômicas relevantes. “Acreditem que vocês serão muito bem preparados. É uma oportunidade ímpar para exercerem a liderança e a capacidade de coordenação e controle. Preparem-se e preparem seus subordinados”, afirmou o general Menandro.

O conselheiro Christiano Sávio Figueirôa, da Divisão de Paz e Segurança Internacional (DPAZ) do Ministério das Relações Exteriores explicou a estrutura das Organizações das Nações Unidas (ONU) e alguns dos seus órgãos principais, como o Conselho de Segurança (CSNU), Assembleia Geral, Conselho Econômico e Social, Corte Internacional de Justiça e o Secretariado.

O Conselho de Segurança determina qual o mandato da Minustah, sua razão de ser e as tarefas básicas que os militares deverão exercer no Haiti. Já o Secretariado é um órgão responsável pela execução e dia a dia das atividades. Segundo Figueirôa, os militares brasileiros desdobrados por Operações de Manutenção da Paz (OMPs) estão divididos da seguinte maneira: 76% na Minustah, 21% na UNIFIL e 3% destinados a outras missões.

O conselheiro apresentou alguns desafios políticos atuais como a violência no país associada a disputas políticas e o desrespeito nas questões referentes às eleições presidenciais. “O desafio da Minustah é estar preparada para lidar adequadamente com as consequências de possível volatilidade política associada às eleições”, afirmou.

25°CONTBRAS

O Brasil possui tropas no Haiti desde de 2004. São quase 13 anos de missão com rodízios entre contingentes acontecendo a cada seis meses. O 25° CONTBRAS terá 970 militares. Desse total, 850 fazem parte do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (Brabat), composto por militares da Marinha, do Exército e da  Força Aérea. Complementam o efetivo total, 120 militares da Companhia de Engenharia (Braengcoy), do Exército. A grande parte deste contingente é de Recife (PE).

O Haiti tem uma área de 27.750 Km², aproximadamente do tamanho do Estado de Alagoas. O país possui 360 km de fronteira com a República Dominicana. Atualmente, é a nação mais pobre do hemisfério ocidental com uma população de 10,3 milhões de habitantes, sendo que 80% deles vivem na pobreza absoluta e a expectativa de vida local é de 60 anos. A língua oficial do país é o creole-dialeto que mistura as línguas africana, francesa, inglesa e espanhola.