COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Geopolítica

13 de Julho, 2011 - 10:39 ( Brasília )

Brasil debate menor presença militar em força de paz no Haiti

Uma das possibilidades em discussão é trazer de volta 900 militares enviados após megaterremoto de 2010. Em visita ao país, o chanceler Patriota diz a novo presidente que é preciso reforçar total de engenheiros e médicos

FLÁVIA FOREQUE - ISABEL FLECK

O Brasil defende uma redução do efetivo da Minustah no Haiti e apoia uma mudança do perfil das tropas que compõem a missão de paz das Nações Unidas no país caribenho.

Em conversa anteontem com o presidente do Haiti, Michel Martelly, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, se mostrou favorável ao reforço da presença de engenheiros e médicos na missão, em detrimento do contingente de infantaria da Minustah. A intenção é cada vez mais enfatizar a "dimensão civil" da missão, presente no Haiti desde 2004, após a queda do então presidente do país, Jean-Bertrand Aristide.

"Aparentemente a situação [de segurança] está sob controle [...] e poderemos eventualmente vislumbrar uma redução limitada dos efetivos", disse o ministro em entrevista em Porto Príncipe, capital do Haiti. No encontro de Patriota com Martelly, não se falou sobre prazos ou número de baixas da missão.

De acordo com o embaixador do Brasil no país, Igor Kipman, o que está sendo discutido é a redução do contingente brasileiro para a quantidade de militares que estavam no país antes do terremoto de 12 de janeiro de 2010. Até essa data, havia 1.266 brasileiros no país. Hoje, eles são cerca de 2.100, divididos em dois batalhões, com a responsabilidade de fazer a segurança e garantir a estabilidade na capital haitiana.

A ideia é que se chegue a um consenso no Conselho de Segurança da ONU antes de outubro, quando precisa ser renovado o mandato da missão de paz no país. A força militar da Minustah é liderada pelo Brasil.

Segundo o Itamaraty, é "natural" que se reflita sobre a permanência das tropas no país, mas o Brasil quer que essa seja uma decisão coletiva, que envolva os governos do Haiti e dos 16 países que compõem a missão de paz e o Conselho de Segurança.

"A preocupação do Brasil é que a presença no país seja uma presença desejada", disse o porta-voz do ministério, Tovar Nunes. A ideia é discutir também nos próximos dois meses como garantir que a ação dos militares no país seja cada vez mais voltada para ajudar no desenvolvimento do país, e não só para a segurança e a manutenção da paz.

"A Minustah já cumpriu o seu papel e continua cumprindo, mas não é para sempre. Uma missão tem por definição ser sempre temporária", afirmou um diplomata brasileiro.