COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Defesa

24 de Abril, 2013 - 23:13 ( Brasília )

BRAVO ! DefesaNet entrevista o General Santos Cruz

Republicação da entrevista de 2007 com o General Santos Cruz.


Matéria do Ministério de Defesa sobre a indicação do Gen Santos Cruz para o Comando da MONUSCO. Link



Bravo Santos Cruz!


O General-de-Divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz, teve reconhecido pela ONU a sua atividade no Haiti.O convite para comandar a Missão da ONU no Congo (MONUSCO) é um reconhecimento internacional a sua capacidade. A ação de Santos Cruz no Haiti foi uma inflexão, quase a passagem de ações de Manutenção (Chapter 6) para Imposição de Paz (Chapter 7).

Recém assumido o Comando da MINUSTAH o então  General-de-Brigada Santos Cruz comandou duas operações que significaram uma inflexão nas ações da MINUSTAH. No dia 24 de Janeiro de 2007 comandou a tomada da Casa Azul, em Cité Soleil. E no dia 09 de Fevereiro de 2007, com a Operação Jauru Sudamericano, uma demonstração de Imposição de Paz. Ação muito similar a que anos depois veríamos em vários momentos no próprio solo brasileiro, nas ações do Rio de Janeiro.  

Acompanhe a entrevista pelo General  Santos Cruz dada ao então correspondente de DefesaNet, Kaiser Konrad, em setembro de 2007, no Haiti.

O Editor



          Kaiser Konrad
                                                                           Enviado especial ao Haiti
Setembro 2007


O General-de-Brigada Carlos Alberto dos Santos Cruz é atualmente o Force Commander da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. O quarto militar brasileiro a ocupar esse cargo, tem sob seu comando um efetivo com mais de 7 mil soldados de diferentes nações.
 
Pai de família, infante, 55 anos, gaúcho de Rio Grande. Santos Cruz diz que sente saudade da sua terra e espera, em breve, poder servir em alguma Organização Militar do Rio Grande do Sul, Estado onde ainda não serviu. Antes de ser nomeado comandante da força militar da MINUSTAH, era Comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Cuiabá, Mato Grosso.
 
Segundo seus comandados, o general é um homem de pulso firme e decisão rápida que tem conquistado admiração dentro e fora da caserna. Desde janeiro, quando assumiu a  missão, já comandou uma série de importantes operações que resultaram em mudanças significativas na segurança do país, colocando, mais uma vez, o olhar atento de seus pares estrangeiros sobre o trabalho desempenhado pelos comandantes brasileiros no Haiti.
 
O General Santos Cruz recebeu o repórter de DefesaNet em seu gabinete, em Porto Príncipe, onde abordou alguns pontos importantes da missão.
 
Operação Blue House
 

Foi uma operação de grande magnitude onde houve intensa confrontação. O planejamento inicial teve o objetivo de tomar dos criminosos um local conhecido como “Casa azul”. Para isso, foi realizada no dia 24 de janeiro uma operação que ficou conhecida por “Blue House”. Este era um ponto extremamente importante  pois além de consolidar toda a ocupação militar já feita em Cité Militaire, dominava a rodovia Nacional 1, que é uma importante via de acesso à cidade e à Cite Soleil. Sempre que as tropas da ONU passavam pelo local eram recebidas por tiros. Também, haviam 23 trincheiras cavadas para impedir a entrada de blindados no local. Tomar a Casa azul era estratégico. Durante mais de 15 dias após a realização dessa operação, as tropas da ONU receberam fogo direto e muitas vezes pesado quando passavam pela região. É inadmissível que existam grupos criminosos que ataquem forças da ONU.
 
Jauru Sudamericano – A maior operação de combate já realizada no Haiti
 
Em 9 de fevereiro chegou a vez da Jauru Sudamericano, quando foi decidido ocupar toda  área ao redor da Casa Azul, objetivando extinguir os criminosos, que eram profissionais, estavam preparados e bem posicionados, tendo uma quantidade enorme de armamento e prontos para nos receber. Usamos todo o nosso pessoal disponível. A maioria dos militares era do Batalhão Brasileiro e tínhamos uma Cia. de blindados M113 da Jordânia, além de tropas peruanas, chilenas, nepalesas, bolivianas, paraguaias e uruguaias realizando atividades específicas. O hospital argentino foi posto em alerta e seus helicópteros sobrevoavam o local transmitindo imagens.  Uma operação com enorme complexidade e que resultou num grande sucesso.
 
Necessidade de engenharia
 
As pessoas precisam entender que a engenharia é um tipo de tropa que opera com equipamentos pesados, faz parte da tropa militar e sua função é trabalhar em proveito da tropa. Preparar terrenos, construir estradas e levantar bases. O trabalho da engenharia acontece no país inteiro. Também, podem ser realizadas obras destinadas à comunidade.Todos esses trabalhos têm um custo elevado, então temos que ter uma combinação entra a capacidade da engenharia com a disposição de uma fonte pagadora do trabalho. Não é só vontade de fazer. Temos que ter uma estrutura financeira, que depende da ONU e dos países doadores. Atualmente temos em operação duas companhias de engenharia, uma brasileira e outra chilena-equatoriana, que são suficientes para este momento da missão.
 
Futuro da parte militar da Minustah
 
Essa é uma questão muito interessante e que está sendo discutida nesse momento. Quando a situação está estável,  existe um raciocínio de que a missão está cumprida, mas não se dão conta de que esta estabilidade existe pela presença das tropas. Se sairmos a chance do problema retornar é grande e corremos o risco de perder tudo o que já conseguimos.O Haiti ainda não possui uma polícia totalmente pronta para assumir a segurança. De acordo com os avanços alcançados poderão ser realizadas mudanças tanto no efetivo como na configuração da missão. Mudanças essas que estão a  cargo do Departamento de Operações de Paz da Nações Unidas. A expectativa é de que alguma alteração possa ocorrer já a partir de outubro.
 
Susesso na missão
 
Não vejo nenhum segredo ou fórmula mágica para o sucesso da missão de paz no Haiti. As coisas são bastante simples. Nós devemos ter determinação e capacidade de enfrentar o desafio que está na nossa frente, sermos rápidos em nossas decisões e correr todos os riscos que se tem em função da decisão tomada.