O APAGÃO
DO DOUTOR RICARDO SEITENFUS
por Diego Casagrande
É triste ver
professores universitários tendo surtos de
apagão. Pois foi exatamente isso o que aconteceu
com Ricardo Seitenfus, doutor em relações
internacionais e diretor da Faculdade de Direito
da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria-RS).
Questionado por este jornalista sobre as Farc (Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia),
a qual – diga-se de passagem – ele próprio
criticava pelos seqüestros, Seitenfus fez questão
de dizer que o grupo bandoleiro não era mais
de esquerda e sim unicamente ligado ao narcotráfico.
E foi além.
Afirmou que a esquerda latino-americana havia se
distanciado das Farc. Lembrei a ele que Olívio
Dutra, então governador do Rio Grande do
Sul, recebeu um membro do grupo bandoleiro comunista
no Palácio de governo, como convidado oficial
do Estado. Seitenfus disse que não iria pronunciar-se
sobre o assunto. Questionei o motivo. O doutor disse
que não lembrava. Reiterei tratar-se de um
fato notório, público. Irritado, Seitenfus
questionou se eu tinha estado lá para fotografar
e lascou: "O entrevistado sou eu ou o senhor?".
Que feio doutor
Seitenfus.
Primeiro, se as
Farc não são de esquerda, por que
o interlocutor é Chávez? Vai ver pela
beleza... Segundo, ao tentar de forma obtusa negar
que os assassinos das Farc estiveram aqui no RS,
incensados pela esquerda que o doutor Seitenfus
tanto protege, o nobre doutor passa um péssimo
exemplo às gerações que o seguem.
Que o doutor tenha
amor, medo ou outro sentimento pelo PT e pela esquerda,
vá lá. É direito dele. Mas
tentar negar fatos notórios, irritadiço
pelas contradições de seu discurso,
fica parecido com as célebres manipulações
fotográficas de Stálin, onde personagens
sumiam como se a história pudesse ser reescrita.
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