 |
 |
| 26
Março 2009 |
| 12:15
Horas |
|
|
|
|
|
| |
|
|
|
|
|
 |
|
A integração
sul-americana e os conflitos do futuro
Gen
Ex R1 CARLOS ALBERTO PINTO SILVA
Comandou o CMS, CMO e COTER
“As
ameaças que não tardaremos a enfrentar
não podem ser facilmente categorizadas
como agressões de Estados; de fato, pela
primeira vez desde o nascimento do Estado, não
há mais necessidade de uma estrutura estatal
para organizar a violência em uma escala
devastadora para a sociedade” .(1)
Apesar do esforço que vem
sendo realizado nos campos político, econômico
e militar, as Américas, de um modo geral,
e a América do Sul, em particular, não
constituem uma comunidade regional nem um sistema
de defesa. Isso se deve, particularmente, às
grandes assimetrias e diferenças marcantes
de suas economias e sistemas políticos.
Temos observado, a cada dia com mais intensidade,
uma postura de confrontação com
relação ao Brasil, assumida pelo
Equador, pela Bolívia e pelo Paraguai,
apoiada na “estratégia da alternativa
bolivariana para as Américas”, de
Hugo Chaves, e contando com a simpatia de Cuba
e da Argentina.
Para conquistar apoio no Brasil para sua proposta
de mudanças nas regras em Itaipu, o governo
do Paraguai está investindo em uma estratégia
diplomática pouco comum. Aliados do presidente
e representantes diretos de seu governo têm
mantido contato com movimentos sociais brasileiros
e entidades sindicais para tentar difundir a idéia
de que aquele País tem, sim, o direito
a receber mais pela energia que vende ao Brasil
e que a dívida da obra da hidrelétrica
deve ser reavaliada. Estranhamente, encontraram
no Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST)
um aguerrido aliado pronto a encampar a sua causa
no Brasil.
“O
objetivo imediato de Lugo é duplo: de um
lado, ampliar a pauta de conversações
com Brasília - o que, em si, é legítimo;
e, de outro, dar curso a uma estratégia
de ‘guerrilha’, como revelou ao jornal
Valor um negociador paraguaio que não quis
se identificar”.(2)
Estaria o governo paraguaio, com
a sua ação multidimensional, lançando
mão de artifícios e de estratégias
identificadas como usuais na Guerra de Quarta
Geração (4GW )? (3)
Entre os diversos objetivos da 4GW, considerada
a guerra do futuro (4), está a alteração
da posição política do adversário,
pelo emprego não só dos sistemas
de armas mas de todas as redes disponíveis
(políticas, econômicas, sociais,
militares etc.).
Em outras palavras, esse tipo de conflito se caracteriza
pela mescla (indefinição, combinação)
das linhas entre o combate e a política,
entre o soldado e o civil, entre o Estado e entidades
não-estatais. Reconhece como campo de batalha
o conjunto de uma sociedade, incluindo a sua cultura,
buscando implodi-la, valorizando, em maior proporção
do que as gerações anteriores da
guerra, o papel das operações psicológicas
e o controle dos meios de comunicação
social.
“Trata-se
de uma forma evoluída da insurreição,
ou seja, segue a linha de orientação
de que uma vontade política superior, devidamente
aplicada pode derrotar potências econômicas
e militares mais poderosas” . (5)
Os antagonismos históricos
mal superados e “heranças”
de guerras passadas, entre outros aspectos, têm
sido explorados por governantes sul-americanos
da atualidade que, por intermédio de intensa
orquestração na mídia, procuram
apresentar o Brasil como uma nação
imperialista. Seu objetivo nos parece muito claro:
manter exigências absurdas nos campos político
e econômico, combinadas com campanhas bem
dirigidas para minar o moral nacional brasileiro.
São indícios da intenção
objetiva de preparar a opinião pública
nacional, regional e, até mesmo, extracontinental
para que aceite o desencadeamento de ações
previstas na 4GW.
É fundamental que estadistas, soldados,
políticos e diplomatas brasileiros compreendam
o que nos aguarda nas modalidades das guerras
do futuro. Caso contrário, continuaremos
nos preparando para lutar as guerras do passado
e correndo os riscos decorrentes do desequilíbrio
de forças preconizado pela 4GW.
Niterói-RJ, 03 de março
de 2009.
1 - BOBBITT, Philip. A Guerra e a Paz
na História Moderna: o impacto dos grandes
conflitos e da política na formação
das nações. Rio de Janeiro: Campus,
2003.
2 - MCLAREN, Esteban. O MST no papel de quinta-coluna.
In: Tensiones entre el Brasil y el Paraguay. Foro
de Discusión sobre Defensa de la publicación
Fuerzas de Defensa de la República Argentina
[on line]. Abril de 2008. [data da consulta: 03
de março de 2009]. Disponível em:
em:<http://fdra.superforos.com/viewtopic.php?p=30502#30502>.
3 - Sigla em inglês para Fourth Generation
War.
4 - De fato, a doutrina referente à 4GW
surgiu no final dos anos 1980. No entanto, se
tornou mais conhecida com as campanhas do Iraque
e do Afeganistão e em face dos recentes
(e atuais) ataques terroristas em diversas partes
do mundo
5 - FREIRE, Miguel.
A Funda e a Pedra. Jornal Defesa e Relações
Internacionais [on line]. Novembro de 2004. [data
da consulta: 03 de março de 2009]. Disponível
em:
http://www.google.com.br/search?hl=ptBR&q=a+funda+e+a+pedra+miguel+freire&meta=
|
|