BRASIL
Conjuntura Atual, Riscos e Oportunidades
Gen Ex R1 CARLOS ALBERTO PINTO SILVA
Comandou o CMS, CMO e COTER
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Brasil segue o seu caminho em direção
ao futuro. Na atualidade, desponta como um País
que, gradativamente, vem alcançando papel
de destaque no concerto das nações,
desfrutando do status de “superpotência
emergente” do Século XXI, ao lado,
por exemplo, da Rússia, da Índia e
da China.
A clara prioridade da Política Externa brasileira
é estreitar o relacionamento com os demais
Estados do seu entorno estratégico, enfatizando
o processo de integração regional.
Podemos delimitar o entorno estratégico do
Brasil como sendo a América do Sul, o Atlântico
Sul, a África Atlântica, a Antártica.
Nos últimos anos, a América do Sul
tem experimentado uma verdadeira reviravolta política,
decorrente da natural renovação do
poder em diversos países. Algumas medidas
tomadas por chefes de Estado produzem reflexos indesejáveis
nos interesses brasileiros, exigindo atenção
especial da Política Externa nacional, no
sentido de preservar a convivência fraterna
com os vizinhos.
2. ASPECTOS DA CONJUNTURA VIGENTE
As Américas, de um modo geral, ou América
do Sul, em particular, não constituem comunidades
regionais perfeitamente constituídas, nem
sistemas de defesa minimamente organizados. Isso
se deve, principalmente, às grandes assimetrias
e às diferenças marcantes entre suas
economias e seus sistemas políticos, apesar
do esforço que vem sendo realizado na busca
de uma melhor integração.
Ao Brasil interessa a integração dos
países da América do Sul que leve
à criação de um amplo e forte
mercado interno na região, com paz e prosperidade.
A consolidação do status de líder
regional depende do esforço do Brasil em
promover o entendimento e em contribuir para a prosperidade
de todos. Nesse sentido, o País vem procurando,
de uma maneira ou de outra, ajudar na atenuação
dos grandes desequilíbrios existentes entre
os Estados sul-americanos, por compreender que o
desenvolvimento de cada ator interessa à
região como um todo. Da mesma maneira, o
Brasil tem consciência de que o eventual surgimento
de “Estados falidos” no seu entorno
estratégico não lhe interessa, nem
interessa à região, que anseia pela
manutenção do ambiente de segurança
e prosperidade.
Ocorre que muitos obstáculos se apresentam
nesse caminho, podendo ser classificados como fatores
limitadores e pontos de estrangulamento da verdadeira
integração e desenvolvimento regionais.
Atualmente, temos assistido a iniciativas de confrontação
com relação ao Brasil por parte de
alguns países, tais como o Equador, a Bolívia
e o Paraguai, aparentemente apoiadas na estratégia
da “Alternativa Bolivariana para as Américas”,
do presidente venezuelano, e contando com a simpatia
de Cuba e da Argentina.
Ao estudarmos a atual conjuntura da América
do Sul, não devemos deixar de considerar
alguns importantes aspectos geopolíticos
regionais, entre os quais destacamos:
- o reposicionamento (novo
desdobramento) do eixo principal das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia
- FARC para o Sudeste daquele País, particularmente
no que se refere às regiões próximas
à fronteira com o Brasil;
- a reativação da 4ª Frota
da Marinha dos EUA, com área de atuação
no Atlântico Sul;
- o cerceamento, por parte do atual Governo
paraguaio, de direitos adquiridos por cidadãos
brasileiros que residem e trabalham naquele
País;
- a perseguição que vem sendo
sofrida por empresas brasileiras instaladas
na Bolívia e no Equador;
- o rearmamento desmedido da Venezuela, com
o apoio da Rússia, provocando um princípio
de desequilíbrio de poder na região;
- a fragilidade das interações
regionais; e
- os permanentes, e históricos, conflitos
territoriais e de fronteiras.
Sabemos que “entre países
não existe amizade, mas sim interesses”.
Trata-se de uma máxima antiga e confirmada
na prática. O Brasil defende que a sua
postura nas relações internacionais
deve se basear, essencialmente, na conciliação
e no entendimento, por acreditar que, em longo
prazo, os benefícios serão colhidos
equitativamente por todos.
Sua condição de país mais
“rico” da América do Sul tem
levado outros atores do seu entorno estratégico
à tentativa de sempre tirar vantagens no
relacionamento bilateral ou no âmbito de
organismos multilaterais.
Entendemos ser esse um preço alto demais
a pagar pela liderança regional...
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O entendimento e a conciliação,
importantes para a coesão, para o relacionamento
cordial e para a manutenção da paz
sul-americana, encontram no Brasil seu principal
artífice regional. Mas o País não
pode correr o risco de sacrificar os interesses
nacionais, ou o bem-estar do seu próprio
povo, em nome desse objetivo.
As Forças Armadas fazem parte do rol dos
instrumentos do poder nacional destinados a respaldar
posicionamentos assumidos por um Estado no âmbito
do sistema internacional. Quanto mais poderoso
um país, mais importante será o
seu papel no concerto das nações
e maior será a necessidade de um poderio
bélico suficiente para proteger seus interesses.
O poder de dissuasão tem mantido o Brasil
afastado de conflitos e lhe atribuído a
capacidade de intervir, politicamente, em crises
surgidas no seu entorno estratégico.
Portanto, o País não pode prescindir
da capacidade bélica dissuasória
de suas Forças Armadas, sob pena de perder
espaço no contexto político-estratégico
regional.
À medida que o mundo se torna multipolarizado,
e o poder mundial cada vez mais repartido entre
novos atores, o Brasil, devido ao seu grande potencial,
à sua importância geopolítica
e à sua liderança regional, poderá
desempenhar importante papel no âmbito do
sistema internacional.
Nosso País precisa, olhando para o futuro
que se aproxima rapidamente, assumir posturas
e tomar decisões que o levem a se firmar
como um poder global emergente, se apresentando
como alternativa para a construção
do equilíbrio estratégico na América
do Sul e, com isso, consolidando a sua influência
no entorno estratégico de seu interesse.
inserção
O momento é de refletir. Quais os melhores
caminhos para que o Brasil possa:
- de uma vez
por todas, consolidar a sua posição
de líder regional?
- em igualdade de condições, assumir
suas responsabilidades na divisão do poder
global ao lado da Rússia, da Índia
e da China?
Niterói - RJ, dezembro
de 2008.
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