12 de Junho, 2016 - 22:40 ( Brasília )

Pensamento

Comentário Gelio Fregapani - Nióbio


Assunto: Nióbio

 
Já temos quase garantida a retirada do corrupto governo petista, mas podemos cair nas mãos de outros corruptos e até de entreguistas, a soldo da Oligarquia Financeira Transnacional. Contudo, espera-se de bom, no novo governo que haja um freio na corrupção (devemos isto ao Sergio Moro) e que não se ceda mais aos grupos de pressão, que se auto intitulam "movimentos sociais" como o MST, CUT, UNE etc.  Basta fechar as torneiras das verbas públicas e reprimir seus atos criminosos.
     
Com 12 milhões de desempregados, é preciso urgente criar vagas de trabalho. Os economistas indicam remédios para recuperar a economia, uns amargos, outros até sob suspeita de rendição ao estrangeiro, pois a nova equipe econômica, muito mais séria do que a anterior, não evidencia vontade de baixar os juros nem de evitar a desnacionalização da indústria nem a da Petrobras, cuja criação e desenvolvimento nos custou muita luta e árduo esforço.
     
Se no caso da Petrobras necessitamos estar atentos para evitar a desnacionalização há outros setores importantes que ainda temos que recuperar e desenvolver. Existem vários, mas concentremo-nos por hoje no caso do nióbio. Este, usado em ligas com o aço o tornam mais leve e mais forte, resistente à corrosão, aos ácidos e às mais elevadas temperaturas e dão lhe a elasticidade e flexibilidade que o tornam moldável. As ligas são usadas vantajosamente na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética, na produção de turbinas dos aviões a jato, e equipamentos de foguetes. São essenciais para a indústria nuclear. Na indústria do petróleo compõem os tubos para condução de fluidos. Servem para fabricar cerâmicas eletrônicas, em lentes para câmeras e até joias. O próprio trem bala dependerá do nióbio em vários processos de sua montagem e implantação.
     
Um dado importante: detemos 98% das reservas conhecidas do “Nióbio” do planeta e no entanto quem estabelece as regras e os preços é a Inglaterra. Deste metal, se estabelecermos um preço justo quem sabe, com outros minerais nobres, possa dar estabilidade para a economia do nosso País como acontece com o Cobre no Chile, com a diferença que aquele país tem cobre mas não o monopólio do mesmo, como poderíamos ter com o nióbio, se fosse nacionalizado.
     
Na década de 70, sob um governo nacionalista, estudava-se a metalurgia do nióbio. Dizia-se então: senão conhecermos a metalurgia do nióbio teremos que vender o minério; na medida em que conheçamos a metalurgia venderemos o metal e as ligas, com valor agregado ao preço que impusermos e se for o caso podemos até vender centrais nucleares completas. Dessa época o único avanço: não há comercialização do minério bruto ou do concentrado de nióbio. O metal é vendido na forma da liga ferro-nióbio (FeNb STD, com 66% de teor de nióbio e 30% de ferro), agregando algum valor.
      
O resto do sonho ficou para trás, mas fica claro que o controle estrangeiro inviabiliza o desenvolvimento tecnológico e torna irrelevante o apoio governamental, pois as tecnologias só se desenvolverão em empresas no exterior.  A consequência é o não desenvolvimento da industrialização e mesmo certa regressão à produção primária, sempre com baixo valor agregado.
 
Passando da economia à geopolítica, o quase monopólio brasileiro da produção assusta outros países, pela dependência de um único fornecedor e todos tomam as providências a seu alcance. O Reino Unido (Inglaterra) saiu na frente e domina o comércio (se tem como certo o subfaturamento das exportações) os EUA, segundo WikiLeaks, inclui as minas brasileiras na lista de estratégicos para a sua sobrevivência e os chineses, japoneses e sul coreanos adquiriram por US$ 4 bilhões (e quantos mais por fora?) 30% do capital das minas de Araxá. A produção brasileira de nióbio está concentrada nas mãos de duas empresas: a CBMM, controlada pelo grupo Moreira Salles – fundadores do Unibanco – A CBMM, de Araxá, que exporta 90% do total, vende o produto às suas próprias subsidiárias no exterior e a Mineração Catalão de Goiás, controlada pela britânica Anglo American. Correm rumores de que nesse imbróglio teria o dedo do Zé Dirceu e que um dos delatores da Lava-Jato teria comentado que o Petrolão seria irrelevante quando fosse esclarecido o assunto do nióbio.
    
Atualmente, as jazidas de Araxá tem reservas estimadas para durarem mais de 200 anos, considerando a demanda atual. As reservas conhecidas no país aproximam-se de um milhão de toneladas, mas não há previsão de produção em outras jazidas como as do Amazonas e de Rondônia quer por estarem em reservas indígenas quer por estarem em razão das difíceis condições de produção, transporte e dos baixos preços oficiais e onde o contrabando não parece compensador. Suspeita-se sim é que muito do empenho das ONGs para estabelecer essas reservas indígenas e propugnar por sua independência se deve ao desejo de garantir o suprimento de nióbio pelo domínio de nações indígenas satélites. Consta que o então Presidente FHC tentou vender a jazida do Morro dos Seis Lagos –AM (com 90% das reservas conhecidas) pelo preço de um apartamento em Ipanema.
      
O nosso País detém praticamente todo o nióbio do planeta, mas este potencial é desaproveitado. O simples fato de termos a posse de 98% das reservas conhecidas deveria garantir ao Brasil o monopólio da comercialização,  mas a ausência da ação do Estado, apesar do crescimento da intensidade de uso do nióbio e das inúmeras possibilidades de aplicações, a relevância e valorização do mineral o governo não prevê qualquer abordagem específica para o nióbio dentro do marco regulatório da mineração nem há articulação ou política de desenvolvimento de um parque industrial nacional consumidor de nióbio.  Por outro lado, as exportações de ferro-nióbio contribuem para o superávit da balança e o metal é hoje o 3º item mais importante da pauta mineral de exportação, a preço vil, favorecendo o desenvolvimento industrial de outros povos em vez do nosso, o qual deveria ter o preço favorecido.

Temos portanto, mais uma oportunidade ímpar. Contudo, é bom lembrar que por ser usado apenas em ligas, a demanda não é tão grande e que uma grande alta no preço poderia incentivar a substituição do nióbio por produtos concorrentes e que por mais importante que seja o nióbio ainda não se compara ao ouro ou ao petróleo.
     
Vale lembrar a expressão do grande Bismark: " Riquezas naturais nas mãos de povos que não querem ou não possam utilizá-las deixam de constituir vantagens e passam a ser um perigo para seus possuidores."
 
Que Deus nos inspire a utilizar os recursos naturais que ele colocou na nossa terra
 
Gelio Fregapani