13 de Dezembro, 2015 - 12:30 ( Brasília )

Pensamento

Informe Otalvora - Maduro sem apoio internacional para desacatar resultados eleitorais


Nota DefesaNet,

Texto como publicado no Diario las Americas:

Maduro sin apoyo internacional para desacatar resultados electorales Link

O Editor

 

 

Edgar C. Otálvora
Analista
@ecotalvora



O impeachment e remoção de Dilma Rousseff ganhou velocidade nas últimas horas. O partio de oposição PSDB reuniu em Brasília, 10DEZ2015, seus líderes nacionais, parlamentares e governadores liderados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o p residente do partido Aécio Neves e o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. O PSDB decidiu promover o impeachment depois de avaliar que são dadas as condições políticas para alcançar os 342 votos na Câmara dos Deputados para abrir o processo contra Rousseff com a consequente suspensão temporária da Presidência.

O PSDB esperou meses para responder aos sinais vindos do PMDB, partido do atual Vice-Presidente seu líder Michel Temer, pela a substituição de Rousseff. Temer  manifestou sérias críticas à forma como Rousseff conduziu suas relações com o PMDB, em carta de 07DEZ2015, abrindo portas para o seu partido a deixar o governo.

A capital Brasília está repleta de rumores sobre deserções da base política que apoia Rousseff. Agentes políticos de alto nível se movimentam entre empresários paulistas e líderes partidários, costurando uma aliança que irá colocar Rousseff fora da presidência. Já há lista de ministros para formar o novo governo. Organizações da sociedade civil deverão começar a mobilizações de rua para pressionar a decisão dos parlamentares.

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Nicolas Maduro tende a isolar-se internacionalmente após se declarar em "contra-revolucionário" para o novo quadro político que emergiu das eleições legislativas na Venezuela, em  06DEZ2015. O Relatório Otálvora, de 05DEZ2015, alertou para a ameaça do Chavismo de reconhecer, mas não acatar a derrota eleitoral e que é exatamente o que está acontecendo na Venezuela.

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A derrota do oficialismo venezuelano nas eleições legislativas já era daa como certa pelos altos funcionários do Chavismo desde o início de outubro. Isto é demonstrado por várias fontes que conheciam o funcionamento interno do regime naqueles dias.  No Relatório Otálvora, de 19OUT2015, relatou que durante uma reunião na noite de 14OUT2015, entre Maduro e enviada da ONU, Susana Malcorra, da qual participou Diosdado Cabello, um loquaz Maduro falou do conflito não só com a Guiana (...), mas também  analisou a situação política interna na Venezuela mencionando  até mesmo a possibilidade do Chavismo perder as eleições parlamentares, de 06DEZ2015 ". As novas notícias chegadas desde de Caracas correram pela burocracia da ONU, em Nova York. A diplomata Malcorra, que naquela noite atuou como confidente das preocupações de Maduro, e que agora é a chanceler do novo governo argentino, foi descrita por Cabello, desde seu programa semanal televisado, de 09DEZ2015, como "agente da CIA".

A diferença de votos entre a oposição e o governo, e a formação da  Assembleia Nacional, foi realmente uma surpresa para a hierarquia do Chavismo e os líderes da oposição. Todas as sondagens eleitorais davam vantagem para a Mesa de la Unidad Democrática(MUD), mas apenas em simulações de cenários extremos surgia a possibilidade de a  oposição conseguir controlar maioria parlamentar.

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Maduro está seeguindo a reação de Hugo Chávez, quando em 02DEZ2007, perdeu o referendo convocado para uma extensa reforma constitucional. Ao anoitecer, de 06DEZ2015, quando já havia evidência de derrota, Chávez ordenou a desmobilização dos grupos paramilitares conhecidos na Venezuela como "coletivos" e "motorizados". O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, fez uma declaração televisionada, acompanhada pelo Alto-Comando, no qual ele anunciou que eram proibidas reuniões públicas até a tarde do dia seguinte. Enquanto isso, os militantes de Chávez, que lideram o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atrasaram a apresentação dos resultados das eleições até meia-noite, à espera de resultados de assembleias favoráveis e dar tempo para que o governo formulasse uma resposta. Após o lançamento oficial dos resultados que mostraram a vitória da oposição, Maduro fez uma apresentação no rádio e na TV, a partir do Palácio de Miraflores acompanhado pelos chefes do Chavismo e o ministro da Defesa, que reconheceu o resultado adverso, o que foi amplamente aplaudido pelos governos estrangeiros. Algumas horas mais tarde, quando os observadores eleitorais estrangeiros deixavam o país, Maduro e Cabello lançaram uma série de declarações que revelam a sua decisão de enfrentar, até mesmo no campo militar, o mandato popular que a Assembleia Nacional deu às forças da oposição. Em um ato de rua, às portas do Palácio de Miraflores, 09DEZ2015, no qual participaram  as tropas do batalhão que cuidam das instalações  presidenciais, Maduro instou o Chavismo a radicalizar a revolução. Em 10DEZ2015, ante os delegados de seu partido, Maduro disse que a derrota eleitoral foi parte de um "gope continuado de direita" e declarou o país em uma "crise contrarevolucionária".


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Os parceiros políticos estrangeiros do Chavismo não tem acompanhado a virulenta reação. Raul Castro meramente enviou a mensagem, em  07DEZ2015, em  pouco mais de duzentos caracteres, quase um tweet no qual ele felicitou
 
Maduro por reconhecer os resultados e disse laconicamente que "estaremos sempre com você". Em 11DEZ2015, o governo cubano publicou uma carta de Fidel Castro para Maduro no qual ele também felicitou-o pela sua mensagem de noite da eleição e disse que a China e a Rússia vão fazer "todos os esforços para (...) para contribuirem para o desenvolvimento pacífico da Venezuela". O líder dos Castro, lavou as mãos, colocou o futuro do regime do Chavismo nas mãos de Moscou e Pequim.

E o governo chinês, o principal credor do governo venezuelano já havia se pronunciado. Em 07DEZ2015, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hua Chunying, em seu briefing diário disse que a China "espera que a Venezuela possa manter a estabilidade e crescimento". O governo russo, o outro grande aliado político de Chávez, foi ainda mais explícito na rejeição de qualquer tentativa de ignorar a nova maioria parlamentar na Venezuela. O governo de Vladimir Putin, em um comunicado de seu Ministério das Relações Exteriores disse, 09DEZ2015, que "é impossível corrigir a situação (da Venezuela) sem um diálogo político efetivo, eficiente e coordenado por todos os campos da interação do poder. Nós expressamos a esperança de que o governo e o parlamento constitucional encontrem maneiras eficientes de trabalharem juntos para o bem do país e dos seus cidadãos ". Cuba, China e Rússia deixaram Maduro só em sua tentativa de marchar sobre o parlamento, agora sobre controle da oposição, em 05JAN2016.

O afastamento de governos estrangeiros já tinha começado antes da eleição. Colômbia, Paraguai e Peru tinham se recusado a participar da missão eleitoral enviada pela UNASUL, montada para dar apoio ao governo Maduro.


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Mauricio Macri ratificou após a sua eleição presidencial, que a Argentina exigirá, em 21DEZ2015, na reunião  presidencial semestral do Mercosul, as sanções ao governo Maduro pela a violação dos Direitos Humanos. Os resultados das eleições na Venezuela, permitiram a  Macri, a voltar atrás em uma ação judicial que poderia ter como resultado em um confronto precoce e indesejado com o governo brasileiro. Maduro, de qualquer forma,  qualificou Macri como um inimigo.


Evo Morales e Rafael Correa, aliados de Maduro, agora, curiosamente chamado de "centro-esquerda” nas notas da Agência Reuters, não hesitaram em assistir à posse  de Macri, em demonstração de pragmatismo político. Ambos viajaram para a Argentina no dia anterior à posse, em meio aos lamentps pela derrota de Maduro. Morales acompanhou Mcri em um jogo de futebol, 09DEZ2015, com a presença da chanceler argentina Malcorra, após o qual recebeu entusiasmado uma camisa do time Boca Junior.
Em seguida, Morales acompanhou Cristina Kirchner no último ato do governo na Casa Rosada, onde ela inaugurou um busto de seu falecido marido Nestor.


No dia seguinte, nos atos de inauguração contou com a presença de todos os presidentes da UNASUL, exceto Guiana, Suriname e Venezuela. Na cerimônia de cumprimentos, no Palácio San Martin, participou um funcionário da Embaixada da Venezuela na Argentina. Em contraste, Cuba enviou uma delegação de ministros para saudar o novo presidente argentino.

Do outro lado do Atlântico, o presidente brasileiro Lula da Silva, em um fórum organizado pelo jornal El Pais, em Madrid, acompanhado por Felipe González, disse em 11DEZ2015 "Maduro deve compreender que a democracia é assim. Não é ficar para sempre no cargo. Frase que não deixa de conter uma dose de cinismo.
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Cristina Kirchner poucas horas antes da troca do governo, adonou-se da conta de Twitter que até então era a oficial da Presidência Argentina. As ex-mandntária pretende seguir o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, que tornou a ferramenta ddo Twitter, sua principal arma atacar o governo de Juan Manuel Santos. Kirchner pretende continuar como chefe do peronismo com foco  em uma guerra implacável contra Mauricio Macri. Aos desejos da ex-mandataria uma tendência que começa a surgir no peronismo, que visa remover a marca do governo Kirchner. Apesar do boicote de Kirchner ao ato de posse de Macri, o candidato derrotado Daniel Scioli apareceu na cerimônia e realizou uma reunião formal, na Casa Rosada com Macri, em  11DEZ2015.