25 de Junho, 2013 - 00:30 ( Brasília )

Pensamento

A vigilância estatal nas redes sociais



André Luís Woloszyn
Analista de Inteligência Estratégica


Foi amplamente divulgado na imprensa nacional o monitoramento realizado por parte da Agencia Brasileira de Inteligência (ABIN) nas redes sociais no intuito de coletar dados e acompanhar a movimentação sindical de portuários em Pernambuco além das recentes manifestações populares que acontecem em todo o país.

Alguns, imediatamente tentaram estabelecer relação  com o que está ocorrendo nos EUA, o monitoramento da internet e das redes sociais pelos serviços de inteligência na busca de possíveis terroristas e ameaças a segurança nacional, por um sistema denominado PRISM, da Agência de Segurança Nacional (NSA) ação que tem, inclusive, o apoio da maioria da população estadunidense. Outros, defensores de teorias conspiratórias, chegaram afirmar que a atual crise brasileira poderá  ser aproveitada pelo Governo Federal para iniciar uma vigilância digital sobre seus cidadãos.

Trata-se de uma análise equivocada. É necessário ressaltar, que são procedimentos técnicos completamente diferentes. No caso brasileiro, há uma vigilância apenas superficial semelhante a uma clipagem eletrônica, que é uma síntese de matérias jornalísticas de interesse específico. São acompanhados nas redes assuntos pontuais direcionados, portanto, a um número reduzido de usuários pois o país não possui  tecnologia para desenvolvimento destes tipos de programas e sistemas mais complexos que são considerados segredos de estado pelos países que os detém.  

Para uma vigilância mais ampla, seria necessária uma autorização dos principais provedores de internet, como o Google, por exemplo, que não teria interesse em compartilhar alguns de seus arquivos com as autoridades brasileiras. No caso específico das redes sociais, estas já realizam este monitoramento de forma privada, bloqueando assuntos e situações que não se enquadrem em suas regras de divulgação. Há, também, empresas privadas especializadas em coletar e vender informações para qualquer pessoa ou instituição disposta a pagar,  sobre os mais variados assuntos.

Desta forma, a vigilância mais ampla, que permite a elaboração de perfis complexos está em poder da iniciativa privada internacional e disponível conforme seus interesses estratégicos, com certeza, não para o Brasil que atingiu uma marca fabulosa de 80 milhões de internautas com estimativas de crescimento em 100 milhões até 2014.   

De qualquer forma, os exemplos que estão se sucedendo podem ser um alerta para a necessidade de uma maior proteção das empresas privadas a  seus sistemas online e maior cautela entre os usuários de redes. Quanto valem  suas informações?