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textos de Merval Pereira
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e do futebol
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Soy loco
por ti, América
26 Dez 05
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Dirceu
versus Lula
O Globo 28 Dez 05
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Para a íntegra do relatório BRICS
emitido pela
Goldman & Sachs acesse:
Dreaming With BRICs: The Path to 2050 Íntegra do relatório
Brics Prestar atenção a página 13 do relatório.
600 kb pdf
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Defesanet
13 Agosto 2006
O Globo 12 Agosto 2006
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Mundo
perigoso
II
A
questão da Amazônia
Parte I , Parte II, Parte
III
Merval
Pereira
A
eventualidade de uma tentativa de invasão da Amazônia
é tratada como possibilidade real em diversos fóruns
estratégicos, inclusive dentro do governo. Recentemente,
o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo, do
PCdoB, enviou um protesto oficial ao secretário-geral
da ONU, Kofi Annan, devido a um livro de Pascal Boniface,
seu assessor para assuntos estratégicos, chamado
"A guerra do amanhã", onde, entre possíveis
cenários de guerra do século XXI, ele imagina
a invasão de uma coligação internacional
na Amazônia. O modelo seria ação da
Otan contra a Sérvia em Kosovo. Ele alega que se
o princípio sacrossanto da soberania nacional foi
removido em Kosovo para salvar alguns milhares de pessoas,
por que não seria removido se chegarmos à
conclusão de que salvar a Amazônia é
salvar a Humanidade?
Nesse
cenário, por volta de 2025 o ar estaria mais saturado
do que hoje, as temperaturas mais elevadas e a água
mais escassa. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo,
fez um protesto junto à ONU contra o que considerou
um incentivo a uma visão belicista, e ao desconhecimento
da Amazônia. Também a União Européia
embarcou num boicote à soja brasileira porque é
plantada na Amazônia.
Para
o pesquisador de assuntos militares Expedito Bastos, da
Universidade Federal de Juiz de Fora, o que poderia vir
agravar a situação na região seria
"um apoio externo que envolva uma superpotência
ou uma grande potência com interesses nas reservas
de água, petróleo e minerais existentes
na região e que estão se tornando escassos
ou mais difíceis em outras áreas, podendo
refletir em toda a América do Sul, e levar a conflitos
localizados envolvendo o Brasil e seus vizinhos".
O
professor Francisco Carlos Teixeira, de história
contemporânea da UFRJ, acha que os diversos cenários
internacionais mostram "a necessidade de haver uma
política de equipamento do Exército".
O Programa de Reaparelhamento e Adequação
do Exército Brasileiro prevê a necessidade
de cinco sistemas operacionais e duas inovações
básicas, segundo ele. Os sistemas operacionais,
que têm que "ser absolutamente atualizados
e reequipados", são os seguintes:
1)
Sistema de comando e controle, que organiza todas as unidades
espalhadas pelo território nacional. É um
investimento ligado a meios modernos de comunicação;
2)
um sistema de inteligência;
3)
sistema de manobra, através do qual você
pode deslocar uma tropa, uma brigada, um regimento devido
a uma emergência terrorista - seqüestro de
atletas americanos no Pan, ou um grupo de guerrilheiros
das Farcs que entre por Roraima;
4)
sistema de apoio de fogo para enfrentar um embate direto;
5)
uma artilharia de terra, um sistema de mísseis
capaz de impedir que uma força-tarefa estrangeira
se aproxime do território brasileiro.
Dentro
desse plano, é fundamental a implantação
de uma segunda Brigada de Infantaria da Selva, e a implantação
das brigadas de empregos estratégicos - só
existe uma, em Goiânia. O professor Domício
Proença Jr, da Coppe, acha que "o Brasil tem
discursado sobre a prioridade para a Amazônia, e
o Exército Brasileiro, em particular, tem deslocado
unidades para a região. Uma estimativa geral é
de que o Exército Brasileiro tem três ou
quatro, em breve quatro ou cinco, de suas 28 brigadas
na região".
Para
o pesquisador Expedito Bastos, da Universidade Federal
de Juiz de Fora, seria preciso fortalecer a Política
Nacional da Indústria de Defesa, "visando
à diminuição progressiva da dependência
externa em produtos estratégicos de defesa, desenvolvendo-os
e produzindo-os internamente". Muitos itens poderiam
ser produzidos em parceria com alguns países da
região e "atenderiam muito bem à necessidade
de todos, integrando e barateando os custos para produção".
Expedito
Bastos lamenta que sejamos vistos como potência
regional pelos nossos vizinhos, mas não exerçamos
essa condição. "Não investimos
em áreas que poderiam fazer a diferença
entre sermos respeitados e até temidos, não
como fator para expansionismo, mas como fator dissuasório,
para que no futuro evitemos aventuras desnecessárias
sobre as riquezas que por aqui existem, como petróleo,
água doce, minerais".
Já
o professor Nelson Franco Jobim, consultor de política
internacional, considera que "a possibilidade de
intervenção americana na Colômbia
e na Amazônia não passa de delírio".
Segundo ele, "a obsessão antiamericana chega
a ser doentia. Se vem aí um mundo multipolar, como
parece inevitável, porque na era da globalização
nenhum país isolado tem poder para impor sua hegemonia,
os EUA serão apenas um dos atores, o principal,
mas em declínio relativo, com o qual o Brasil pode
eventualmente se articular para enfrentar a expansão
da China. Por que os EUA são considerados eternos
vilões? A China será uma superpotência
benigna? Não existe isso".
O
secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro
Guimarães, preocupado com a situação
da Amazônia brasileira, acha que uma questão
essencial no Brasil de hoje é a reconciliação
entre certos segmentos da sociedade civil e as Forças
Armadas: "A proteção militar eficiente
para garantir a inviolabilidade das fronteiras e a segurança
das populações brasileiras que nessas regiões
habitam, assim como a enérgica recusa brasileira
a que se utilizem na Colômbia métodos de
combate às drogas e de erradicação
de plantações que possam vir a afetar o
ecossistema da Amazônia brasileira, devem ser prioridades
do governo e da sociedade brasileiros", afirma ele
em seu livro recém-lançado.
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