COBERTURA ESPECIAL - PCC - Gangues - Segurança

16 de Janeiro, 2017 - 10:05 ( Brasília )

O avanço do PCC

Maior facção criminosa do País se multiplica pelo território nacional e ganha força em Brasília, centro do poder

Ary Filgueira

O Brasil assistiu estarrecido às cenas de carnificina dentro dos presídios brasileiros, que tiveram como um dos protagonistas a organização criminosa PCC. Para além da brutalidade, os crimes revelaram uma nova característica assumida pelo grupo do líder criminoso Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que cumpre pena em presídio de segurança máxima: o PCC saiu das prisões e avança País afora. “Onde há a ausência do Estado, o crime organizado se fortalece”, diz o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) de Presidente Prudente (SP), uma das maiores autoridade no assunto.

Segundo ele, o PCC tem sete mil integrantes apenas em São Paulo, onde surgiu, mas de 2014 para cá, cresceu em números assustadores: pulou de três mil para aproximadamente 16 mil integrantes e passou a ter ramificações em praticamente todo o território nacional
.

Um dos Estados onde houve maior expansão foi Roraima, palco de outra matança. Cinco dias após as 56 mortes em Manaus que tiveram o PCC como vítima, 33 sentenciados perderam a vida em celas da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (RR) em uma vingança da organização paulista.

Segundo relatório de inteligência do governo do Estado, em 2013 a facção tinha 50 integrantes, mas esse número saltou para aproximadamente mil no ano passado. No Distrito Federal, centro do poder político, investigações da Polícia Civil apontam que o grupo começou a se instalar no fim de 2014 e também busca uma expansão.

Dados obtidos com exclusividade pela reportagem de ISTOÉ mostram que atualmente transitam pelas ruas do DF cerca de 100 integrantes do PCC
. Mas também há vários deles nos presídios: 83 membros da organização foram capturados em duas operações realizadas pela Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) em 2014 e em 2015. A reportagem teve acesso a trechos das investigações (leia quadro). O braço do DF é coordenado por um integrante que recebe a alcunha de “Geral do Estado”.

Mensalidade

Por ter uma das rendas per capitas mais altas e concentrar o poder do País, Brasília está na mira das quadrilhas criminosas. Os bandidos se instalam em cidades no entorno, uma espécie de cinturão composto por 17 municípios.

Para angariar recursos, o braço do PCC no DF adota várias modalidades de crime, que vão de tráfico de drogas a roubos de veículos e caixas eletrônicos. Além de rechear os cofres com ações criminosas, o grupo também cobra uma mensalidade de R$ 400 de cada membro que está em liberdade.