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Exército
garante: Brasil tem tropas prontas
para integrar missão de paz no Líbano
Tahiane Stochero,
repórter Último Segundo
As tropas do Brasil estão prontas para participarem
da missão de paz da Organização das
Nações Unidas (ONU) para o Líbano,
garante o comandante do Exército brasileiro, general
Francisco Roberto de Albuquerque. Contudo, o envio de tropas
é uma decisão política, que deve ser
aprovada pelo Congresso Nacional - o que, segundo militares
e especialistas ouvidos pelo Último Segundo, é
quase impossível de ocorrer com rapidez em um ano
eleitoral.
Em
entrevista exclusiva nesta terça, durante a formatura
de 2,8 mil soldados em Taubaté (SP), Albuquerque
afirmou que a credibilidade do Exército brasileiro
é tão grande no mundo que o comandante
das Forças Armadas dos Estados Unidos lhe disse há
alguns meses que as tropas brasileiras são excelentes
e que estão prontas para atuarem em qualquer
país. O homem brasileiro defende soberania,
participa de Garantia da Lei e da Ordem (forma pela qual
o Exército atuou em favelas do Rio de Janeiro e poderia
ser utilizada em São Paulo no combate a facções
criminosas) e participa de missão de paz. É
um homem multidisciplinar e pronto para qualquer missão
a ser cumprida, garante ele.
Ele
lembra que o Brasil participa atualmente de missões
de paz em nove países do mundo, incluindo tropas
no Haiti (desde 2004), Timor Leste e observadores em Darfur
(Sudão), onde há três anos disputas
entre milícias e rebeldes já deixaram mais
de 300 mil mortos e 2 milhões de deslocados e refugiados,
segundo ONGs internacionais.
De
acordo com o Centro de Comunicação Social
do Exército (Cecomsex), poderia vir a integrar o
contingente brasileiro para o Líbano o 19º Batalhão
de Infantaria Motorizado de São Leopoldo (RS) que
tem permanentemente cerca de 1,2 mil homens direcionados
para este tipo de ação. Albuquerque não
soube afirmar quanto tempo os militares precisariam para
a preparação das tropas antes do envio ao
Oriente. O site do Exército diz serem necessários
três meses para este fim.
O
comandante do Exército defendeu também, em
discurso aos soldados, que eles não são
soldados de birô, não são soldados só
de formatura, são soldados de ação,
resultado e vontade, soldados que querem morrer pelo Brasil
e têm de estar prontos para qualquer tipo de ação.
Apesar
do Exército afirmar que está em condições
de atuar no Líbano, o ministro de Relações
Exteriores, Celso Amorim, afirmou na terça-feira
a jornalistas na capital libanesa que o Brasil não
deve participar por enquanto da Força Provisória
das Nações Unidas para o Líbano (Finul),
que, de acordo com a resolução 1.701 do órgão,
deve contar com 15 mil homens e buscará garantir
o cessar-fogo efetivo entre Israel e o Hezbollah.
O
diplomata e assessor de imprensa do Itamaraty José
Luis Vieira afirma que o órgão ainda não
recebeu uma consulta formal, por parte do Department
of Peacekeeping Operations (DPKO) da ONU, sobre se o Brasil
tem intenção de mandar forças para
a missão. Ele, entretanto, não soube dizer
se há interesse do Brasil em participar.
Surpreso
com a possibilidade do Brasil enviar tropas para o Líbano,
Gunther Rudzit, coordenador da graduação e
de pós-graduação do curso de relações
internacionais da Fundação Armando Álvares
Penteado (Faap), doutor em ciência política
e ex-assessor do ministério da Defesa entre 2001
e 2002, questiona o alto custo de uma missão como
esta para a sociedade e a falta de uma justificativa para
isso. Será que realmente temos homens preparados
para enviar para uma região de conflito? Isso só
se justifica pela busca desenfreada de um assento no Conselho
de Segurança da ONU, afirma ele.
Se
a intenção do Brasil é conquistar um
assento no Conselho de Segurança, o envio de tropas
ao Líbano se justifica. Essa é a visão
de Charles Pennaforte, mestre em geografia pela Universidade
de Havana e diretor do Centro de Estudos em Geopolítica
e Relações Internacionais (Cenegri), com sede
no Rio de Janeiro. Segundo ele, a lógica do governo
Luiz Inácio Lula da Silva é ampliar
a inserção brasileira no contexto internacional
e, por isso, o Brasil deve participar de tudo, buscando
projeção.
Ele
lembra, entretanto, que o órgão da ONU foi
criado após a 2º Guerra Mundial e permanece
imutável desde então. Pennaforte entende que,
se o possível envio não trouxer conseqüências
positivas para o País e sim, perdas humanas, os
cidadãos vão questionar o desgaste político
e financeiro da ação e o porquê disso.
Nelson
Düring, especialista em assuntos militares e editor
do site Defesanet, define como horrível
uma possível participação do Brasil
na missão. Segundo ele, o País teria um alto
preço a pagar pela dificuldade estratégica
e por não possuir aparelhos compatíveis com
o clima e o terreno do local.
Para
que o Brasil possa participar de uma missão de paz,
segundo a Constituição, a missão não
deve ser de imposição (sem a autorização
do governo e atingindo a soberania do país), mas
sim de manutenção da paz. Além disso,
seria necessário que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva se dirigisse à Comissão de Defesa
Nacional do Senado buscando explicar os motivos pelos quais
seriam relevantes para o Brasil participar. Em seguida,
o envio de tropas e seu suporte orçamentário
têm de ser aprovados pelo Congresso.
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