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Leia o tópico "Suicídio
sob investigação"
Importante informação.
Missão
de paz terá novo chefe
Ex-chanceler
chileno Juan Gabriel Valdés está para deixar
a liderança da
força de estabilização da ONU. Correio
antecipa os nomes dos dois candidatos
ao cargo: um sociólogo peruano e um advogado uruguaio
Claudio
Dantas Sequeira
Da
equipe do Correio
O
embaixador chileno Juan Gabriel Valdés está
de malas prontas para deixar o comando geral da Missão
das Nações Unidas para a Estabilização
do Haiti (Minustah) em abril próximo, logo depois
da posse do presidente René Préval, em 29
de março.
Para substituí-lo, a ONU avalia os currículos
de dois outros sul-americanos, cujos nomes foram obtidos
com exclusividade pelo Correio: o sociólogo peruano
Luis Alberto Thais Díaz e o advogado uruguaio Renzo
Pomi, especialista em direitos humanos.
A
escolha será feita nos próximos dias pelo
secretário-geral, Kofi Annan, que vem contando
com o auxílio do Departamento de Missões
de Paz (DPKO) e doItamaraty - o Brasil tem o comando militar
da missão, que se tornou uma dasprincipais frentes
de política externa do governo Lula. Consultada
pelareportagem, a ONU não quis confirmar a data
para a saída de Valdés, masainda ontem nomeou
o diplomata americano Lawrence Rossin como representanteespecial
adjunto do secretário-geral no Haiti. Rossin foi
assistenteespecial do Departamento de Estado dos EUA até
setembro de 2004 .
Na
disputa de bastidores, o peruano vem ganhando terreno
por ter longaexperiência na administração
de programas de desenvolvimento, redução
dapobreza e manejo de conflitos, especialmente na América
Latina. Depois daseleições gerais, o próximo
desafio da ONU no Haiti é conseguir a liberaçãode
US$ 1,2 bilhão de ajuda prometidos pela comunidade
internacional. Aos 62anos, Díaz já foi diretor
do programa regional do Programa das Nações
Unidaspara o Desenvolvimento (PNUD) para redução
da pobreza, e é considerado umaespécie de
"pai" do Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH). Sua últimafunção foi de presidente
do Conselho Nacional de Descentralização
do Peru.
Apesar
de o peruano contar com apoio do Brasil e se ajustar à
nova etapa de atuação da Minustah, sua vitória
não é certa. Enquanto Díaz articulou
sua candidatura, por canais diplomáticos próprios,
o uruguaio Pomi teria sido indicado pela cúpula
da ONU. Além disso, ele é atualmente o representante
da ONG britânica Anistia Internacional (AI) na sede
da ONU, em Nova York.
Também foi secretário-adjunto da Corte Interamericana
de Direitos Humanos, na Costa Rica. Sua escolha serviria
para acalmar os ânimos das organizações
humanitárias, que em 2005 publicaram uma série
de relatórios acusando os "capacetes azuis"
de usar a força contra a população
civil.
Cansaço
A
própria AI, no relatório Haiti: desarmamento
adiado, justiça negada, criticou o governo do premiê
Gerard Latortue por demonstrar "pouca determinação
para trabalhar com a Minustah em favor da estabilização
do país". O informe foi especialmente duro
com a polícia haitiana, acusada de praticar abusos
contra mulheres. As denúncias de violações
de direitos humanos e as críticas pela ausência
dos recursos financeiros prometidos pela comunidade internacional
foram apenas alguns dos principais problemas enfrentados
por Valdés desde que foi nomeado representante
especial de Annan para o Haiti, em junho de 2004.
Das
metas previstas no mandato da missão, foi cumprida
apenas a realização das eleições
gerais - depois de quatro adiamentos, e com indícios
de fraude na apuração. Em janeiro, Valdés
enfrentou sua pior crise com a morte do comandante militar
da Minustah, o general brasileiro Urano Bacellar (leia
abaixo). No final do ano passado, o ex-chanceler chileno
se disse cansado e pediu a Annan um substituto, mas a
solicitação estava condicionada ao sucesso
do pleito. Valdés já confessou a amigos
que planeja voltar para a política. A presidenta
eleita, Michelle Bachelet, chegou a cogitá-lo para
assumir a Defesa ou retornar à Chancelaria.
Suicídio
sob investigação
A
comissão investigadora da ONU tenta juntar as peças
do quebra-cabeças que se tornou a morte do general
brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar, cujo corpo
foi encontrado na manhã do dia 7 de janeiro no
quarto onde morava, no luxuoso hotel Montana, em Porto
Príncipe. Depois de um mês e meio de interrogatórios
e levantamento de pistas sobre o ocorrido, a tese do suicídio
prevalece sobre a de um possível assassinato, mas
não é consenso no grupo de especialistas.
No final do mês passado, um laudo do Instituto Médico
Legal de Brasília confirmou que Urano foi morto
com um tiro na boca. A bala teria saído de sua
pistola 9 milímetros, e havia vestígios
de pólvora em sua mão direita. Esse relatório
foi acrescido de um exame toxicológico e encaminhado
em caráter sigiloso ao Departamento de Missões
de Paz da ONU, em Nova York. Enquanto isso, investigadores
internacionais fizeram uma série de entrevistas
com pessoas ligadas ao general, funcionários do
hotel e da Minustah. Também revisaram seu computador
pessoal à procura de pistas.
Um dos depoimentos confirmou que Bacellar e o embaixador
Valdés tiveram uma discussão acalorada entre
17h e 19h da véspera da morte. Na conversa, o chileno
teria pressionado o brasileiro a empreender uma operação
de impacto em Porto Príncipe, a fim de acabar com
a violência. Bacellar não queria interferir
na área sob responsabilidade do general jordaniano
Mahmoud Al-Husban e piorar o relacionamento entre os dois.
O relatório ressalta o perfil introspectivo de
Bacellar e como sua forma de agir expunha Valdés
demasiadamente, o que não ocorria com seu antecessor,
o general Augusto Heleno Ribeiro. Também diz que
Bacellar sofria de depressão e se
automedicava. O quadro clínico teria avançado,
levando-o a sentir-se fracassado na missão. Embora
venha perdendo força, a hipótese de o brasileiro
ter sido assassinado por um comando paramilitar sul-africano
não foi descartada.