|
Secretário
da OEA diz que Haiti está
pronto para eleições
José
Miguel Insulza diz não ver razão técnica
para novo adiamento
Denize
Bacoccina
de Washington
O
secretário-geral da Organização dos
Estados Americanos (OEA), José Miguel
Insulza, diz que está tudo pronto para as eleições
no Haiti no dia 7 de fevereiro. Esta já é
a quinta data para o primeiro turno da eleição
presidencial, depois de quatro adiamentos desde novembro
do ano passado.
"Não existe nenhuma razão técnica
para justificar o adiamento da eleição",
afirmou. Ele reconhece que a violência ainda é
um problema grave em algumas partes da capital, Porto Príncipe,
mas acredita que as forças da ONU serão capazes
de controlá-la e os haitianos conseguirão
ter segurança para ir às urnas escolher o
novo presidente.
A OEA está organizando o processo eleitoral, que
começou com o registro de 3,5 milhões de eleitores.
"Foi um grande êxito", avalia.
No dia da eleição, a OEA vai supervisionar
o processo de votação e coordenar a apuração
dos votos, e planeja divulgar o resultado no mesmo dia.
Mas o secretário-geral da organização
prevê que este é apenas o início de
um processo e que o Haiti ainda vai continuar precisando
do apoio da comunidade internacional para. "O novo
governo vai ter enfrentar, como o atual, grandes problemas
do ponto de vista econômico, social, segurança
etc", diz Insulza.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Insulza.
BBC Brasil - Está mesmo certo que as eleições
vão acontecer no dia 7 de fevereiro?
Jose Miguel Insulza - Não existe nenhuma razão
técnica que possa justificar o adiamento da eleição.
Estão prontos os locais de votação,
as cédulas, as candidaturas inscritas, as 3,5 milhões
de pessoas inscritas. 80% já retiraram os documentos
eleitorais e os outros podem votar com o comprovante de
inscrição e retirar a carteira depois. Não
existe nenhuma razão técnica para que não
haja eleição no dia 7 de fevereiro.
BBC Brasil - Mas a violência continua, principalmente
na capital, Porto Príncipe.
Insulza - A violência continua em alguns lugares
de Porto Príncipe. Uma violência muito concentrada,
e nós esperamos que as forças das Nações
Unidas terão condições de controlá-la
o tempo todo e especialmente no dia da eleição.
Estamos seguros de que não há uma possibilidade
de que o foco de violência se espalhe para outros
lugares do país. Pelo contrário, achamos que
pode ser controlado no dia da eleição.
BBC Brasil - Hoje o jornal The Washington Post diz que
os Estados Unidos negaram cinco helicópteros que
teriam sido solicitados para transportar as cédulas
eleitorais no dia da eleição. Existe uma colaboração
menor do que se esperava por parte dos Estados Unidos?
Insulza
-
Não, acho que sobre a questão dos helicópteros,
que se falava de dez, não de cinco, tem que ser feita
uma avaliação política. Acho que eles
temiam que o transporte de todas as cédulas eleitorais
através de helicópteros americanos poderia
significar - assim como vem a acusação de
que não colaboraram - a acusação de
que houve uma intromissão. Eu espero que este problema
seja solucionado, seria bom se fosse solucionado para o
dia da eleição, mas creio que haverá
uma consideração numa via política,
conjuntural, para (o governo americano) não parecer
tão envolvido no
processo eleitoral. Não acho que seja negar cooperação,
que os Estados Unidos deram bastante, mas uma avaliação
política.
BBC Brasil - Na sua avaliação, há
condições para que se realizeme leições
democráticas e que o vencedor possa realmente governar
de maneira democrática?
Insulza
-
Eu creio que há condições, primeiro
porque há muito gente entusiasmada, muitos candidatos,
muita mobilização, muita vontade. Mas quem
for eleito vai ter uma quantidade enorme de problemas. O
novo governo vai ter enfrentar, como o atual, grandes problemas
do ponto de vista econômico, social, segurança
etc. E eu acho que deveria continuar contando com apoio
internacional.
BBC Brasil - Isso quer dizer que as forças precisam
ficar no país talvez por alguns anos?
Insulza
-
Elas ficam até o fim deste mandato e espero que fiquem
depois, mas
esta é uma decisão que tem ser tomada primeiro
pelo novo governo democrático
do Haiti, depois da ONU e depois pelos governos que fornecem
as forças.
|