COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

10 de Setembro, 2018 - 15:00 ( Brasília )

Paz ainda está longe de chegar à Península Coreana

Embora situação entre Coreias esteja mais relaxada do que meses atrás, substancialmente nada mudou. Pois os problemas fundamentais continuam os mesmos, opina Peter Sturm, do jornal alemão "FAZ".

De acordo com uma pesquisa recente, mais de dois terços dos alemães têm medo das políticas de Donald Trump. Seria interessante saber se o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, também compartilha dessa opinião.

De qualquer forma, o líder norte-coreano não deposita tanta confiança no presidente americano para já ter iniciado o desarmamento nuclear. No geral, embora a situação na península esteja mais relaxada do que alguns meses atrás, nada mudou substancialmente.

A Coreia do Sul está tentando, com todas as forças, transformar as melhoras de relacionamento alcançadas entre Seul, Pyongyang e Washington em políticas práticas. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, percebe que corre o risco de ser esmagado entre os "machos alfa" políticos em Pyongyang e Washington.

Kim quer afastá Moon dos EUA. Washington, por sua vez, não tem apenas interesses de política de segurança em relação às Coreias. Trump prefere investir, por todas as partes – também no caso de aliados – contra supostos parasitas que querem usar os EUA para seu próprio benefício. Não se pode falar de uma política única em relação à Coreia do Norte.

O problema fundamental continua o mesmo: a Coreia do Norte fala de "desarmamento nuclear". Mas não é preciso muita imaginação para perceber que, para Kim, isso é algo muito diferente do que para Trump e para a maior parte do mundo.

Kim diz que precisa de armas nucleares para impedir um ataque militar americano contra o seu país. Nenhum tratado de paz poderá livrá-lo dessa obsessão. Além disso, as armas nucleares aumentaram o prestígio da Coreia do Norte. Depois dos testes nucleares, o regime passou a ser mais que (apenas) uma curiosidade com métodos criminosos de governança.

Neste domingo (09/09), Kim celebra o 70° aniversário de fundação do Estado norte-coreano ainda em amplo isolamento internacional. Mas é questionável se isso pode se manter por muito tempo. Por outro lado, vai depender do próprio regime se ele também vai vivenciar seu aniversário de 80 anos de existência.

As armas nucleares são uma importante moeda de troca, que deve ser usada com sabedoria nas negociações. Que preço o mundo está disposto a pagar pela destruição dessas armas? Por enquanto, uma paz verdadeira na Península Coreana continua sendo uma vaga esperança.

Coreia do Norte deixa mísseis balísticos de lado em desfile militar



A Coreia do Norte realizou um grande desfile militar neste domingo (09/09), em comemoração ao 70º aniversário da fundação do país, com milhares de soldados seguidos de tanques marchando pela capital Pyongyang. Desta vez, o regime norte-coreano não exibiu mísseis balísticos intercontinentais ou de médio alcance, os quais motivaram uma série de sanções internacionais contra o país.

Em vez de mostrar a Coreia do Norte como potência nuclear, grande parte do evento foi dedicada a destacar os esforços da população para desenvolver a economia doméstica. No discurso de abertura do desfile, o presidente do Parlamento norte-coreano, Kim Yong-nam, enfatizou os objetivos econômicos do regime, definidos como prioridade no momento.

Os únicos mísseis exibidos desta vez – os quais costumam ser o clímax dos desfiles militares no país – foram dispositivos de pequeno alcance para serem usados no campo de batalha, um míssil de cruzeiro e um míssil de superfície-ar.

Dezenas de milhares de norte-coreanos segurando buquês de flores de plástico coloridas e bandeiras do país lotaram a praça Kim Il-sung no início da parada militar. Os moradores de Pyongyang foram treinados durante meses para o 70º aniversário do país. Eles entoaram o slogan "vida longa" ao líder do país, Kim Jong-un, e marcharam após os soldados pela capital.

Kim assistiu ao desfile pela manhã, mas não falou à multidão presente, que incluiu o presidente o presidente do Parlamento chinês, Li Zhanshu. Kim destacou sua amizade com a China ao levantar a mão de Li – enviado do presidente chinês, Xi Jinping – perante a plateia. A ausência de Xi pode ser um indicativo de que Pequim ainda tem reservas quanto às iniciativas de Kim para desnuclearizar o país.


 

Convites diplomáticos foram enviados a vários países, mas o único chefe de Estado que compareceu foi o presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Abdel Aziz. Apesar de não estarem presentes, Xi e o presidente russo, Vladimir Putin, enviaram mensagens de parabéns a Kim pelo 70º do país, informou a agência estatal de notícias KCNA.

Xi destacou a "política inabalável" do seu país para melhorar as relações com a Coreia do Norte. Putin, por sua vez, sublinhou na mensagem enviada a Kim a importância de aprofundar os laços bilaterais e promover a paz na região.

Impasse com os EUA

A República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte, foi fundada em 9 de setembro de 1948. Datas como essa são importantes no calendário político norte-coreano e há anos são usadas como oportunidade para demonstrar progressos na busca do país por um míssil capaz de transportar uma ogiva nuclear para os Estados Unidos.

Apesar de a Coreia do Norte realizar desfiles militares quase todos os anos – sendo que o mais recente ocorreu em fevereiro deste ano, antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul -, a parada deste domingo foi realizada num momento particularmente sensível para o país.

O desfile militar, que durou cerca de uma hora e meia, foi o primeiro desde que Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinaram em junho uma declaração conjunta em Cingapura, prometendo trabalhar para a desnuclearização do regime de Pyongyang.
 

Os esforços de Kim para amenizar as tensões com Trump estão estagnados desde então. Washington exige que Pyongyang de fato se comprometa com a desnuclearização, enquanto o regime norte-coreano quer que antes sua segurança seja garantida e que seja assinado um tratado de paz finalmente encerrando a Guerra da Coreia, encerrada somente com um armistício, em 1953.

Apesar de ter prometido desnuclearizar a península, Pyongyang ainda não declarou publicamente sua disposição de abrir mão das armas desenvolvidas durante décadas, a um enorme custo político e financeiro. Imagens de satélite obtidas por agências de inteligência dos EUA em julho sugeriram que a Coreia do Norte continua construindo mísseis.

Segundo um relatório confidencial das Nações Unidas revelado no início de agosto por veículos de imprensa dos Estados Unidos, o regime da Coreia do Norte continua desenvolvendo programas nucleares e de mísseis, o que representa uma violação das sanções internacionais impostas ao país.
 

Com as tensões aumentando novamente após sinais de aproximação, um desfile militar exibindo mísseis balísticos intercontinentais – que ao serem testados irritaram Trump no ano passado e resultaram num perigosa troca de insultos entre ambos os líderes – poderia ser visto como uma provocação.

De 18 a 20 de setembro, Kim deve se reunir com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em Pyongyang. Moon também deseja uma reaproximação entre Pyongyang e Washington, para que possa realizar seus ambiciosos planos econômicos intercoreanos, e as conversações bilaterais devem se centrar no desarmamento nuclear.

 

 

 



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