COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Aviação

30 de Julho, 2018 - 11:40 ( Brasília )

Após quatro anos, mistério do voo MH370 permanece sem solução

Investigadores não descartam interferência de terceiros e admitem que só vão ter respostas conclusivas sobre avião da Malaysia Airlines desaparecido se destroços forem encontrados, frustrando parentes de passageiros.

O governo da Malásia divulgou nesta segunda-feira (30/07) um novo relatório sobre a investigação do voo MH370 da Malaysia Airlines, que desapareceu com 239 pessoas a bordo em 2014 quando voava de Kuala Lumpur a Pequim.

Os investigadores apontaram que o avião mudou de rota de forma manual e descartaram que essa mudança tenha ocorrido por meio do piloto automático ou de alguma falha mecânica. Eles também não descartaram que uma "terceira parte" tenha interferido ilegalmente na mudança de rota.  

"A mudança de rumo não se deveu a anomalias do sistema mecânico. A mudança de rumo se fez de maneira manual, e não com o piloto automático", disse o chefe da investigação oficial, o malaio Kok Soo Chon. Ele, no entanto, não explicou por que essa mudança de rota ocorreu.

Fora a conclusão sobre a mudança de rota, o documento de 1.500 páginas traz poucas novidades e não indicou que os investigadores estão mais perto de descobrir as causas do desaparecimento ou a localização do avião.

"A equipe não pôde determinar a causa real do desaparecimento do voo MH370", disse Kok. "A resposta só pode ser conclusiva se os destroços forem encontrados."

Ao longo das páginas do relatório, os investigadores se concentraram em derrubar algumas teorias sobre o desaparecimento, descartando, por exemplo, a sugestão de que o piloto ou o copiloto derrubaram o avião propositadamente ou de que a aeronave caiu por causa de falhas mecânicas.

"Examinamos o histórico do piloto e o primeiro oficial e estamos bastante satisfeitos com sua formação, com seu treinamento, com sua saúde mental", disse ele. "Não compartilhamos da opinião de que esse evento poderia ter sido cometido pelo piloto", disse Kok.

A investigação também descartou a possibilidade de que uma carga de baterias de lítio que estava sendo transportada no avião poderia ter provocado um incêndio. 

O texto chegou a ser anunciado como o "relatório final", mas as autoridades malaias apontaram que esse não deve ser o último documento  sobre o caso. "Não encontramos a fuselagem. Não encontramos vítimas. Como pode ser o relatório final?", disse o chefe da investigação.

As conclusões vagas do relatório provocaram frustração entre familiares dos passageiros desaparecidos.

"O relatório não revelou nada de novo. Nenhuma conclusão foi revelada, nenhuma culpa foi atribuída", disse a malaia Grace Subathirai Nathan, citada pelo jornal britânico The Guardian. A mãe dela, Anne Daisy, estava a bordo do voo MH370.

"Estou muito decepcionada. Estou frustrada. Não há nada de novo no relatório", disse à agência de notícias AFP Intan Maizura Othman, esposa de um comissário de bordo que trabalhava no voo.

O relatório também fez recomendações sobre melhorias nas condições de voo e apontou falhas cometidas por controladores aéreos no dia do desaparecimento da aeronave. Segundo os investigadores, controladores de voo de Kuala Lumpur, na Malásia, e da Cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, não se deram conta por 20 minutos que a aeronave havia desaparecido dos radares.

Em 29 de maio deste ano, os esforços para localizar a aeronave no Oceano Índico foram encerrados, depois que uma companhia americana divulgou não ter tido sucesso nas buscas.



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