COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

29 de Janeiro, 2018 - 12:40 ( Brasília )

Parlamentares dinamarqueses votam por aumentar gasto militar e citam ameaça russa


Parlamentares dinamarqueses concordaram neste domingo em alocar um adicional de 12,8 bilhões de coroas (2,14 bilhões de dólares) para gastos militantes durante os próximos seis anos, citando a Rússia como uma das maiores ameaças à sua segurança. Sob o acordo, proposto em outubro do ano passado, a Dinamarca, país membro da OTAN, também estabelecerá uma brigada militar de 4 mil membros focada no Mar Báltico.

Em 2023, os gastos militares serão 20 por cento superiores aos níveis atuais. Para 2018, o Parlamento já concordou com gastos militares de 22 bilhões de coroas. “A ameaça da Rússia é real e está aumentando, então precisamos mostrar determinação com a defesa - e estamos determinados”, disse o primeiro ministro Lars Lokke Rasmussen em comunicado.

Em 2016, a Rússia moveu seus mísseis Iskander-M, com capacidade nuclear, para seu enclave de Kaliningrado, no Mar Báltico, onde também implantou seu sistema de defesa de mísseis aéreos S-400. Em abril do mesmo ano a Dinamarca afirmou que a Rússia havia hackeado sua rede informática de defesa e obtido acesso aos emails dos funcionários em 2015 e 2016.

A Dinamarca, que destinou cerca de 1,2 por cento de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos militares em 2016, não alcançará, mesmo após o aumento, uma meta de gastos com defesa da OTAN, de 2 por cento do PIB.

Em comunicado em separado, o Ministro das Relações Exteriores Anders Samuelsen citou outras preocupações da Dinamarca com segurança. “O cenário de ameaça internacional é muito sério. Uma Rússia mais assertiva perto das fronteiras da OTAN, o terrorismo, ameaças cibernéticas e fluxos irregulares de migrantes são todas coisas com as quais precisamos lidar.”

Preocupados com a Rússia, finlandeses reelegem presidente moderado no 1º turno



O presidente finlandês Sauli Niinisto obteve uma vitória esmagadora no primeiro turno na eleição do domingo, o que revelou a aprovação do eleitorado à sua habilidade para equilibrar os laços com a vizinha Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos.

O moderado Niinisto, de 69 anos, conhecido por cultivar boas relações com o presidente russo, Vladimir Putin, conquistou um segundo mandato de seis anos com 62,7 por cento dos votos. Seu rival mais próximo, Pekka Haavisto, dos Verdes, só recebeu 12,4 por cento dos votos. “Estou muito surpreso com este tipo de apoio. Preciso refletir muito sobre como merecê-lo”, disse Niinisto a repórteres.

“Não pretendo fazer nenhuma mudança só pela mudança. Acompanharemos muito atentamente o que está acontecendo fora da Finlândia, globalmente, e se necessário certamente agiremos”.

Pró-União Europeia, Niinisto se tornou o primeiro candidato a vencer no primeiro turno desde que o sistema eleitoral adotou o voto popular direto em 1994. Durante seu primeiro mandato, Niinisto foi fundamental para manter um bom relacionamento com Moscou, apesar de seu país ter apoiado sanções econômicas ocidentais contra a Rússia em reação à anexação da região ucraniana da Crimeia em 2014.

A Finlândia, que tem uma fronteira de 1.340 quilômetros e um histórico difícil com a Rússia, também se aproximou mais da OTAN, mas não chegou a se filiar à aliança, mantendo a tradição de evitar confrontos com os russos.

A Morte Branca. O soldado que aterrorizou o Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial¹



Um dos grandes protagonistas individuais das batalhas durante a Segunda Guerra Mundial foi o franco-atirador finlandês Simo Häyhä, um dos mais efetivos da história: 545 mortes são atribuídas à sua pontaria. Ele foi fundamental para a resistência finlandesa frente à invasão russa na chamada Guerra de Inverno, que aconteceu entre 1939 e 1940.

Durante esse enfrentamento bélico entre o poderoso Exército Vermelho e a humilde resistência da Finlândia, Simo Häyhä foi nomeado pelos soviéticos como Belaya Smert, que significa “A Morte Branca” em russo. Häyhä era um pequeno agricultor e caçador que media um pouco mais de um metro e meio.

Quando a União Soviética invadiu a Finlândia, em 1939, Häyhä, que somente havia passado pelo exército para fazer o serviço militar obrigatório, pegou o seu rifle M28 Pystykorva e um traje de camuflagem branco como a neve, e se colocou às ordens do exército, valendo-se de sua pontaria, sua inteligência e seu grande conhecimento do relevo dos gelados bosques finlandeses.

Imediatamente, a sua eficácia mortal era tanta que os russos colocaram um preço por sua cabeça. Foram organizadas operações especiais para acabar com ele, mas os soldados russos que tentavam rastreá-lo jamais voltavam. Ele foi caçado não somente por soldados, mas franco-atiradores e grupos inteiros deles, todos sem sucesso.

A Morte Branca seguiu atuando com sigilo e astúcia (diz-se que não usava a mira e que colocava neve na boca para não ser detectado pela sua respiração), disparando contra o Exército Vermelho. Ao final do conflito, a Rússia conseguiu anexar 10% do território finlandês e 20% de sua capacidade industrial.

Esse resultado foi muito menor do que o esperado, considerando a diferença de forças entre os dois exércitos. O Exército Vermelho lamentou as numerosas baixas e um súbito descrédito militar em plena Guerra Mundial, entre outras coisas, pela maestria de um franco-atirador silencioso chamado Simo Häyhä. Um pequeno homem que, ao ser perguntado sobre o segredo de sua notável habilidade, respondeu simplesmente: "Prática".

¹Fonte: History, H2


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