COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

25 de Setembro, 2017 - 11:45 ( Brasília )

Explosão atinge comboio da OTAN em Cabul

Carro-bomba explode durante passagem de comboio dinamarquês da Missão Apoio Resoluto. Ao menos três civis sofrem ferimentos. Talibã reivindica autoria do atentado.

Ao menos três civis ficaram feridos num ataque suicida em Cabul com um carro cheio de explosivos detonados durante a passagem de um comboio da missão da OTAN no Afeganistão, neste domingo (24/09). O atentado não causou vítimas entre os membros da Aliança Atlântica.

Os explosivos foram detonados durante a passagem de um comboio dinamarquês da OTAN no Distrito Policial 5, no oeste da capital afegã, explicou o porta-voz da polícia de Cabul, Basir Mujahid. Três civis sofreram ferimentos.

"Não há vítimas entre os membros da Missão Apoio Resoluto como resultado da explosão", comunicou o capitão William Salvin, porta-voz da missão da OTAN no Afeganistão. Ele assegurou que o ataque não afetará as operações no país.

Em uma declaração via Twitter, o Talibã reivindicou a autoria do atentado. Eles alegaram ter matado e ferido até 16 soldados americanos. No entanto, os insurgentes rotineiramente exageram em suas reivindicações.

A Dinamarca é um dos cerca de 40 países que fazem parte da Missão Apoio Resoluto que oferece treinamento, assessoria e assistência às forças de segurança afegãs para o combate contra os militantes talibãs.

Em 13 de setembro, um homem-bomba matou três pessoas, incluindo um policial, e feriu outras cinco depois de detonar seus explosivos perto de um estádio de críquete em Cabul.

A intervenção dos EUA no Afeganistão

Operação Liberdade Duradoura

Em outubro de 2001, menos de um mês após aos ataques de 11 de Setembro, o presidente George W. Bush lança no Afeganistão a operação Liberdade Duradoura, depois que o regime Talibã se recusa a entregar Osama bin Laden. Em semanas, os americanos derrubam o Talibã, que ocupava o poder desde 1996. Cerca de mil soldados são enviados ao país em novembro, aumentando para 10 mil um ano depois.

 

Talibã se reagrupa

A invasão do Iraque em 2003 se torna a maior preocupação dos EUA e desvia a atenção do Afeganistão. O Talibã e outros grupos islamistas se reagrupam em seus redutos no sul e leste do Afeganistão. Em 2008, Bush concorda em enviar soldados adicionais ao país em meio a pedidos por uma estratégia efetiva contra o Talibã. Em meados de 2008, há 48.500 soldados americanos no país.

 

Obama é eleito

Em sua campanha, Barack Obama promete encerrar as guerras no Iraque e no Afeganistão. Mas nos primeiros meses de sua presidência, em 2009, há um aumento no número de soldados no Afeganistão para cerca de 68 mil. Em dezembro, o número cresce ainda mais, para 100 mil, com o objetivo de conter o Talibã e fortalecer instituições afegãs.

 

Morte de Bin Laden

Osama bin Laden, líder da Al Qaeda que esteve por trás dos ataques de 11 de Setembro, é morto em maio de 2011 em seu esconderijo, durante uma operação de forças especiais americanas no Paquistão.

 

Acordo com Afeganistão

O Afeganistão assina em setembro de 2014 um acordo bilateral de segurança com os EUA e texto similar com a OTAN: 12.500 soldados estrangeiros, dos quais 9.800 norte-americanos, permaneceriam no país em 2015. Mas a situação de segurança piora. Em meio à ressurgência do Talibã, Obama diminui a velocidade de retirada em 2016, afirmando que 8.400 soldados permaneceriam no Afeganistão.

 

Bombardeio de hospital em Kunduz

Em outubro de 2015, no auge do combate entre insurgentes islâmicos e o Exército afegão, apoiado por forças da OTAN, um ataque aéreo dos EUA bombardeia um hospital dirigido pela organização Médicos Sem Fronteiras na província de Kunduz. O ataque deixa 42 mortos, incluindo 24 pacientes e 14 membros da ONG.

 

"Mãe de todas as bombas"

Em abril de 2017, forças americanas atingem posições do "Estado Islâmico" (EI) no Afeganistão com a maior bomba não nuclear já usada pelo país em combate, matando 96 jihadistas. Em julho, é morto o novo líder do EI no Afeganistão.

 

"Estamos diante de um impasse"

Em fevereiro de 2017, um relatório do governo dos EUA diz que perdas nas forças de segurança afegãs subiram 35% em 2016 em relação ao ano anterior. Pouco depois, o general americano à frente das forças da OTAN, John Nicholson (à esquerda na foto, ao lado do secretário da Defesa, John Mattis), alerta que precisa de mais milhares de soldados. “Acredito que estamos diante de um impasse."

 

Trump anuncia nova estratégia

Em 21 de agosto de 2017, o presidente Donald Trump anuncia nova estratégia para o Afeganistão, fazendo da caça a terroristas a principal prioridade. Trump não especifica um aumento no número de soldados como aguardado, mas diz que os objetivos incluem "obliterar" o Estado Islâmico, "esmagar" a Al Qaeda e impedir o Talibã de dominar o Afeganistão.


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