COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

11 de Julho, 2016 - 09:40 ( Brasília )

OTAN decide manter 12 mil soldados no Afeganistão

Secretário-geral admite "certa presença" do "Estado Islâmico" no país e anuncia ampliação da ajuda financeira dada às forças de segurança locais para 1 bilhão de dólares anuais.

Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) decidiram neste sábado (09/07), ao fim de dois dias de cúpula em Varsóvia, manter 12 mil soldados no Afeganistão e elevar para 1 bilhão de dólares anuais a ajuda às forças de segurança locais.

Apesar do crescente desgaste do Ocidente com uma guerra que já se estende por mais de uma década, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, defendeu o papel da Aliança Atlântica na estabilização do país – considerado potencial terreno fértil para extremistas.

"Manteremos a presença militar e continuaremos financiando as forças de segurança afegãs", declarou Stoltenberg.

Conforme ficou decidido pelo líderes da OTAN, para o ano de 2017 será mantido o mesmo nível de tropas na missão de formação, assessoria e assistência das forças afegãs. Dos soldados, a grande maioria é americana.

O secretário-geral agradeceu de forma específica ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pela "significativa decisão sobre o nível de tropas", assim como à Alemanha, Itália e Turquia, países envolvidos na missão, pelo "forte compromisso".

Obama anunciou na quarta-feira que os militares americanos no Afeganistão passarão dos 9,8 mil atuais para 8,4 mil no fim de seu mandato, número ainda muito superior aos 5,5 mil que, segundo anunciou o presidente americano em outubro, permaneceriam em janeiro de 2017.

Stoltenberg lembrou que os EUA têm uma "presença antiterrorista" no Afeganistão que se soma à "Apoio Decidido" da OTAN, que é uma operação de assessoria, formação e assistência e "não de combate" – a missão de combate aliada no Afeganistão, Isaf, terminou no final de 2014.

De acordo com o secretário-geral, em seguida, a OTAN realizará um planejamento nos próximos meses para "definir a presença global em 2017". Por outro lado, disse que os líderes aliados se comprometeram a continuar financiando as forças de segurança afegãs até 2020, e que reafirmaram apoio à organização a longo prazo e à cooperação prática com o Afeganistão, que "não está só".

"A situação no Afeganistão não é fácil, é difícil. Vemos violência, ataques terroristas, e não espero que se torne fácil em breve, vai continuar sendo uma situação desafiadora", resumiu.

Stoltenberg admitiu que há "certa presença" do "Estado Islâmico" no Afeganistão além dos talibãs, mas deixou claro que o importante é "apoiar os afegãos na lutar contra diferentes grupos terroristas".

"O governo afegão se comprometeu a implementar reformas, a trabalhar pelo respeito dos direitos humanos, inclusive os direitos das mulheres, e combater a corrupção", apontou.

Itália participará de missões da OTAN no Afeganistão¹

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, disse hoje (9) que o país participará, em 2017, das missões militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Afeganistão. Renzi, que está em Varsóvia, na Polônia, anunciou que a Itália também enviará 150 homens para compor o contingente da OTAN no leste da Europa, gesto que pode desagradar Moscou.

“A Itália é um ponto de referência forte, significativo, inclusive no Afeganistão, onde nos foi solicitado confirmar nosso trabalho. Estamos de acordo [com a missão] e disponíveis", disse ele.

Trabalho reconhecido

Já o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que a organização decidiu prosseguir a missão no Afeganistão em 2016. “Agradeço ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por seu trabalho decisivo com as tropas e elogio os países que guiam e contribuem com essa missão, como Turquia, Itália e Alemanha", afirmou.

O encontro de hoje da OTAN se concentrou em temas relacionados ao Afeganistão e Ucrânia. O presidente francês, François Hollande, tentou demonstrar que a Rússia “não é uma ameaça”, apesar de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, ter enviado mil soldados para a Polônia.

¹Da Agência Ansa / EBC