COBERTURA ESPECIAL - Nuclear - Naval

18 de Novembro, 2015 - 17:30 ( Brasília )

NUCLEP - Foca retomada do Programa Nuclear

Foram muitos anos sem novos projetos no setor nuclear brasileiro, o que levou a Nuclebrás Equipamentos Pesados – Nuclep a buscar novos mercados. Acabou encontrando no setor de óleo e gás uma boa opção para seus equipamentos de grande porte e calderaria pe

Foram muitos anos sem novos projetos no setor nuclear brasileiro, o que levou a Nuclebrás Equipamentos Pesados – Nuclep a buscar novos mercados. Acabou encontrando no setor de óleo e gás uma boa opção para seus equipamentos de grande porte e calderaria pesada. Segundo o gerente geral comercial, Eduardo Telles, esta foi a melhor alternativa para que a fábrica e maquinário da Nuclep não ficassem ociosos. No entanto, com a crise do setor de óleo e gás e o anúncio de novas usinas nucleares no país, a Nuclep volta novamente sua atenção para equipamentos nucleares. A empresa já assinou acordos com a francesa Areva e a russa Rosatom, além de já ter conversas com a chinesa CNNC, para fornecimento de equipamentos.

Como a Nuclep vê a retomada do Programa Nuclear brasileiro?

A Nuclep nasceu para suprir necessidades nacionais justamente da área nuclear. Toda a expertise da empresa está voltada para equipamentos de grande porte e calderaria pesada para o setor nuclear. O anúncio da construção de novas usinas nucleares no país é visto como bons ventos. A empresa está preparada para esta nova fase nuclear nacional. Inclusive, nós fomos certificados novamente pela American Society of Mechanical Engineers (ASME), em setembro, como única empresa da América Latina apta para a fabricação de equipamentos nucleares, a chamada ASME 3.

Quais equipamentos a Nuclep fornece para o setor nuclear?

Nós fornecemos equipamentos de todo o tipo dentro de calderaria pesada. No nosso portfólio estão vasos de pressão, tubulações, caldeiras, plataformas, entre outros. Também temos uma linha de equipamentos específicos ligados à área de reatores, além de alguns projetos de guarda de combustível já utilizado.

Diversas empresas estrangeiras têm vindo ao Brasil mapear o mercado desde o anúncio das novas usinas. A Nuclep já entrou em contato com alguma delas?

Com certeza. Representantes da empresa estiveram em setembro junto do vice-presidente Michel Temer em uma comitiva brasileira à Moscou, onde foi assinado um acordo de cooperação entre a Nuclep e a estatal russa nuclear, Rosatom. Em outubro o presidente da empresa, Jaime Cardoso, e o diretor comercial, Alexandre Gadelha, foram à França para a World Nuclear Exhibition e também houve conversas com a Areva para um acordo de fabricação de equipamentos nucleares. Nós também tivemos conversas bastante interessantes com a CNNC, estatal nuclear chinesa, que esteve no Rio de Janeiro apresentando sua tecnologia no último mês.

Como o senhor vê as tecnologias ofertadas para o Brasil?

As usinas nacionais em atividade hoje em dia têm tecnologias de origens distintas, uma é ligada à Westingshouse, e a outra usa equipamentos alemães. A próxima usina pode ter tecnologia chinesa, por exemplo, que já domina o ciclo completo nuclear. No caso chinês, é impressionante como eles evoluíram na área nuclear. Quando começamos Angra 1, os chineses não sabiam praticamente nada sobre geração nuclear e hoje já contam com dezenas de usinas no país e outras muitas construídas por todo o mundo. Qualquer tecnologia que for escolhida pelo governo, nós esperamos estar trabalhando em conjunto.

Em quais projetos voltados para o setor de óleo e gás a Nuclep está envolvida?

Atualmente nós estamos desenvolvendo estacas torpedo e vasos de pressão para a Petrobrás, mas temos parcerias com as empresas EBE e EBSE, coligadas à Modec, portanto, os projetos dessas empresas tem uma parcela de fornecimento da Nuclep. Também fizemos a boca de sino da plataforma P-77, além dos módulos da P-51.

A Nuclep pretende ampliar sua atuação no setor de óleo e gás?

Na realidade, a Nuclep passou a desenvolver projetos voltados para esse segmento como uma alternativa à falta de um programa nacional nuclear. Nós temos um amplo espaço de fábrica e maquinário de alta qualidade e a falta de projetos nucleares levou a empresa a buscar novas opções. Nesse cenário, o setor de óleo e gás acabou sendo escolhido.

A crise do setor de óleo e gás já foi sentida pela empresa?

Acredito que todas as empresas do segmento estão sendo afetadas pela baixa quantidade de projetos. Mas nem por causa disso nós deixamos de receber pedidos de cotação. Diariamente diversas empresas entram em contato com a Nuclep cotando algum tipo de equipamento, mas nem todos são atendidos porque alguns fogem ao nosso escopo.