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1 - O Marder Roland II desfilando em Brasília, DF, em 07 de setembro de 1977. (autor)

1a – Marder Roland II em testes na região de Brasília – DF, em 1979. Notar os emblemas no veículo, os quais foram abolidos a partir de 1983, e sua pintura toda verde. (Exército Brasileiro)Foto 2 – O autor em 1990 ao lado do Marder Roland na EsACosAAe, Rio de Janeiro. (autor)

Foto 3 – Vista frontal do Marder Roland em 1990 na garagem da EsACosAAe, Rio de Janeiro. (autor)

4 – O único Marder Roland ainda em funcionamento com as marcações do IPD. Este veículo foi fotografado no Centro de Instrução de Blindados (CIBld) no Rio de Janeiro em novembro de 2001. Notar a camuflagem padrão do EB aplicada sobre o mesmo, é o único com este tipo de camuflagem. (autor)

5 - Destroços do Marder Roland transformado em alvo em maio de 2001, no campo de provas da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. Este veículo foi destruído por tiros disparados pelos Leopard 1 A1 do Exército Brasileiro e pelo blindados de rodas Centauro, Italiano, em testes no Brasil. (autor)

6 – O terceiro Marder Roland abandonado na Marambaia, fotografado em maio de 2001, no Rio de Janeiro. Ele também iria se tornar um alvo, mas foi salvo, e foi levado para o Museu Militar Conde de Linhares, onde encontra-se preservado. Notar que a pintura era a mesma da EsACosAAe, ou seja todo verde, como de quando eles chegaram. (autor)

7 – O Marder Roland no Museu Militar Conde de Linhares (MMCL), no Rio de Janeiro, quando de sua chegada em novembro de 2001. Este veículo é o mesmo da foto 6. (Adler Homero da Fonseca)

8 – O autor ao lado do Marder Roland do Museu Militar Conde de Linhares, no Rio de Janeiro, em dezembro de 2001. Esta foi a peça mais nova até então recebida pelo Museu.. (autor)

 

Revista Virtual

Defesanet 2002
Matéria Reeditada sema alteração

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SISTEMA ANTIAÉREO MARDER ROLAND
NO EXÉRCITO BRASILEIRO -1977 – 2002

Expedito Carlos Stephani Bastos
Pesquisador de Assuntos Militares da UFJF

O ano de 1977 foi um marco importante na busca de novas tecnologias, principalmente para defesa antiaérea no Exército Brasileiro. Neste ano, após o rompimento do acordo Militar Brasil Estados Unidos, assinado em 1952, o governo Geisel, adquiriu na República Federal da Alemanha, quatro unidades do sistema ROLAND II sobre blindados de lagartas MARDER, inicialmente para a defesa da capital federal Brasília. A primeira unidade desfilou como novidade na parada de 7 de setembro daquele ano. Os outros três vieram alguns meses depois e junto a eles foram adquiridos 50 mísseis Roland II. (foto 1 e 1a)

Vale salientar que quando da aquisição pelo Brasil, a República Federal da Alemanha havia encomendado 43 veículos e 825 mísseis, enquanto que a França encomendava 39 veículos e 1315 mísseis, e o governo norte-americano ainda estudava a sua adoção.

Eles foram os primeiros blindados adquiridos na Europa no pós Segunda Guerra Mundial, pois até então todos eram oriundos dos Estados Unidos.

Este sistema foi concebido pela Euromissile (formada pela Aérospatiale da França e a Messerschmitt-Bölkow-Blohm da Alemanha Ocidental), no início da década de 60, para os exércitos da França e Alemanha, sendo inicialmente concebido para ser acoplado ao chassis dos blindados de lagartas AMX-30 e MARDER VCI, e posteriormente em shelters sobre veículos de rodas.

O Brasil foi o terceiro país a adquirir este moderno sistema de míssil superfície-ar, o qual posteriormente foi equipar a EsACosAAe (Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea no Rio de Janeiro (foto 2 e 3), onde ocupava uma grande área com seus equipamentos eletrônicos, visto que ainda não existia os compactos computadores, onde era ministrada toda a instrução acerca do uso deste sofisticado equipamento, treinando o pessoal no emprego dos veículos e principalmente no sistema de radar e mísseis.

O sistema Roland foi concebido para defesa antiaérea a todo tempo contra aviões e helicópteros em vôos a média e baixa altura, servindo tanto para o campo de batalha na defesa de unidades blindadas, como na defesa de objetivos fixos, como centros industriais, portos, bases aéreas, etc.

Ele funciona da seguinte forma: o radar Doppler, montado sobre a torre, detecta o alvo num raio de 15 a 18km, que após identificado pelo sistema IFF (Identifications Friend or Froe), indicador de amigo ou inimigo, e confirmado inimigo ele estabelece um contado e dá início ao rastreamento. Nos ataques normais, o rastreamento se faz pelo radar, instalado na parte superior da torre de controle; mas no caso do inimigo utilizar de contramedidas eletrônicas, aciona-se o visor ótico. O radar dispõe de dois canais, um para seguir o míssil e o outro para acompanhar o alvo. Ele é perseguido por um processo de desalinhamento: assim que ocorre o lançamento de um míssil, utiliza-se um sensor infravermelho, instalado na antena do radar, para captar seus sinais numa distância entre 500 a 700m, até que ele fique alinhado com o rastreador do radar. Calcula-se o desvio do míssil pelo afastamento angular entre a antena/alvo e antena/míssil, enviando-se a informação para o computador de bordo. Este determina as correções de curso necessárias e transmite, por meio de um sistema de rádio, a informação ao míssil. Utiliza-se o método ótico sempre que possível na perseguição do alvo, especialmente em situações de contramedidas eletrônicas.

O míssil possui dois estágios, é movido a combustível sólido, seu comprimento é de 2,40m, seu diâmetro de 16cm e sua envergadura de 50cm. Sua velocidade de cruzeiro é da ordem de aproximadamente Mach 1,5, e seu peso de lançamento fica na ordem de 63kg. Sua ogiva é do tipo HE (alto explosivo) podendo ser detonada pelo impacto ou por espoleta de aproximação eletromagnética.

A versão usada no Brasil foi a construída sobre chassi do blindado alemão de lagartas MARDER, o qual transporta dois mísseis na parte externa da torre, pronto para entrar em operação e no interior do veículo leva mais oito, sendo quatro em cada um dos dois carregadores rotativos, com carregamento automático. Este chassi é o mesmo que originou a família TAM (Tanque Argentino Médio) produzido no país vizinho.

O feito mais importante realizado por um míssil Roland ocorrido no continente Sul-Americano foi em 1º de junho de 1982 na Guerra das Malvinas, quando foi abatido uma Sea Harrier, matrícula XZ456 modelo FRS1, pertencente ao Esquadrão 801 da marinha inglesa, pelo Exército Argentino.

No Brasil diversas tentativas foram feitas para adaptar este sistema em outros veículos de concepção nacional. Foi desenvolvido um shelter para lançamento deste sistema sobre um caminhão de fabricação nacional, mas que não passou da fase de protótipo, nos anos 80, no CeTEx (Centro Tecnológico do Exército), Rio de Janeiro.

Com o declínio da industria de material defesa nos anos 90, estes veículos foram sendo abandonados, dos quatro existentes, apenas três estavam em condições operacionais, visto que um sofreu um acidente no campo de provas da Marambaia, RJ, onde sua perda foi total.

9 – Vista traseira e lateral esquerda do Marder Roland. Notar os lançadores de granadas fumígenas e a torre de lançamento dos dois mísseis roland, sem o casulo, com o respectivo radar. (autor)

10 – Marcações existentes nas laterais direita e esquerda do Marder Roland do MMCL. (autor)

 

 

11 - O Marder Roland, à direita o protótipo do XLF-40, brasileiro, e ao fundo à esquerda um trator M-4 rebocador de peça de artilharia, no pátio do Museu Militar Conde de Linhares, no Rio de Janeiro. Vale uma visita. (autor)


O destino dos três blindados remanescentes, em pleno ano de 2001, foi o seguinte: o único que se encontra em funcionamento foi enviado ao IPD (Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento) (foto 4), o outro foi transformado em alvo no campo de provas da Marambaia, onde foi destruído por tiros dos Leopard 1 A1 e Centauro (foto 5), e o terceiro foi enviado para o Museu Militar Conde Linhares, todos no Rio de Janeiro, onde chegou em 20 de novembro de 2001 (fotos 6, 7, 8, 9, 10 e 11 ), repousando ao lado de outros blindados importantes na história brasileira, preservado desta forma para as gerações futuras, muito embora eles ainda se encontram em operação em diversos países do mundo, como Alemanha, França, Iraque, Nigéria, Jordânia, Espanha, Estados Unidos e Venezuela, nas suas diversas configurações sobre lagartas ou rodas.

DADOS TÉCNICOS:

Fabricante:

EUROMISSILE
Tripulação: 3 homens
Armamento: Dois lançadores de mísseis Roland II, uma metralhadora 7,62mm, oito lançadores de granadas fumígenas;
Capacidade : 10 mísseis Roland II

Comprimento:

6,91m
Largura: 3,24m
Altura: 2,92m
Peso em combate: 32.500kg
Motor: Um MTU MB 833 Ea-500, 6 cilindros, turbo diesel, 600hp

Velocidade máxima:

70km/h
Raio de ação: 350km

Capacidade de combustível:

652 litros

Sistemas:

NBC e equipamento de visão noturna para o motorista.

Variantes: Roland II sobre chassis AMX-30 e Shelters em caminhões MAN 8x8 ou rebocados

Nota - Defesanet- O objetivo secreto para essa compra seria a de incorporar a tecnologia de mísseis pela indústria nacional. Rapidamente os veículos foram movidos de Brasília, seu destino original, para o Rio de Janeiro, junto aos órgãos de pesquisa do Exército. Esse movimento levou a um boicote no suprimento de peças de reposição o que acabou por tirar em poucos anos a operacionalidade desse sistema.

 

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