RESSURGIMENTO DO EE-T1 OSÓRIO

UM GENUÍNO MBT BRASILEIRO

 

Expedito Carlos Stephani Bastos,

expeditobastos@artnet.com.br

Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora, MG.

Pesquisador de Assuntos Militares.

 

 

O projeto mais ambicioso já desenvolvido no Brasil, nos anos 80 ressurge novamente, não da forma como queríamos, mas mais uma vez despertará grandes atenções no mundo.

Foi lançado este ano um modelo na escala 1:35, produzido em escala industrial, na China, pelo fabricante TRUMPETER. Trata-se de um kit totalmente injetado em plástico, com aproximadamente 200 peças, denominado BRAZIL EE-T2 OSORIO – Item 00333, armado com canhão de 120mm, conforme foto da tampa da caixa abaixo.

O modelo em questão é de muito boa qualidade, digno de figurar nas melhores coleções não só particulares como também em Museus militares.

Na verdade não existe o modelo EE-T2, pois seu fabricante a extinta ENGESA – Engenheiros Especializados S/A, o denominou apenas de EE-T1 OSÓRIO, conforme consta de catálogos publicitários onde este produto era mostrado.

Chegou-se a cogitar que a versão mais aprimorada, ou seja a de exportação deveria receber a designação de EE-T1 (armada com canhão de 120mm) e a versão que deveria ter sido adotada pelo Exército Brasileiro (armada com canhão de 105mm) de EE-T2 Osório, mas isto nunca foi realmente definido.

O modelo é bem fiel ao verdadeiro, não sabendo se foi baseado para tal realização somente em fotos ou se tiveram acesso às plantas do mesmo. Acompanha instruções de montagem, muito bem elaboradas nas suas oito páginas, informando inclusive versão de pintura similar a do modelo original enviado para testes reais na Arábia Saudita, onde foi o vencedor da concorrência entre o M-1 Abrams, AMX 40 e Challenger, na segunda metade dos anos 80.

 

A tampa da caixa foi inspirada na foto de publicidade abaixo, onde falta apenas o soldado na torre do tanque e os AMX da FAB realizando missões de apoio ao lado esquerdo da ilustração da tampa citada acima.

Foram construídos três protótipos, denominados todos de EE-T1 Osório, P1, P2 e P3 (P = Protótipo). Atualmente o P2 e P3 existem e fazem parte do espólio da Engesa, e encontram-se na cidade de Barueri, SP, em perfeito estado de funcionamento. Acreditamos que eles deveriam ir para o Museu Militar Conde de Linhares no Rio de Janeiro, local mais adequado para a sua preservação, pois eles representam um grande avanço tecnológico na área de material de defesa projetado e desenvolvido no Brasil nos anos de ouro da Indústria Bélica Brasileira, que vai dos anos 70 até início dos 90 e iriam enriquecer em muito a coleção de Blindados já existente e em exposição permanente ao lado de boa parte da história do Exército Brasileiro ali preservada.

A seguir podemos ter uma visão dos três modelos anteriormente mencionados e comparando-os perceberemos suas diferenças.

EE-T1 Osório P1 – Foto de divulgação da Engesa. Notar a camuflagem com as cores e emblemas do Exército Brasileiro. Notar também que as suas rodas são vazadas e a torre não é verdadeira, embora ela possua um canhão de 105mm. ( Foto Engesa, coleção do autor)

EE-T1 Osório P2 em testes na Arábia Saudita nos anos 80. Canhão de 105mm e configuração final do seu design. Suas rodas já são todas fechadas. (Foto Engesa – Coleção do autor).

EE-T1 Osório P3. Versão final do Carro de Combate Principal, armado com canhão de 120mm. Este modelo foi o vencedor da concorrência na Arábia Saudita na segunda metade dos anos 80. Questões puramente políticas não permitiram sua venda e consequentemente sua produção seriada. Notar além do canhão de 120mm, sua torre possui mais periscópios que o P2.

(Foto Engesa – Coleção do autor)

Vale ressaltar que só existe uma versão de pintura no modelo em questão e ele está na cor do modelo P3, ou seja uma cor para deserto similar a usada pelos Norte Americanos na guerra do golfo em 1991.

É possível montar com algumas modificações as versões P2 e P3, podendo desta forma pintá-lo na versão que iria ser a usada pelo Exército Brasileiro, lembrando apenas que esta versão incorpora o canhão de 105mm, que também é disponível neste modelo na escala 1:35.

A título de curiosidade é bom saber que em maio de 1986, quando da visita do Ministro da Defesa da então República Federal da Alemanha, Senhor Manfred Worner à fábrica da Engesa em São José dos Campos, o EE-T1Osório P2 foi a ele apresentado ostentando uma pintura fora dos padrões até então conhecidos por nós, com três tons, conforme foto abaixo. Esta mesma pintura permaneceu quando da visita do Ministro da Defesa do Iraque, da Turquia e do Sub-secretário de Defesa dos Estados Unidos, todas ocorridas naquele ano.

Oportunamente em novos artigos serão tratados este e outros blindados da Engesa, mas no momento o mais difícil é conseguir o modelo produzido na China, pois importá-lo custa um pouco caro, mas sem dúvida vale, pois este modelo é infinitamente superior ao de resina da firma Coreana, cujo preço é na ordem de US$80,00, contra os US$25,00 deste, fora frete e impostos.

Que isto sirva de inspiração para os modelistas que gostam do Verde e Amarelo, pouco difundidos e estimulados nos concursos que são realizados por este Brasil afora...

Senhor Manfred Worner, Ministro da Defesa da República Federal da Alemanha em companhia do Sr. José Luiz Witaker, Presidente da Engesa, em maio de 1986 ao lado do EE-T1 Osório com esta estranha camuflagem em três tons, e símbolos do Exército Brasileiro. (Foto Engesa – Coleção do Autor).

 

Na foto acima podemos ver a tampa da caixa do modelo 1/35 do EE-T1 OSÓRIO P2, canhão de 120mm, da firma Coreana CORÉE PRODUCTION , item nº CE3501, todo em resina, mas a qualidade e o preço deixam em muito a desejar

 

A qualidade do modelo Chinês da TRUMPETER, pode ser vista na foto acima onde podemos ver todos os componentes do modelo, aproximadamente 200 peças.

  Há cerca de cinco anos atrás, em 1996 cheguei a construir um modelo do EE-T1 OSÓRIO, com canhão de 105mm, igual ao enviado pela primeira vez para a Árabia Saudita, sendo que o mesmo foi todo construído em scratch, partindo de fotos, catálogos e informações existentes sobre o modelo em questão.

Hoje comparando com os dois modelos existentes no mercado, fiquei satisfeito em ver que eles não divergem tanto, seja no tamanho e nos componentes, estando os três bem próximos um do outro na escala 1:35.

Abaixo fotos do modelo em scratch pertencente à minha coleção, pois além de ser Pesquisador sou também plastimodelista e curto muito o modelismo Verde e Amarelo.

 

 

Modelo na escala 1:35 em Scratch construído por Expedito Carlos Stephani Bastos

Cabe destacar que nas instruções faltou a história deste carro de combate, e que na mesma não consta absolutamente nada, nem quem foi o fabricant, ou seja a ENGESA.. A única coisa que consta está na lateral da caixa, são os dados
técnicos, nada mais.

 

Cabe destacar que nas instruções faltou a história deste carro de combate, e que na mesma não consta absolutamente nada, nem quem foi o fabricante, ou seja a ENGESA.. A única coisa que consta está na lateral da caixa, são os dados técnicos, nada mais.


 Quem estiver interessado em adquirir o modelo do EE-T2 OSÓRIO, entre em contato com

Marcelo Bertolin - Electric Products - através do e-mail: electric@powerline.com.br